Amor
Um Homem de Sorte, de Nicholas Sparks
Postado por em 24 de janeiro de 2012
Um Homem de Sorte (The Lucky One)
Nicholas Sparks

ISBN: 9788563219138
Editora: Novo Conceito
Tradutor: Marcely de Marco Martins Dantas
Ano de publicação: 2011
Páginas: 349
Classificação: 5/5
Preço de Catálogo: R$29,90
Onde comprar:
SubmarinoSaraiva | Cultura

Para quem nunca leu um livro de Nicholas Sparks, ele é apenas um autor de histórias de amor. Para mim, e acredito que para boa parte de seus leitores, ele vai muito além. Claro, há romance em todas as obras do autor. Geralmente são o centro da trama. Ainda assim, seus livros não são meros romances água com açúcar, como alguns julgam (geralmente quem não os leu). Sparks é drama puro. Mais que isso, seus livros são simplesmente sobre relacionamentos humanos, e o amor entre um homem e uma mulher é apenas uma das facetas que ele retrata no texto.

Assim foi com os seus romances mais conhecidos, Querido John e A Última Música. Ainda que tragam histórias de amor, estes livros trazem muitos outros conflitos que ultrapassam o óbvio ao gênero. Em ambas as tramas, Sparks reproduz problemas familiares que são um reflexo de muitas casas, e talvez esta seja a razão do sucesso de seus livros. Tanto em a A Última Música quanto em Querido John, os protagonistas enfrentam problemas com os pais enquanto estão em busca de si mesmos. Nada mais são que jovens procurando seu lugar no mundo. Com Um Homem de Sorte, último lançamento do autor no Brasil, não é diferente. O livro é tão bom quanto os citados anteriormente. Há romance transbordando das páginas, e ainda assim Sparks não transforma a obra em um simples livro de mulherzinha. Ele consegue facilmente segurar as pontas entre os gêneros e prender o leitor do começo ao fim, alternando as tramas paralelas e os conflitos que todos os personagens enfrentam, assim como a narrativa, dividida entre os três protagonistas. É um romance de primeira linha.

Claro, a trama de Um Homem de Sorte pode soar boba durante a leitura da sinopse. Um fuzileiro americano encontra a foto de uma mulher no chão em plena batalha durante a Guerra do Iraque. Ele procura o dono entre seus companheiros de pelotão, mas não encontra ninguém. Desta forma, passa a guardar a imagem junto a si, em sua carteira. A partir dai, acredita que ela vira um amuleto, protegendo-o em diversos momentos da guerra. Cinco anos depois, o tal fuzileiro, Logan, volta aos EUA. Ele atravessa o país para encontrar a mulher desconhecida da foto, acreditando que ela o salvara e está destinada a ele.

Sim, a trama parece boba a princípio. Entretanto, nas mãos do mestre Nicholas Sparks, ela funciona muito bem, como provavelmente não funcionaria com outro escritor. Sparks desenvolve todos os personagens desde o começo e é prazerosa a forma como tudo se desenrola conseqüentemente. A partir do momento que Logan finalmente encontra Beth, Sparks narra o dia-a-dia de seu novo trabalho junto a ela no canil da avó Nana, um retrato do cotidiano que o autor faz de forma interessante, algo que só ele consegue tão brilhantemente. Acompanhamos o relacionamento de Logan com o filho de Beth, Ben, a quem ele se apega muito fácil, e obviamente com a sua mãe. Então entra Clayton, o ex-marido e pai de Ben, que está incomodado com o homem estranho que se infiltrou na vida de sua antiga família. Sparks dá espaço ainda para os conflitos entre Ben, que não gosta de conviver com o pai, e o próprio Clayton, que resolve atrapalhar todos os novos relacionamentos que sua ex-mulher consegue. Já no final do livro, o autor pega o leitor de surpresa com uma cena final rápida, mas excelente, e ainda prega uma peça no epílogo, enganando direitinho. Tudo satisfatório. O único defeito do livro talvez seja a capa brega e sem graça que ele recebeu da Novo Conceito, o que não é nenhuma novidade, considerando o catálogo da editora. Deveriam ter reproduzido as capas americanas, que são bem melhores.

Sparks, mais uma vez, impressiona e faz um livro não só bom, mas prazeroso e brilhantemente simples de se ler. É Sparks, este é seu estilo. Um Homem de Sorte é um livro sobre família, conflitos e amor. Sobretudo, um livro destinado a leitores que querem uma trama pueril, bem desenvolvida e com bons personagens. Tem a cara do verão, uma ótima pedida para se ler na praia, com os pés na areia. O filme baseado na obra deve sair em abril e, de acordo com o trailer, parece ser fiel ao original. Vamos torcer para que a produção tenha o mesmo cuidado com a trama que o mestre Sparks teve em escrevê-la, e não repita o fisco do filme Querido John.

Star-Crossed, de Rachel Wing
Postado por em 24 de outubro de 2011
Star-Crossed: Romeu e Julieta (Star-Crossed: Romeo e Juliet)
Rachel Wing

ISBN: 9788576768838
Editora: Fundamento
Tradutor: Neuza Capelo
Ano de publicação: 2011
Páginas: 170
Classificação: 4/5
Preço de Catálogo: R$29,50
Onde comprar:
Saraiva | Cultura

Star-Crossed é um daqueles livros gostosinhos de ler, sabem?  Daqueles que a gente começa a ler num dia e termina no dia seguinte. Não traz muita ansiedade e nem faz pensar demais. É leve (de peso e de conteúdo), fofinho, romântico e não tem pretensões de ser o “livro do ano”. Simplesmente uma “dramédia-romântica” para menininhas, com uma capa linda.

O livro, que é uma releitura moderninha de Romeu e Julieta, nos conta a história de Jen e Chris. Suas famílias são inimigas há muitos anos e ambos, convenientemente, também se odeiam. Mas, como o destino – pelo menos nas comédias-românticas – é um garoto brincalhão, calha de ambos serem escalados para viver Romeu e Julieta em uma montagem teatral no colégio. A partir daí eles se conhecerão melhor e vocês já devem imaginar o que acontece. Não há absolutamente nada no livro que traga uma surpresa.

Aí vocês devem estar pensando: “nossa, deve ser super chato esse livro aí”. Nem é. Como eu disse lá em cima, o livro é gostosinho de ler. A gente já sabe tudo o que vai acontecer, mas é divertido ver as coisas acontecendo. Meninas adoram comédias românticas e eu não sou exceção, me divirto com todas que eu leio.

O diferencial do livro fica por conta da narração. Rachel Wing nos conta sua história como se os fatos estivessem ocorrendo com quem lê a história, ela coloca o leitor totalmente na pele de Jen, por exemplo: “Você para, respira, olha para ele e diz…”. Deu pra pegar? Acho que seria algo como uma narração em 2ª pessoa.. Mas é um negócio esquisito. Eu nem sabia que esse negócio de narração em 2ª pessoa existia – existe? Bom, a questão é que em Star-Crossed existe. Incomoda no início, mas depois que acostuma a gente nem sente.

Enfim, livro delicioso e recomendado para meninas novinhas, como aquela sua irmã/prima/vizinha de 14 anos que está se apaixonando pela primeira vez. Star-Crossed vai fazer os olhinhos dela brilhar, tanto pela capa, quanto pela história.

Anna e o Beijo Francês, de Stephanie Perkins
Postado por em 18 de julho de 2011
Anna e o Beijo Francês (Anna and the French Kiss)
Stephanie Perkins

ISBN: 9788563219329
Editora: Novo Conceito
Ano de publicação: 2011
Páginas: 288
Classificação: 4/5
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Anna e o Beijo Francês é uma típica comédia romântica, totalmente água com açúcar. Mas a história é tão fofa e divertida que é impossível não se apaixonar e ficar louca para passear pelos pontos turísticos de Paris – tão bem descritos no livro –, de preferência com um Étienne ao lado.

Mas vamos ao que interessa… Anna é uma adolescente feliz com a escola onde estuda, que tem uma melhor amiga e um provável futuro namorado. Por esses motivos ela fica tão revoltada quando seu pai resolve que ela precisa ir cursar o último ano em um colégio interno para americanos, em Paris. Não adiantou gritar, implorar, nem chorar para fazê-lo mudar de ideia!

Sem conhecer nada nem ninguém por lá, Anna vai para Paris e se sente sozinha e perdida. Mas logo conhece Meredith e seu grupo de amigos e começa a se enturmar. Étienne St. Clair faz parte desse grupo e Anna fica interessada nele instantaneamente, mas ele tem uma namorada… Com tantas afinidades, os dois acabam virando amigos. Muito próximos, mas só amigos.

Com o passar do tempo ela vai se encantando com a cidade, visita vários cinemas – que é sua grande paixão – e não consegue mais evitar o que sente por Étienne. Mas será que ele sente o mesmo por ela?

Uma curiosidade é que o pai de Anna é um escritor best-seller, inclusive com livros que viraram filmes, e ela fica irritadíssima com o sucesso dele, já que para ela seus livros são…

…esses romances que acontecem em Small Rown Georgia sobre ‘pessoas com bons valores americanos que se apaixonam e então contraem doenças que lhe ameaçam a vida e morrem’.

Embora eu goste dos livros dele, foi impossível não lembrar de Nicholas Sparks sempre que Anna falava dos livros do pai dela!

Apesar da história adolescente, com algumas crises típicas da idade, tudo é narrado de forma realista e envolvente. Nada chato, como muitos que vemos por aí. Os personagens são interessantes, atuais, engraçados e com drama na medida certa. O livro é leve, doce, uma delícia de ler!

Julieta, de Anne Fortier
Postado por em 28 de junho de 2011
Julieta (Juliet)
Anne Fortier

ISBN: 9788599296912
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2010
Páginas: 448
Classificação: 5/5
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Julie e sua irmã nasceram na Itália, mas desde a infância, quando seus pais morreram, foram morar nos Estados Unidos com sua tia-avó Rose. Elas levam uma vida normal, sem fazer ideia de que existem segredos sobre a vida de seus pais e o passado da família.

Depois de mais de 20 anos Julie se vê obrigada a confrontar esse passado quando sua tia morre e não deixa nada para ela além de uma carta. E, a partir daí, sua vida muda radicalmente.

Na carta ela fica sabendo que sua mãe lhe deixou um tesouro misterioso e que ela precisa ir para Siena descobrir o que é, mas o mais chocante é descobrir que seu verdadeiro nome é Giulietta Tolomei. Então, Julie parte para Itália em busca de algumas respostas.

Em Siena ela se decepciona ao ver que o tesouro são papéis velhos e uma antiga edição de Romeu e Julieta. Mas analisando melhor esses papéis ela descobre a história de Giulietta Tolomei e Romeo Marescotti, jovens amantes que morreram há mais de 600 anos.

Como seu nome é igual ao de sua antepassada e sua mãe acreditava que uma maldição perseguia as duas famílias desde então, Julie começa a tentar descobrir mais para quebrar a maldição e não correr riscos. Mas coisas estranhas começam a acontecer e sua vida pode mesmo estar em perigo.

A narrativa é ótima! Cheia de intrigas e mistério. E é intercalada entre presente e passado. No presente é narrada em 1ª pessoa, por Julie, no passado, contando a história de Romeo e Giulietta, é em 3ª pessoa. Quando engrenamos na leitura e queremos saber mais, o capítulo acaba e volta para o passado (ou para o presente), aí nos empolgamos e o tempo da narrativa muda novamente. Isso deu um ritmo muito legal ao livro, me deixando ansiosa para saber o que aconteceria em seguida, nos dois tempos!

Confesso que não sou nenhuma expert na famosa história de Shakespeare. Conheço o básico, como a maioria. Mas foi muito bacana ler essa “releitura” de Romeu e Julieta e ver Julie tentando seguir os passos de sua antepassada para descobrir o que de fato aconteceu com os dois apaixonados. Sem contar que tudo foi uma descoberta e uma aventura pra ela, começando pelo próprio nome, a descendência e os perigos…

No livro temos várias versões de Romeu e Julieta ao mesmo tempo. A que supostamente aconteceu, a de Shakespeare, a contemporânea e cita algumas outras versões ainda mais antigas que a famosa. Mas tudo de forma tão bem escrita que não fica confuso e de certa forma elas se complementam.

A história foi muito bem construída, os personagens são muito bons, profundos e intrigantes. Em quem Julie poderia confiar?! O mistério todo é cheio de detalhes, mas tudo muito bem amarrado no final. Excelente!


Anne Fortier cresceu na Dinamarca, emigrou para os Estados Unidos em 2002 para trabalhar em cinema e é doutorada em História das Ideias pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca. A história de Julieta é inspirada na sua mãe, que sempre considerou Verona a sua verdadeira casa… até descobrir Siena. A sua estreia literária, Julieta, já foi publicada em mais de 30 países.

E Se Fosse Verdade…
Postado por em 13 de abril de 2011

Para quem acompanha a coluna não é segredo que eu tenho mania de ler livros que foram transformados em filmes e de assistir filmes que são adaptações de obras literárias. Normalmente eu prefiro ler o livro antes, mas às vezes eu só descubro que se trata de uma adaptação depois que já assisti ao filme. O livro de hoje faz parte desse último caso. Apesar de gostar mais do livro, conheci primeiro o filme. Trata-se do “E Se Fosse Verdade…”, romance de estreia e best-seller do escritor francês Marc Levy, publicado originalmente em 1999.

247 páginas

Lauren é uma jovem médica residente que tem a vida totalmente voltada para sua carreira. Um dia, porém, sofre um terrível acidente de carro e entra em coma, ficando entre a vida e a morte. Mas ao invés de ficar inconsciente, seu “espírito” continua vagando por aí, e ela passa a maior parte do tempo em seu apartamento vazio. Alguns meses depois o apartamento é alugado por Arthur que, para surpresa de Lauren, consegue vê-la, e é o único que o faz. A princípio ele não acredita nela, até que vê seu corpo no hospital. Ela passa a acompanhá-lo aos lugares e eventualmente eles se apaixonam. Arthur então decide tornar sua missão de vida tomar conta de Lauren e descobrir um modo de curá-la. Para isso ele terá que enfrentar, inclusive, a mãe dela, que está decidida a desligar os aparelhos que a mantém viva.

O filme, de mesmo nome, com Reese Witherspoon e Mark Ruffalo foi lançado em 2005. É uma boa e velha comédia romântica. Rapaz conhece garota, rapaz e garota brigam como cão e gato, rapaz e garota se apaixonam perdidamente. A diferença é que nesse caso a garota está em coma, mas ainda assim “visita” seu antigo apartamento. E o rapaz, novo morador do local, é o único que pode vê-la e ouvi-la. Ele que tem seus próprios fantasmas interiores acredita que está lidando com um fantasma de verdade, que atravessa paredes, e tenta ajudá-la a fazer a “travessia”. Claro que ela, sabendo que está viva (apesar de não saber o que aconteceu), não quer ir a lugar nenhum, e passa a se meter em tudo que o novo morador de seu apartamento faz. Reese Witherspoon é uma das queridinhas entre as atrizes de comédia romântica e só a presença dela já é garantia de sucesso de público. Fora isso, o filme é realmente muito bom.

95 minutos

Entre as mudanças na adaptação, acho que a maior é relativa ao nome dos protagonistas. Enquanto no livro eles são chamados de Arthur e Lauren no filme eles são David e Elizabeth. Outras mudanças que podemos observar é que no livro o romance é mais intenso, o casal passa mais tempo juntos, sozinhos, e inclusive podem se tocar. Ainda, Lauren sabe desde o início qual é sua situação, que seu corpo se encontra no hospital, em coma profundo, já Elizabeth inicia a história completamente perdida. Isso sem considerar que a Lauren, a do livro, é morena e a Elizabeth, a do filme, é loira. Mas isso é o que tem menos importância. O final do filme também é diferente, indo além do contado no livro. De resto a história é basicamente a mesma, apesar de o filme ser mais leve e o livro mais profundo, como acaba acontecendo na maioria das vezes.

A obra possui uma continuação, um livro chamado “Encontrar Você”, já publicado no Brasil. Ainda não tive oportunidade de ler então não sei o quanto acrescenta à história. Mas seja como for, esse primeiro livro termina muito bem, e tem um final satisfatório.

Por fim, gosto quando os autores dos livros participam da elaboração do roteiro das adaptações, como é o caso desta, pois mesmo que haja mudanças ainda podemos reconhecer a essência da história – pelo menos na maioria dos casos. Aqui, por exemplo, como já dito, a adaptação vai além do livro, mas o final dado ao filme poderia muito bem ser aplicado ao livro. A meu ver se encaixaria bem. Acho que só mesmo em casos assim não é decepcionante um final diferente.

PS, Eu te amo
Postado por em 16 de fevereiro de 2011
Existem histórias feitas para serem emocionantes, e o que é emocionante nos livros torna-se um forte candidato a uma adaptação cinematográfica. Já falei isso aqui na coluna sobre o Nicholas Sparks, um dos mestres no assunto, mas se há outra autora com dom para histórias emocionantes é a irlandesa Cecelia Ahern, e seu livro de maior sucesso inevitavelmente foi transformado em filme. PS, Eu te amo é seu romance de estreia e conta o que acontece a uma história de amor quando é abruptamente interrompida. 

398 páginas

Holly encontrou o amor de sua vida quando ainda era muito nova e, embora pudesse reclamar de todos os outros aspectos, como o fato de não encontrar nenhum emprego do qual gostasse, ela tinha Gerry a seu lado e a certeza de que sempre poderia contar com ele. O que ela não contava era que uma inesperada doença terminal levasse seu marido cedo demais. A prematura morte de Gerry tira o chão de Holly e ela sente que sua vida já não tem propósito. No momento em que esse sentimento toma conta, ela recebe um pacote contendo dez cartas, escritas por Gerry, devendo ela abrir uma a cada mês. Essas cartas, sempre assinadas com o tal “P.S. Eu te amo”, contêm instruções que vão de um simples lembrete para que ela compre um abajur ao pedido que ela enfrente seus maiores medos. Assim, Gerry guia Holly, ajudando-a a superar a morte dele e ao mesmo tempo, reconstruir sua própria vida.

O filme tem no elenco Hilary Swank, Gerard Butler, Lisa Kudrow, Gina Gershon, Kathy Bates, Harry Connick Jr. entre outros, e foi lançado em 2007. Apesar de ter agradado ao público e consequentemente ter alcançado sucesso de bilheteria, recebeu pesadas críticas quanto ao roteiro, mas a protagonista Hilary Swank foi aclamada, por se sair tão bem em um papel que não era do tipo ao qual ela estava habituada.

127 minutos

É um filme que me fez chorar horrores quando o assisti no cinema, e me emociona a cada vez que decido assistir novamente – já contei que assisto dezenas de vezes aos mesmos filmes? Pois é – mas por incrível que pareça, o livro não teve o mesmo efeito em mim. Não estou dizendo que o livro seja ruim ou que eu não tenha gostado dele, mas o filme acaba sendo mais emocionante, focando mais no relacionamento entre Holly e Gerry enquanto o livro abrange todos os aspectos da vida da Holly, sua relação com suas amigas, com seus pais, com seus irmãos, seu trabalho e tudo o que ela tem que enfrentar com a morte do marido. Tive a sensação que a presença do Gerry no filme é mais forte que no livro, apesar de ele ser mencionado em praticamente todas as páginas.

Assisti primeiro ao filme, então quando fui ler a história, algumas coisas se perderam, coisas que esperava e que não estavam presentes. É um risco que se corre quando se conhece a história. Da mesma forma que queremos ver no filme aquela passagem do livro que tanto gostamos, se fazemos o caminho inverso e assistimos ao filme antes, também queremos encontrar nossas cenas preferidas, e isso nem sempre acontece. Por exemplo, como no livro a Holly e o Gerry se conhecem de forma diferente, uma das minhas cenas preferidas do filme não existe no livro. Ele não canta para ela e a persegue pelo pub. Entre as mudanças, a maior está na família da Holly, que é bem maior no livro com o pai, dois irmãos e os sobrinhos, além da mãe e irmã. No filme os homens da família foram descartados. Há também a profissão de Holly, que é completamente diferente. O lado artístico dela é reservado à versão cinematográfica.

Originalmente, a história se passa na Irlanda, terra natal da autora Cecelia Ahern, mas no filme o cenário é a cidade de Nova York. E embora Holly tenha sido transformada em americana, Gerry continua sendo irlandês e, para manter a grande influência da Irlanda na história, a viagem com suas amigas que Holly ganha de presente do marido é para aquele país, e não para a Espanha como no livro. Sendo uma das pessoas que é fascinada pela Irlanda em razão dos livros, foram tantos que sinto que visitei o país inúmeras vezes, particularmente me encantei com cada uma das cenas e paisagens, e não perdoaria um Gerry com qualquer outra nacionalidade que não irlandesa.

Normalmente eu reclamo das diferenças dos filmes em relação aos livros, mas nesse caso tudo funcionou. As cartas sendo entregues de maneiras inesperadas ao invés de todas de uma vez, contando com a força de vontade da protagonista para não abri-las todas de uma vez, ou a cena no karaokê, completamente emocionante no filme enquanto no livro vai para o lado divertido. Apesar de o livro ser bom, não é o melhor dos que eu li da autora, e acabei gostando mais do filme. Talvez tenham sido as imagens da Irlanda, talvez o fato de o Gerry ser mais charmoso no filme, o que me faz pedir licença aos rapazes para um comentário final: apesar de a cena existir no livro, nada substitui a imagem do Gerry do Gerard Butler dançando e fazendo striptease, logo no começo do filme. Minha imaginação não é tão boa.

Morte e Vida de Charlie St. Cloud
Postado por em 15 de fevereiro de 2011
Morte e Vida de Charlie St. Cloud (The Death and Life of Charlie St. Cloud)
Ben Sherwood

ISBN: 9788563219183
Editora: Novo Conceito
Ano de publicação: 2010
Páginas: 304
Classificação: 4/5
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Charlie e Sam são grandes amigos! Por causa de uma travessura juvenil, sofrem um acidente de carro onde Sam e Oscar – o cachorrinho da família – morrem. Charlie fica entre a vida e a morte e antes do paramédico conseguir ressuscitá-lo, promete a Sam nunca deixá-lo sozinho, mas logo se separam. Após essa experiência, Charlie recebe um dom, ele passa a ver, conversar e até brincar com o fantasma de seu irmão. 

Depois de algum tempo, Charlie vai trabalhar no antigo cemitério da cidade, onde pode ficar mais perto de Sam…

E é aí que Tess Carroll surge em sua vida. Uma mulher jovem e independente, treinando para navegar ao redor do mundo sozinha em um veleiro. Ela perdeu o pai há pouco tempo e os dois também eram muito ligados. Depois de passar por uma violenta tempestade no mar, em uma de suas visitas “rotineiras” ao cemitério, ela conhece Charlie.

Confesso que o ponto principal do livro não me pegou de surpresa. Deu pra captar a ideia antes de ler o que aconteceria (não posso me explicar mais, senão estragaria a leitura de quem ainda vai ler! =P ), mas mesmo assim o autor apresenta tudo de uma forma tão suave que a história não perde graça!

O romance dos dois é doce, envolvente e emocionante! Mas também problemático. Chega uma hora em que Charlie precisa fazer uma escolha…

Me lembrou um pouco as histórias de Nicholas Sparks, embora esse tenha um estilo todo único de escrever! Mas a leveza da história, o amor em várias formas… Acho que os fãs de Sparks vão gostar bastante desse livro também.


Ben Sherwood é um escritor consagrado e campeão de vendas, um jornalista premiado que trabalhou como produtor executivo do programa Good Morning America da rede ABC. Ele é produtor do noticiário NBC Nightly News. Seu livro The Man Who Ate the 747 esteve na lista dos mais vendidos do New York Times, e está sendo adaptado para uma produção musical na Broadway e para o cinema. O primeiro livro de não ficção de Sherwood, O clube dos sobreviventes: Os segredos e a ciência que podem salvar a sua vida, se tornou campeão de vendas instantaneamente e foi publicado mundialmente. Formado nas faculdades de Harvard e Oxford, ele mora em Los Angeles com sua esposa e dois filhos.

Nicholas Sparks e seu Diário de uma Paixão
Postado por em 19 de janeiro de 2011
Após uma pequena ausência estou de volta para falar de Nicholas Sparks. Ele é um autor badalado, que atrai milhares de fãs em todo o mundo e, após a visita dele ao Brasil no final do ano, por aqui não se falava em outra coisa. Se existisse algo como um pop star no mundo literário, ele seria esse cara. E tudo isso se deve aos seus maravilhosos livros e à cativante forma como ele escreve. Além disso, e o que mais nos interessa aqui, é um dos autores que mais tem livros adaptados para o cinema. De seus livros publicados, 6 foram transformados em filmes.

 

256 páginas

O romance de estreia do Sr. Sparks, publicado originalmente em 96, é o The Notebook. O livro começa com um homem que vive em uma casa de repouso e todo dia se encontra com uma mulher com sérios problemas de memória e lhe lê uma história. A história de Noah Calhoun e Allie Hamilton. Ele, um humilde rapaz do campo, trabalhador, mas sem muita perspectiva de vida. Ela, uma rica garota da cidade, criada para ter um brilhante futuro. Eles se apaixonam e passam um inesquecível verão juntos. Contudo, acabadas as férias, eles se separam e passam anos sem notícias um do outro. Quando se encontram novamente, Allie está noiva, prestes a se casar e Noah voltou da guerra e terminou de reformar a casa de seus sonhos. Assim que se vêem, todos os sentimentos adormecidos voltam à tona.

A história foi maravilhosamente adaptada para o cinema em 2004, e o filme no Brasil ganhou o título de Diário de uma Paixão e tem no elenco Ryan Gosling, Rachel McAdams, James Garner e Gena Rowlands. Se o livro já era um best-seller o filme foi um sucesso de público e crítica. Fora a bela história, a fotografia do filme é linda, e ficamos babando pelas perfeitas paisagens. Uma curiosidade, a atriz que interpreta a Allie mais velha é mãe do diretor do filme, Nick Cassavetes, diretor esse que não estava acostumado a dirigir histórias românticas como esta, mas digo que ele fez um bom trabalho.

123 minutos

É um dos poucos casos em que eu não consigo me decidir se gosto mais do livro ou do filme, ou qual eu acho melhor. Deve ser porque quando li o livro já era apaixonada pelo filme e nenhum deles me decepcionou. Acho que os dois se completam. O livro, por exemplo, tem a emoção única passada pela transcrição de algumas cartas escritas pelo Noah e pela Allie, mas a forma como eles se conhecem e se apaixonam é melhor no filme, porque é mais explorada. A inesquecível cena do Noah escalando a roda gigante, por exemplo, é exclusiva do filme. Apesar do livro não se aprofundar na parte da história em que Noah e Allie se apaixonam, o reencontro deles se dá em um ritmo mais lento, com cada emoção e sentimento aflorando aos poucos, e nos envolvendo mais profundamente. E na medida em que o livro é mais profundo, também é mais triste.

O filme trás algumas poucas mudanças na história, mas são daquelas mudanças boas, que não a estragam, sendo a maior delas o tempo em que Allie e Noah ficam separados, que no livro são 14 anos, enquanto no filme são apenas 7. Mas tudo o que é importante está presente, a casa reformada, o artigo no jornal, a carta de despedida, o passeio pelo lago com os cisnes os rodeando, a chuva… Quanto ao desfecho da história, não diria que é diferente, mas o filme dá um passo a mais, mas que se encaixa completamente, tornando-o ainda mais poético.

Além de ser o primeiro romance escrito pelo Nicholas, também foi o primeiro dele que eu li e o que me conquistou e me fez virar fã dos seus livros. Eu o li em inglês, mas ele foi lançado recentemente no Brasil pela Novo Conceito. Ainda não posso falar da edição brasileira, mas não importa que eu já conheça a história, conhecer a tradução feita já é uma ótima desculpa, e a que eu usarei, para ler novamente.

É um daqueles filmes que eu já assisti incontáveis vezes, um dos livros que já li e reli, e, apesar de triste, uma história da qual não me canso.

1 2 3 >

Editoras Parceiras

Your Adv Here

Siga-nos no Twitter