Ficção Científica
Cultivados, de Rodrigo Baptista
Postado por em 3 de novembro de 2011
Cultivados
Rodrigo Baptista

ISBN: 9788561843380
Editora: Subtítulo
Ano de publicação: 2011
Páginas: 172
Classificação: 4/5
Preço de Catálogo: R$24,90
Onde comprar:
Editora Subtítulo

Cultivados, lançamento da nova Editora Subtítulo, é um livro apocalíptico. O clima é de destruição e fim do mundo, bem ficção-científica, mas daquelas que deixa a sensação que, um dia, quem sabe, aquilo tudo pode realmente acontecer. Na trama, o planeta Terra foi assolado por uma série de catástrofes, que acabaram com o planeta.  O erro humano é, aparentemente, o responsável – fica a dica. Os poucos sobreviventes precisam mudar radicalmente seus hábitos e a sociedade se transforma para se adaptar. Em um mundo tão hostil, todos se tornam mais egoístas, gerando uma série de problemas de comportamento e convivência.

De início, é difícil imaginar como o autor conseguirá desenvolver toda essa trama complexa em apenas 170 páginas. Após um prólogo atraente, Rodrigo Baptista corre contra o tempo no primeiro capítulo, detalhando as catástrofes e suas consequências, até finalmente apresentar os personagens principais. A história é alternada com dois pontos diferentes. O primeiro mostra um grupo de sobreviventes que é mantido preso em uma Redoma, até conseguir fugir. O segundo mostra um homem que é responsável por administrar a Redoma e conduzir o destino dessas pessoas.

Como se espera de um livro de estreia, ele apresenta alguns problemas. O principal é a estrutura narrativa utilizada pelo autor. Os parágrafos são longos demais, muitos chegam a duas páginas. Os diálogos são introduzidos dentro dos parágrafos com a narração, sem receber destaque, confundindo o leitor em alguns momentos. É claro que essa variação pode ser classificada como “estilo” do autor, mas a verdade é que ambas apenas tornam a leitura mais cansativa, sem acrescentar nada. O primeiro capítulo, especificamente, poderia ser melhor desenvolvido, já que tudo ficou corrido demais e pouco aprofundado, desde a apresentação da situação do planeta terra até a exposição dos personagens.

Ainda assim, o livro não apresenta erros que são mais perceptíveis a outros escritores estreantes. O vocabulário do autor é culto, e é notável seu desejo em mostrar isso, diante da escolha das palavras. Não é um livro com uma linguagem muito simples, o que não é um defeito. Também não há erros de ortografia ou digitação salientes. Após o primeiro capítulo, a narrativa segue em clima ameno, equilibrado, bem desenvolvido e ágil o suficiente para não entediar o leitor.

Cultivados é uma alternativa nacional para os fãs de ficção-científica apocalíptica. É uma obra original, mesmo para o gênero, e mostra um potencial escritor para o estilo. Torna-se, ainda, uma leitura agradável e leve para os momentos onde se busca algo rápido, intrigante e criativo.

Cidade da Penumbra, de Lolita Pille
Postado por em 29 de junho de 2011
Cidade da Penumbra (Crépuscule Ville)
Lolita Pille

ISBN: 9788598078960
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2011
Páginas: 304
Classificação: 3/5
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Em Cidade da Penumbra, Lolita Pille conta a história de Syd, policial em uma cidade que há décadas não vê a luz do sol e é uma evolução ruim do nosso mundo de hoje. É uma ficção científica descaradamente baseada em 1984, do George Orwell, só que mais atual. Eu li algumas pessoas por aí dizendo que é a evolução provável do mundo de hoje, que estamos todos perdidos e blá, blá, blá, blá. Acho difícil. A tal cidade da penumbra, Clair-Monde, é um antro de tudo o que não presta: pedofilia, publicidade exagerada, prostituição, busca desenfreada pela perfeição estética, vigilância constante, drogas, drogas, drogas… Essas coisas. Sinceramente, o nosso mundo pode estar muito ruim, mas não imagino uma situação dessas, afinal, sou uma pessoa otimista. A tendência é melhorar.

Voltando… Nessa cidade o protagonista Syd é um policial do Sistema de Proteção contra Si Mesmo (SPSM) que, em tese, deve impedir as pessoas de cometer suicídio – o que é muito comum em Clair-Monde. Nós começamos a acompanhar sua história exatamente no ponto em que ele não consegue impedir o suicídio de um obeso, raridade no local. A partir daí, ele passa a percorrer a cidade em uma busca desenfreada por… bom, pra mim é aí que começa de verdade o problema do livro.

Cidade da Penumbra é um livro, no mínimo, complicado. Complicado porque, na minha humilde opinião, ele sai do nada pra chegar a lugar nenhum. Não me entendam mal, o livro tem um plano de fundo muito bom. Como eu já citei acima, é uma bela crítica à sociedade consumista atual e à ditadura da beleza. Mas tem muitas coisas no livro que não fazem sentido. Eu estou até agora me perguntando o que diabos o Syd estava investigando, pois simplesmente não fica claro. Ele fica o livro todo praticamente em claro buscando sabe-se Deus o que, e sabe-se Deus por qual motivo. Ok, eu entendi que ele está revoltado com o mundo “plástico” em que vive mas ele não quer derrubar o governo ou arregimentar a população para uma revolta. Ou melhor, eu acho que não, porque, definitivamente, não ficou claro.

No início achei que ele investigaria a morte do cara obeso. Depois achei que ele investigaria a vida do Shadow Smith – amigo antigo que ele não vê há anos. Depois achei que o verdadeiro objetivo fosse ele encontrar o amor nos braços de Blue. Depois… Deu pra entender a viagem, né?

A história é tão vaga que me restou apenas ficar revoltada com a descrição da sociedade. Há pontos chaves como a questão dos Labos, a venda de crianças e a confissão obrigatória, que são absolutamente chocantes. Os Labos são laboratórios de testes estéticos com cobaias humanas, quase sempre crianças que são vendidas pelas famílias em troca de grandes quantias em dinheiro. Lá eles testam todos os tipos de técnicas estéticas, criando seres humanos “perfeitos”, mas, como em toda pesquisa, algumas coisas podem dar errado e resultados terríveis são narrados no livro.

A confissão obrigatória é uma ferramenta de publicidade. Obriga as pessoas a se confessarem todos os dias por, no mínimo, onze minutos, de maneira que as grandes empresas ficam conhecendo todos os seus anseios, sendo mais fácil fazer uma publicidade direcionada. E tem também o rastreador, uma espécie de celular que serve como telefone, GPS, cupido, câmera, filmadora, mp3, computador e… ok, é quase um celular como os que temos hoje. Sinais do Apocalipse.

Enfim, quem gosta de Ficção Científica – e é mais inteligente que eu – provavelmente vai adorar o livro. Eu mesma gostei, mas acho que faltou enredo. É como um filme cheio de efeitos especiais maravilhosos, mas sem um roteiro consistente. Mas foi apenas a minha primeira leitura. Vai que, quando eu resolver lê-lo novamente, descubra a genialidade por trás da história de Lolita Pille.

Guerra dos Mundos
Postado por em 23 de março de 2011
Gostei de brincar com os clássicos, e como o cinema também gosta de fazer isso, na coluna de hoje trago mais um. A Guerra dos Mundos, do britânico Herbert George Wells foi publicado pela primeira vez em 1898 e narra uma invasão alienígena à Inglaterra sob o ponto de vista de um dos sobreviventes. Apesar de não ser um livro YA, vou pegar um gancho na coluna da Liz sobre ficção científica, mas, ao contrário dos livros que ela citou, aqui sim “eles são E.T.s”. Talvez tenha sido uma das histórias que ajudou a sedimentar, já naquele passado distante da época de sua publicação, a ideia de que ficção científica = E.T.s, apesar de isso não ser necessariamente verdade. 

240 páginas

Mas enfim, voltando aos E.T.s de H. G. Wells, o livro se passa na Inglaterra do final do século XIX, é narrado em primeira pessoa e já inicia contando como o homem, certo de sua superioridade a todas as raças, não desconfiava de que era observado por seres mais inteligentes do que ele, tal e qual observa os seres microscópicos que aqui existem. Em uma cidade dos arredores de Londres, o que se pensa ser a queda de um meteoro é na verdade a chegada de seres vindos de Marte. A princípio presos na cratera criada por sua queda, pensa-se que são seres inofensivos, e alguns curiosos tentam estabelecer contato, mas ao se aproximarem são todos mortos por um tipo de “raio da morte”, rápido e silenciosamente. Em seguida levantam-se em gigantescas máquinas biomecânicas assassinas – os tripods – e não só matam a todos os que estão em seu caminho como destroem as cidades, casas, igrejas, enquanto avançam para a capital. O narrador, personagem principal da história, observa tudo desde a abertura do primeiro cilindro até a devastação de toda a região. A história nada mais é que o relato de um sobrevivente, de como ele tenta manter-se vivo enquanto o mundo como ele conhece é destruído e está a ponto de perecer ante o ataque dessas criaturas. O narrador/protagonista não se identifica. Não sabemos muito sobre ele, não sabemos sequer seu nome. Sentimos apenas seu medo, observando ao longe o avanço alienígena sem saber o que fazer a não ser fugir ou se esconder.

A história foi adaptada mais de uma vez, mas a mais famosa e mais recente, foi lançada em 2005, com Tom Cruise e direção de Steven Spielberg. Sucesso de público e crítica foi uma das maiores bilheterias do ano de seu lançamento, além de ganhar algumas indicações ao Oscar. A direção do Spielberg dispensa comentários, bem como os incríveis efeitos especiais. Nessa adaptação, a história passa a ser ambientada nos Estados Unidos dos tempos atuais, e acompanhamos a invasão sob o ponto de vista de Ray Ferrier, um solitário divorciado que mesmo sendo um pai distante, deveria tomar conta de seus dois filhos por alguns dias e acaba às voltas com uma luta por sua sobrevivência e a deles.

116 minutos

No tocante à invasão em si, a história é basicamente a mesma. Apesar de não se mencionar expressamente que os seres são marcianos, a invasão transcorre – e termina – praticamente da mesma forma, com uma ou outra mudança que em nada atrapalha o desenvolvimento da história. Mas, o ambiente é outro e há todas as mudanças necessárias para transferir a história da Inglaterra do século XIX para os Estados Unidos atual. O protagonista também não é o mesmo. Apesar de o do livro tentar chegar onde está sua mulher, ele enfrenta tudo sozinho, enquanto o do filme tem dois filhos com que se preocupar, e não somente sua própria sobrevivência. O acréscimo de um garoto idealista que quer ajudar a destruir os invasores e de uma menininha histérica incrementa o elemento humano da história. Além, é claro, do fato de que com a história do filme sendo transferida ao tempo presente ao invés da época do original, nos relacionamos mais com o medo passado pelos personagens.

Fui atrás do livro logo depois de assistir ao filme pela primeira vez e confesso que esperava mais da ação que vi na tela. Não que ela não esteja presente no livro, está tudo lá, mas o ritmo é um pouco mais lento. É um livro para se ler aos poucos e não desesperadamente. O impacto de uma história assim não é tão grande como já foi, talvez por estarmos tão acostumados aos filmes com esse tema, invasões, atentados, tragédias, a humanidade correndo risco, mas na época de seu lançamento foi um livro que aterrorizou muitos dos leitores. Inclusive, no ano de 1938, o famoso cineasta Orson Welles leu uma adaptação desse livro durante uma transmissão de rádio e criou pânico geral entre os ouvintes, que acreditaram que se estava narrando uma verdadeira invasão alienígena. Orson Welles, na verdade, só ficou famoso após esse episódio. Há ainda a reflexão política do livro, que seria uma crítica à Inglaterra imperialista, que bem como os alienígenas da obra, sugavam os recursos dos lugares por eles invadidos, e àquela terra colonizada, impunha suas crenças e culturas, por acreditar serem os colonizados seres inferiores.

Talvez meu problema com o livro tenha sido seu protagonista e a calma angustiante como ele a princípio encara tudo. Em plena invasão extraterrestre, mesmo após ver seus vizinhos serem dizimados pelo raio da morte, ele vai para casa jantar com a mulher, tranquilamente, como se nada estivesse acontecendo. Só depois parece que ele percebe a gravidade da situação, e inicia sua fuga. Pelo menos no filme, Tom Cruise se tocou logo que quando se tem uma invasão alienígena a primeira coisa que se faz é fugir!! rs

Como eu disse, as diferenças entre o livro e sua adaptação são poucas, a maior parte delas em razão da mudança de ambiente, trocando-se carruagens por carros, barcos foram substituídos por balsas, casas são arruinadas por um gigantesco Boeing 747, e o homem que Ray encontra durante a sua fuga é uma junção de dois personagens que o protagonista do livro encontra em seu caminho. O livro também é rico no tocante a descrição dos marcianos, descrição essa que não corresponde à forma que eles ganharam no filme. Mas todo o restante está presente, culminando em um ótimo filme que faz jus à grandeza da obra em que foi baseado. E, entre uma ou outra mudança, permanece a mensagem de que se deve ter cuidado com a confiança do homem quanto ao seu domínio sobre o mundo, ou sobre outros homens…

A Hospedeira
Postado por em 12 de março de 2011
A Hospedeira (The Host)
Stephenie Meyer

ISBN: 9788598078595
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2009
Páginas: 560
Classificação: 5/5
Onde comprar:
SubmarinoSaraivaCultura

Resenha um pouquinho atrasada né?! =P Mas como aconteceu com a saga Crepúsculo, também demorei pra ler A Hospedeira e mesmo que a maioria das pessoas já tenha lido, resolvi colocar minha opinião por aqui! ;) A Terra foi tomada por alienígenas que já tinham dominado muitos mundos, sempre com a ideia de melhorá-los e torná-los mais pacíficos e belos. Pela visão de Peregrina, a princípio, era exatamente isso que eles estavam fazendo agora e essa era sua nona vida!

Essas “almas”, como eles se denominam, são agora inseridas em um humano, ou seja, o hospedeiro. O livro então nos conta a história de Peregrina, a alma e sua hospedeira, Melanie.

Mas Melanie é um dos poucos humanos restantes nessa nova civilização e já sabendo tudo o que a espera, é uma hospedeira rebelde. Dificultando Peregrina, mesmo muito experiente em “inserções”, a acessar suas lembranças, “falando” com ela quase o tempo todo e mostrando só aquilo que quer do passado. E vamos, junto com Peg, conhecendo essa história aos poucos.

Só que Melanie fica cada vez mais forte com o passar do tempo. (As discussões internas das duas são ótimas!) E todas essas memórias e sonhos de Melanie, fazem Peregrina acabar se apaixonando por Jared também. Mais um humano rebelde, que Melanie quer proteger a qualquer custo.

Com o relacionamento delas se fortalecendo, elas não se encaixam de verdade em nenhum dos dois mundos – o das almas ou o dos humanos. Uma vida difícil e confusa para as duas. Mas logo elas se unem por causa desse sentimento em comum por Jared e tentam viver o mais pacificamente possível dentro do mesmo corpo.

Mas diferente de todos os outros mundos onde ela viveu até agora, a Terra é muito mais intensa para Peg. Principalmente com relação aos sentimentos humanos. O amor, a raiva, a amizade, a tristeza… E ela ainda tem que conviver com os sentimentos de Mel dentro de sua cabeça, muitas vezes contrários aos seus.

Embora o nome do livro seja A Hospedeira, de alguma forma, pra mim, a Peg se tornou mais importante que a Mel. Mas todos os personagens são muito bons! Jed, com sua loucura, é ótimo; Jared é uma pessoa difícil, mas é fácil entender seus motivos; Doc, com sua compaixão…

No fim das contas, adorei os personagens. (Com exceção daquela Buscadora – sendo alma ou humana. Uhrg!!!) Mesmo os piores a princípio, se transformam de alguma forma no decorrer da história e passei a gostar deles. Mas meus preferidos são o Ian, totalmente apaixonante, e o Jamie, carinhoso e esperto!

Stephenie Meyer tem um jeito especial de escrever! Os livros dela são grandes, em algumas partes muito descritivos, mas são totalmente envolventes. E A Hospedeira não é diferente. Ele é instigante, com uma temática diferente e o romance é uma delícia e emocionante. É claro que eu chorei, ou senti vontade de chorar, em várias partes do livro!

Li em Stephenie Meyer – A biografia não-autorizada da criadora da saga Crepúsculo (de Marc Shapiro) que ela pretendia escrever a sequência dele… Espero que seja verdade! =)


Formada em literatura inglesa na Brigham Young University, Meyer ganhou status de celebridade com a repercussão da série Crepúsculo. Considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em edição especial da revista Time, a autora mora com o marido e três filhos em Glendale, no Arizona.
Destino: você decide o seu?
Postado por em 3 de março de 2011
Destino (Matched)
Ally Condie

ISBN: 9788560280810
Editora: Suma de Letras
Ano de publicação: 2011
Páginas: 240
Classificação: 4/5
Onde comprar:
SubmarinoSaraivaCultura

E se você não pudesse escolher o que comer, o que fazer, onde morar, a quem amar, quando morrer?

Cassia tem absoluta confiança nas escolhas que a Sociedade lhe reserva. Ter o futuro definido pelo sistema é um preço aparentemente pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável e pela escolha do companheiro perfeito para formar uma família. Como a maioria das meninas, aos 17 anos, ela já está pronta para conhecer seu Par. Após o anúncio oficial, a menina sente-se mais segura do que nunca. Romântica, sonhava há anos com o momento do Banquete do Par, a cerimônia em que a Sociedade aponta aos jovens com quem irão casar. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander – bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos -, tudo parece bom demais para ser verdade.

Ally Condie faz um trabalho magistral. Incita questionamentos básicos de relacionamento e vida em sociedade por meio de um triângulo amoroso leve e cativante. Isso torna Destino um livro de ficção científica um tanto incomum, longe da ação recorrente do gênero e mais focado no relacionamento entre os personagens. (Nada que vá deixar os aficcionados por ficcção científica de cabelo em pé, diga-se de passagem)

Em Destino, a sociedade utópica imaginada por Ally é chamada simplesmente de Sociedade. Nela, é a Sociedade quem decide o que você deve comer, qual será sua carreira, onde você deve morar, suas atividades de lazer, quem será seu par, e quando você deve morrer. Inebriados pela vida em uma sociedade aparentemente justa e tranquila, seus habitantes aceitam as imposições da Sociedade sem qualquer tipo de questionamento.

Aperfeiçoaram a arte de nos dar só a liberdade suficiente. Suficiente para que, quando estamos a ponto de morder, nos ofereçam um ossinho e então rolemos, de barriga para cima, à vontade e saciados, como um cão…

Cassia não é diferente dos seus concidadãos. Vive feliz e contente dentro das regras impostas. Até que algo acontece. Após ter seu melhor amigo escolhido como seu par perfeito, um defeito no microcartão onde estão armazenadas as informações do seu par mostra por um breve período de tempo a foto de um outro garoto. O nome dele é Ky Markham, um velho e enigmático conhecido. E é essa pequena falha o grande start para as transformações que irão acontecer na vida de Cassia. Os questionamentos começam a fluir e a vontade de fazer suas próprias escolhas floresce naturalmente.

Destino é uma Ficção Científica com FC maísculo. Além de questionar o valor das escolhas, Ally Condie mostra como a supressão da cultura pode levar ao esquecimento e à falta de questionamentos nos seres humanos. Mostra o valor da escrita e dos livros para a evolução da sociedade e como o conformismo leva as pessoas a aceitaram as mais esfareladas migalhas.

Cada palavra que eu escrevo me aproxima mais de encontrar as palavras certas. E quando eu o vir de novo, o que sei que vai acontecer, eu vou sussurrar as palavras que escrevi no seu ouvido, contra os seus lábios. E, de cinzas e nada, elas vão se transformar em carne e osso.

Lançado nos Estados Unidos em novembro de 2010, os direitos do livro já foram vendidos para mais de trinta países e a adaptação para o cinema será feita pela Disney em associação com a Offspring Entertainment, após uma acirrada disputa com a Paramount Pictures. No Brasil, Destino será publicado pela Suma de Letras, dia 04 de abril.

Destino: você decide o seu?


Ally Condie é ex-professora de Inglês do ensino médio. Abandonou a profissão para se tornar mãe em tempo integral e, a partir daí, começou a escrever por hobby. Antes de Destino, publicou cinco outros romances para jovens. Atualmente vive com o marido e seus três filhos nos subúrbios de Salt Lake City, Utah.
Te amarei para sempre, mulher do viajante no tempo
Postado por em 2 de março de 2011
Sou dessas pessoas que não consegue responder a simples questões como “Qual seu livro favorito?” ou “Qual seu filme preferido?”. Não consigo ter uma resposta direta, nem mesmo uma lista de 5 nomes. Minha resposta para ambas as perguntas é uma lista gigantesca. Sobre alguns deles eu já escrevi aqui, e entre os diversos nomes que estão entre os meus preferidos está o livro de estreia da americana Audrey Niffenegger, best-seller em vários países, A Mulher do Viajante no Tempo. Lançado originalmente em 2003, a história foi escrita como uma metáfora para o fim de um relacionamento da autora, mas depois tornou-se muito maior do que isso. 

496 páginas

Sendo preponderantemente um romance, também é considerado por alguns como ficção científica, o livro conta a história de Henry DeTamble e sua mulher Clare. Henry possui uma disfunção genética que o faz viajar involuntariamente no tempo. Sem nenhuma explicação ou aviso ele simplesmente desaparece, não levando com ele sequer suas roupas do corpo, e aparece em algum outro lugar, em algum outro tempo, devendo encontrar roupas, alimento, e esperar até que, da mesma forma que parou ali, volte para casa. Esses incontroláveis “pulos no tempo” tornaram Henry um homem extremamente solitário, que se permite apenas relacionamentos superficiais com aqueles que o rodeiam. Tudo isso até que ele conhece Clare. Quando se conhecem oficialmente (pela primeira vez para Henry) ele tem 28 anos e é bibliotecário; ela tem 20 e é estudante de arte. Ele nunca a viu antes, enquanto ela o conhece praticamente a vida toda. Ela já é apaixonada por ele. Ele imediatamente se encanta por ela.

Quando Clare conhece Henry ela é apenas uma menina de 6 anos e ele aparece perto de sua casa. Ela lhe dá comida, lhe empresta roupas e fica esperando ansiosamente suas próximas visitas. Enquanto criança ela o vê como o melhor amigo, mas conforme vai crescendo ele se torna uma grande paixão. Quando se encontram no presente, pela primeira vez na mesma época, o amor surgido entre os dois os faz querer ficar juntos e ter uma vida normal. Mas o quanto é normal um marido que involuntariamente desaparece por dias, e não se sabe onde nem em que época ele está e uma mulher que passa a vida esperando por ele? É exatamente esse o dilema do casal: apesar de toda a dificuldade trazida pela situação inusitada, a tentativa de construir uma vida juntos, com amigos, carreiras, filhos, família…

107 minutos

O filme estreou em 2009, com Rachel McAdams e Eric Bana, e no Brasil ganhou o título de Te Amarei Para Sempre. Apesar de algumas críticas negativas, foi um sucesso de bilheteria e retrata bem a história do livro. Claro, a história foi imensamente simplificada, mas ainda assim, o que é mostrado é bastante fiel e os pontos principais estão presentes. O livro é mais detalhista, explora mais os personagens e mais coisas acontecem. Mas o principal está presente no filme.

O livro é mais complexo, a começar pelo estilo de narrativa que não segue uma ordem cronológica determinada e alterna os pontos de vista dos protagonistas. O que poderia ser confuso acaba sendo um dos atrativos da leitura. Assim como nas viagens no tempo de Henry, as páginas seguintes são sempre imprevisíveis, não sabemos quem irá narrá-las, qual fato será contado, se será do passado, presente ou do futuro. Tudo isso nos prende de tal forma que é impossível parar de ler. E é tudo muito bem explicado, a cada cena sabemos de quem é o ponto de vista, a data e qual a idade de cada um deles.

No filme a cronologia é mais linear, apesar de mostrar as viagens no tempo de Henry, a história segue uma linha do tempo mais fixa, o que foi uma das simplificações na história. Não há o vai e volta presente na obra escrita. Outro ponto simplificado foram os personagens secundários, como o pai de Henry, cuja história foi mostrada no filme apenas de passagem, e o Gomez, o amigo do casal, que no livro é completamente apaixonado por Clare e faz diversas coisas para ficar com ela enquanto no filme é o fiel amigo do Henry.

Apesar de o filme tornar a história simples, gostei dele, mas não sei se quem não leu o livro vai gostar da adaptação. Como fã do livro vi os pontos positivos do filme, me empolguei com cada cena que retratou exatamente o que li, e por nada fundamental ter sido modificado. Entretanto, pode ser que os que não leram o livro não encontrem os atrativos que achei, ou até achem a história confusa. Mesmo assim, os fãs de romance deveriam assistir ao filme e tirar suas próprias conclusões, mas mais ainda, deveriam ler ao livro, esse sim, emocionante e perfeito.

FVB – Feios Vorazes Brasil?
Postado por em 24 de fevereiro de 2011
A proximidade do início do ano agora não é mais sinônimo de Carnaval. Ou melhor, não é sinonimo de Carnaval. É nessa época, também, que tem início um dos programas mais aguardados por grande parte da população brasileira: Big Brother Brasil, o BBB.
416 páginas

Fugindo um pouco mais do tema que permeia esta coluna – mas ainda embasando meu ponto inicial -, há tempos me entusiasmo por ler 1984, de George Orwell, apesar de ainda não ter tido oportunidade de fazê-lo. Acontece que em 1984 (o livro, não o ano) existe um ditador chamado de Big Brother – de onde se originou, sim, o nome do programa – cujo “lema”, se é que posso chamá-lo assim, diz que o “O Big Brother está te observando”. E quem nunca ouviu o Bial dizendo que vai ficar espiando? Tudo a mesma coisa.

Mas, de volta ao que nos une aqui todas as quintas-feiras, parece que temas que – de alguma forma se relacionam a isso – têm me perseguido nos últimos YA Books pelos quais me entusiasmei. Começando por Feios (quando, também, me apaixonei perdidamente pela história). Em Feios, as pessoas não só estão sob constante vigilância, como também são submetidos à uma espécia de lavagem cerebral.
400 páginas

Já em Jogos Vorazes, minha nova leitura preferida, a semelhança com o que assistimos é, de certa forma, ainda maior. No livro, 24 escolhidos, de diferentes Distritos, são colocados em uma arena e o último que sobreviver será considerado o vencedor e isso quer dizer um matar o outro, sim. Enquanto isso, o resto do País pára para assistir à carnificina televisionada.

Qualquer pessoa que, por algum motivo, preste um pouco de atenção nas polêmicas diárias da internet pode lembrar de um anúncio feito pelo diretor do BBB, pouco antes do início desta  edição que ainda está em andamento, dizendo que agressões físicas seriam liberadas. No fim, a história foi desmentida, mas seria provável que se desse início ao JVBJogos Vorazes Brasil.
A brutalidade psicológica de Jogos Vorazes – estar em um lugar, tendo que ver todas as outras pessoas morrerem, além de lidar com seus próprios ferimentos e mais problemas pela frente – e a física, das milhares de operações dos Feios em busca da perfeição, não são assim tão diferentes do que nós (ou aqueles que acompanham o programa) assistimos.
Podem não existir mortes, mas existem brigas, ofensas e pressões psicológicas fortíssimas. Podem não haver mudanças físicas. Enquanto estão dentro do programa! Mas quantos são os participantes que, depois de eliminados, correm atrás de mil e um métodos de “beleza” para continuarem na mídia?
Circulam na internet dezenas de e-mails com mensagens pró e contra o BBB e, “toda diversão” à parte, todo o conceito do programa é tão degradante quanto aqueles que se matam em uma arena, ou que deixam para trás tudo que são, para ser igual à todos os outros.
Quem quer ser especial?
Postado por em 25 de novembro de 2010
Perfeitos (Pretties)
Scott Westerfeld

ISBN: 9788501083715
Editora: Galera
Ano de publicação: 2010
Páginas: 400
Classificação: 4/5
Onde comprar:
SubmarinoSaraivaCultura

Viu como o tempo passa rápido. Reclamei em maio, na minha resenha de Feios, que “o pior é ter que esperar a continuação do livro”. Pois aqui está ela. E nem doeu tanto esperar.

E quem leu a minha resenha, sabe que eu me empolguei bastante com Feios. Não por ter uma trama fantástica, mas sim pelos valores incutidos nela. Scott Westerfeld levanta uma discussão muito atual e faz da série um ótimo ponto de reflexão para os jovens leitores – não só para os jovens, mas principalmente.

Digo a série, pois Perfeitos segue o mesmo caminho. E este segundo livro é ainda mais “filosófico” – se é que posso dizer assim – do que o primeiro. Se em Feios a trama é permeada principalmente pela busca da beleza ideal e da degradação da natureza, em Perfeitos a massificação intelectual e a relação de divindade são temas interessantíssimos.

Borbulhante é o grande termo do livro. Juro que eu ia tentar explicar aqui o significado de ser, ou estar, borbulhante, mas percebi que essa é uma das grandes sacadas do livro, e que talvez seja mais interessante a percepção que vocês terão durante a leitura.

Mas apesar de tudo, – e de eu perceber que essa resenha está deixando o livro menos divertido do que ele é :P – o grande momento do livro, na minha opinião, é a conversa de Tally com um aldeão sobre Deuses e o “fim do mundo”. Não o fim do mundo como fim da existência deste, mas sim um mundo com limites físicos – bem como quando se acreditava que os navios cairiam da borda da Terra ao atingir o horizonte.

Tally se lembrou de um mapa antigo pendurado numa parede da bilbioteca de sua escola, com a indicação “Aqui há dragões” em todos os espaços vazios. Talvez aquele fim do mundo não passasse do limite do mapa mental de um aldeão. Além do desejo cego de vingança, talvez eles simplesmente não conseguissem ver adiante.

Enfim, recomendo demais a série. Ouvi muito dizerem que o autor não explora, ou não deixa claro, como esse “novo mundo” realmente funciona. Mas na minha opinião, isso pouco importa. O mais importante são as questões que induzem o leitor à reflexão.

P.S.: Em vista dos comentários, vou tentar explicar melhor a minha visão nessa resenha: a análise da trama, pra mim, é pouco importante. Não acho que seja um super-livro-emocionante. O que me fez partir para uma abordagem da mensagem passada pelo livro foi pensar no público-alvo do livro. Não é um livro que pegue pesado em questões filosóficas, teológicas, entre outros, mas que leva essas questões para serem discutidas num texto leve, fácil e compreensível para quem não costuma lidar com esse tipo de questionamento.


Nascido no Texas, Scott Westerfeld é autor de diversos romances aclamados para adultos e jovens, entre eles Tão Ontem, Os Primeiros Dias, e a série Feios, best seller do New York Times. É também designer e atualmente vive entre Sydney, na Austrália, e Nova York.

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