Terror
Espíritos de Gelo, de Raphael Draccon
Postado por em 3 de novembro de 2011
Espíritos de Gelo
Raphael Draccon

ISBN: 9789895579013
Editora: GaiLivros (Portugal)
Ano de publicação: 2011
Páginas: 176
Classificação: 5/5
Preço de Catálogo: € 7,90
Onde comprar:
FNAC (Portugal)

Essa resenha começa com uma terrível confissão: eu não li nenhum livro da série Dragões de Éter (série campeã de vendas do mesmo autor de Espíritos de Gelo). Por isso mesmo, não esperem aqui um comparação entre estilos. Apesar de conhecer a obra e ouvir muito o Raphael falar sobre ela, nada substitui a leitura. Então, apesar de saber que a série e Espíritos de Gelo são obras de estilos diferentes, “ignorarei” a escrita pregressa do autor, e focarei apenas na nova obra.

Ando afastado dos lançamentos literários, o que reflete na pequena quantidade de resenhas que tenho feito ultimamente – e que os leitores mais fiéis devem ter notado. A Editora tem me tomado tempo excessivo, e com isso, cai meu número de resenhas. Mas aproveitando o vácuo no estande gerado nos dias de visitação das escolas à Bienal do Livro do Rio desse ano, pude tirar algumas horas para ler Espíritos de Gelo.

O livro foi lançado em Portugal em maio desse ano, parte de uma nova coleção intitulada “Mitos Urbanos”, desenvolvido pela editora portuguesa GaiLivros. A proposta da editora é montar uma série de terror inspirada em lendas urbanas, com livros e preços populares (7.90 euros) e com um design estilo “old school”.

Sou fã de romances policiais e thrillers, e fiquei completamente grudado nas páginas de Espíritos de Gelo. É um livro ágil, viciante, sujo… Com cenas de torturas muito bem desenhadas e palavrões espalhados pelas suas páginas, talvez a obra fuja um pouco do que se conhece sobre a escrita de Raphael Draccon – ou pelo menos da ideia que eu tenho sobre a obra dele. Mas, para mim, isso só a faz crescer.

O livro faz referências à lenda urbana da banheira de gelo, às lendas ao redor da história do rock’n roll e até às motivações e psicologia ao redor da própria criação de lendas desse tipo. Conta com riquíssimas referências à cultura pop. Os capítulos são rápidos, e a trama vai se desenrolando aos poucos, conforme os flashes do passado do personagem principal vão acontecendo. Acredito que tenha contado muito a experiência do autor com cinema (Draccon é roteirista), pois o clima intenso das cenas me fizeram já ver o filme nas telonas, com um final, conforme confessei ao Raphael, assinado por Quentin Tarantino.

Posso não conhecer o Raphael Draccon de Dragões de Éter, mas posso dizer que sou fã do Raphael Draccon de Espíritos de Gelo.

Se você não se lembrar do que aconteceu nas últimas horas, nós faremos com que sofra ainda mais, como se estivesse em um dos nove círculos do Inferno…
Foi o que eles disseram antes do terceiro eletrochoque.
E nem foi uma das piores partes.

No Brasil, o livro será lançado no dia 20 desse mês, e já está em pré-venda no Submarino.

Noturno
Postado por em 11 de janeiro de 2011
Noturno (The Strain)
Guillermo del Toro e Chuck Hogan

ISBN: 9788532524638
Editora: Rocco
Ano de publicação: 2009
Páginas: 464
Classificação: 4/5
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Estava curiosa por esse livro, mas com certo receio. Não sou muito fã de filmes de terror, sou medrosa mesmo, e li alguma coisa sobre o livro ser assustador.

Mas resolvi arriscar e não me arrependi! É um suspense fantástico, cheio de detalhes, mas que não deixa nenhuma ponta solta. Só o que, com certeza, será respondido em A Queda, 2° volume da trilogia da Escuridão, e que me deixou na expectativa por ele!

O livro conta a história de um Boeing 747 vindo de Berlim pra Nova York, que subitamente pára na pista, sem comunicação, com as luzes apagadas e cortinas fechadas. Resumindo a história, uma pandemia vampírica se espalha por toda a cidade e une o Dr. Eph Goodweather, do Centro de Controle de Doenças, a Abraham Setrakian, estudioso de folclore da Europa Oriental. Juntos a um grupo inusitado, eles fazem de tudo para acabar com o vírus e salvar a cidade antes que seja tarde demais.

Tudo muito bem escrito e conforme vamos conhecendo melhor a história, o suspense vai aumentando e nos deixando grudados ao livro. É realmente fantástico!

As cenas mais sangrentas e assustadoras provavelmente me fariam não gostar de um filme, mas lendo foi mais fácil imaginá-las com menos detalhes, quando necessário! =P

Como li devagar, a princípio fiquei meio perdida no meio de tantos personagens. Mas isso logo passou, pois os principais se destacam rápido.

E o final, é óbvio, além de eletrizante, me deixou muito curiosa pelo segundo. Adorei!


Aos 21 anos, Del Toro foi produtor executivo de seu primeiro filme, Dona Herlinda e seu Filho, em 1986. Por dez anos, trabalhou como supervisor de maquiagem, até formar a sua própria companhia, Necropia, no começo dos anos 80. Dirigiu ainda programas para a TV Mexicana, foi onde aprendeu a fazer filmes. Seu primeiro sucesso foi Cronos, em 1992, filme que ganhou nove prêmios no México e se tornou um sucesso em Cannes. A partir de então, Del Toro continuou escrevendo e dirigindo diversos filmes de destaque, como O Labritinto do Fauno e Hellboy 2.

Além do seu envolvimento com o cinema, Del Toro, acompanhado por Chuck Hogan, iniciou sua aventura com os livros, lançando Noturno, em 2009.

Garota Infernal
Postado por em 8 de dezembro de 2010
Venho tratando aqui sobre os livros que, após sua publicação são adaptados e transformados em filmes. O de hoje, porém, fez o caminho inverso: primeiro era filme e depois virou livro. Garota Infernal foi primeiro roteiro de cinema, escrito por Diablo Cody, uma ex-stripper que ficou mundialmente famosa após ganhar o Oscar de melhor roteiro original pelo filme Juno. O roteiro foi adaptado pela Audrey Nixon, e tornou-se um rápido livro de terror. 

256 páginas

A tal “garota infernal” do título é Jennifer. Ela é popular, linda, cobiçada, e é a melhor amiga de Needy, uma típica garota nerd, que a idolatra. Na noite em que as duas vão a um bar porque Jennifer queria conhecer a banda que ia tocar, o local acaba pegando fogo. Ambas escapam do incêndio mas Jennifer é levada e passa por um ritual que a transforma em uma espécie de succubus, é possuída por demônios e começa a seduzir, assassinar e devorar os garotos da cidade. A única que percebe a estranha mudança na amiga é Needy.

Sendo o livro uma adaptação do roteiro, não há como ser mais fiel. A única diferença é que o livro é narrado em primeira pessoa, pela Needy, que conta ao leitor o que aconteceu à sua melhor amiga, então não há detalhes de toda a carnificina, por exemplo, já que ela não estava presente, mas temos a opinião dela sobre os acontecimentos, sobre as pessoas, temos seus sentimentos, sensações, convicções e arrependimentos. Gostei do livro – tanto que me fez assistir ao filme – por ser rápido, ir direto ao ponto sem muita enrolação. Não é o tipo de história que precisa ser muito profunda.

No elenco do filme, lançado em 2009, estão Megan Fox, Amanda Seyfried, Adam Brody e Johnny Simmons. É um filme meio trash, com todo o sangue, gosma preta e Megan Fox com dentes afiados, mas é bom, se você aprecia o estilo terror adolescente. Contudo, apesar de todos os efeitos especiais, não é assustador, é no máximo nojento. Na verdade a Diablo Cody tentou escrever um filme de terror, mas os diálogos engraçadinhos que a fizeram ficar conhecida estão presentes o filme inteiro. A ideia dela era subverter o modelo desse tipo de filme em que o homem é o herói e a mulher é sempre uma mocinha indefesa, transformando os homens em vítimas e colocando uma mulher como representação do mal e outra como “heroína”. O resultado foi um filme de terror não muito terror, mas que vale pela diversão, e para os rapazes, vale pela Megan Fox.

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