Clássicos
O Povo da Montanha, entre o Monastério e a Modernidade
Postado por em 23 de agosto de 2011
Sete Anos no Tibet (Sieben Jahre in Tibet)
Heinrich Harrer

ISBN: 9788525407665
Editora: L&PM
Ano de publicação: 1997
Páginas: 380
Onde comprar:
SaraivaSubmarino | Cultura

Este é um relato de um montanhista e aventureiro austríaco chamado Heinrich Harrer, que durante uma expedição é preso na Índia durante a Segunda Guerra mundial. A história realmente começa quando ele tentar fugir seguindo uma rota pelo território inexplorado do Tibet. O livro Sieben Jahre in Tibet (Sete Anos no Tibet) foi escrito na década de 50 e se tornou um dos poucos relatos que se tem notícia de europeus da região do Tibet. Nas edições mais modernas ele conta com um prefácio do próprio Dalai Lama, que Harrer e seu companheiro Aufschnaiter tiveram contato direto, ao alcançar os domínios mais internos desse País.

Esse livro virou filme em 1997 estrelado por Brad Pitt, de onde o nome é mais conhecido.

Quando estava pensando no próximo livro para esta coluna o acaso me levou pra essa escolha. Poucas vezes pensamos no tema de “aventura” como o celeiro de livros clássicos, muito menos o gênero de não ficção. Mas dentro da minha velha mochila de caminhadas, encontrei um dos livros que me ajudaram a observar e conviver com o mundo de outra forma. É um relato real, mas tão assombroso que parece não ser, sobre um lugar verdadeiro, mas tão maravilhoso e mágico que parece sair das asas de um conto de fantasia.

Este livro me acompanhou por muito tempo em minhas jornadas, até mesmo em uma quase que seriamente mal sucedida, às serras que circundam essa cidade. Espero que passe a ser parte de seus pertences de primeira ordem, caso o dêem uma chance. Mesmo que não seja fisicamente, eu garanto que suas imagens extraordinárias, sua cultura inebriante e sua filosofia penetrante vão seguir, quem se permitir, por mais tempo do que se poderia a princípio acreditar.

Das grades da guerra à liberdade das montanhas, passando pelas verdadeiras estradas que possuem tanto místico como o real, chegando a um reino novo e inimaginável. Essa história conta a saga de, principalmente, dois montanhistas que são presos china e tentam fugir para o exótico território do Tibet. Fechado aos olhos do ocidente até a segunda metade do século passado, justamente um pouco antes de se abrir às vistas do mundo, é onde esses europeus acidentalmente se encontram. A partir daí, o leitor se vê deliciado com as narrativas sobre um povo meio nômade, vivendo em um território gelado, tendo que lutar com o frio, a fome, a falta de recursos modernos e uma vasta imensidão de nada.

Bandidos tomam o que querem de qualquer lugar, as pessoas tentam se agrupar mas raramente isso é um sinônimo de muitas melhorias. Harrer e Alfshineider se deparam com costumes impressionantes, e uma hospitalidade de onde menos se poderia esperar. À medida que se adentra nesse território desconhecido, mais e mais do povo tibetano se descobre, e mais e mais apaixonado se fica por suas paragens sem par e caminhos desconcertantes.

Porém o Tibet não é a única atração do livro. Pelo contrário, umas das coisas que mais me interessaram foi justamente a maneira que os aventureiros lidam com tudo isso, como que tiveram que se adaptar as mais diversas situações, e aprender e absorver os modos daqueles que os cercavam. Tudo era diferente, a língua, a maneira de se portar, a forma do governo se organizar, as paisagens naturais, montanhas e neve, muita neve e gelo. Existe mais um elemento que ainda não falei, mas que deixa o povo tibetano com um caráter ainda mais curioso e, atrevo-me a dizer, o que representa o seu símbolo e maior definição: a religião.

A religião é um elemento essencial na vida das pessoas. Regia o governo, os costumes e o comércio. O budismo era parte do cotidiano de todos e os monges representavam cerca de um quarto da população. Monastérios espalhavam-se pelos picos gelados, seus telhados curvos se cobriam de neve e sua presença acolhia todos os que se encontravam em seus domínios. Talvez até, sua relutância em permitir estrangeiros neles.

Os mistérios não acabam, Lhasa, a cidade proibida do povo tibetano é o destino final desses montanhistas. No coração desse reino perdido essa cidade de costumes budistas era repleta de monastérios, carente de modernidade, mas possuindo um instigante desejo de conhecer o mundo, especialmente pelos olhos de um certo Dalai Lama, que aceitou os ensinamentos de Harrer, ao mesmo tempo em que ensinava a ele ver o mundo pelos olhares do fadado povo tibetano.

Dalai Lama e Heinrich Harrer

Tão rico e cheio de encantos tem esse livro, que pouco mais se precisa alongar sobre ele. Espero que fique marcado no seu coração, da mesma forma que suas cores, sua aventura, sua exoticidade ficaram marcadas no meu.

Estamos falando da maior e mais incrível história de aventura jamais escrita. (…) fugas de prisões militares, escaladas de montanhas sobre as piores condições, perigos constantes, (…) e a descoberta de um povo extraordinário.

Santha Rama Rau, “The New York Times Book Review”

Romeu e Julieta
Postado por em 16 de março de 2011
Willian Shakespeare é um dos escritores mais conhecidos de todos os tempos. Até quem nunca leu sequer uma de suas obras o conhece, sabe do que se trata seu trabalho. Entre todos eles, talvez o mais conhecido seja a história de Romeu e Julieta, baseada em um antigo conto italiano, e conta o amor proibido entre os filhos de duas famílias inimigas. 

112 páginas

A história é conhecida: na cidade de Verona, Romeu Montecchio estava desiludido, sofrendo por uma paixão não correspondida. Junto com seu primo e um amigo, entra escondido em uma festa oferecida pelos Capuleto, inimigos mortais de sua família, e se apaixona à primeira vista por uma garota, a mais linda da festa. A tal garota, depois ele vem a descobrir, é Julieta, a mais nova do clã dos Capuleto. Ela, apesar de estar prometida em casamento a Páris, também se encanta por Romeu. Em uma das cenas mais conhecidas, ele escala o balcão que leva ao quarto de Julieta, ouve ela se declarar e eles juram amor eterno. Em seguida, com a ajuda da ama de Julieta e de Frei Lourenço, se casam às escondidas e planejam uma fuga. A partir de então uma série de desencontros e mal entendidos os afasta e em um plano mirabolante Julieta finge estar morta para finalmente fugir e ficar com seu Romeu. Mas ninguém avisa a Romeu que a morte de sua amada não passa de fingimento…

Há muitas adaptações da história para o cinema e entre as mais famosas está a versão de 1968, a mais fiel e a que mais se aproxima do clima renascentista da história original. Mais recentemente – mas já não tão recente assim – em 1996, foi feita a versão mais badalada, que ganhou o título Romeu + Julieta, com Leonardo DiCaprio, Claire Danes e direção de Baz Luhrmann (que ficou conhecido posteriormente por dirigir Moulin Rouge). Foi indicado ao Oscar de 1997 na categoria Melhor Direção de Arte, ganhou diversos outros prêmios e foi sucesso de bilheteria e de crítica. Outro ponto alto do filme é sua trilha sonora.

120 minutos

A história dessa versão é contemporânea, o cenário passa a ser a fictícia Verona Beach, tem mais ação e violência que o original, com os duelos de espadas sendo substituídos por pistolas. Por outro lado, apesar de ser uma versão moderna do clássico, os diálogos permaneceram os mesmos, com o ar poético que Shakespeare criou, o que foi extremamente criticado por alguns e exultado por outros. Eu me lembro de quando assisti pela primeira vez ao filme, há tantos anos, e o quanto gostei. Confesso que já assisti mais algumas vezes desde então. Apesar de conhecer a história, ainda não tinha lido o livro e acho que a melhor coisa do filme foi despertar o interesse de ler a obra escrita. É um bom filme, dinâmico, e sempre fico encantada quando vejo a cena em que os protagonistas se conhecem e ficam se olhando através do aquário. Leonardo DiCaprio ganhou alguns prêmios e foi elogiado por sua atuação, isso antes de sua consagração por Titanic, mas não tanto como sua parceira Claire Danes, ainda muito inexperiente na época, que foi imensamente elogiada pela crítica por sua interpretação da Julieta.

Além das adaptações que mencionei, há também diversos filmes, livros, peças de teatro, obras de arte e músicas que utilizaram a premissa do amor proibido pela rixa entre duas famílias como pano de fundo, em referência clara a Romeu e Julieta. Na verdade, esse tema se tornou bastante recorrente principalmente no cinema e na literatura.

Curiosamente, há historiadores que insistem que Romeu e Julieta realmente existiram, mas isso nunca foi comprovado. Ainda assim, a cidade de Verona, na Itália, recebe milhares de visitantes todos os anos, visitantes estes que procuram, principalmente, a “Casa de Julieta”, construída no século XVIII e que em seu interior possui diversas referências a Shakespeare e ao casal de apaixonados. Há quem jure que visitar tal casa e tocar a estátua de Julieta que lá existe confere ao visitante sorte no amor.

Como todo clássico, é uma história que foi destrinchada por pesquisadores e estudiosos, teses foram criadas, perfis psicológicos dos personagens foram traçados, discute-se o que ocorreria aos personagens se o final fosse diferente, se a paixão de Romeu por Julieta também acabaria como acabou a que ele sentiu por Rosalina. Há quem diga que Romeu é um personagem impulsivo e muito volúvel. Não sei, e nem vou entrar nesse mérito. O que sei é que é uma das maiores histórias de amor de todos os tempos, com lindos diálogos em seu texto original, apesar do final trágico. Afinal:

“(…) jamais história alguma houve mais dolorosa / Do que a de Julieta e a do seu Romeu.”

Um Conto de Natal
Postado por em 23 de dezembro de 2010
É semana de natal e, como não poderia deixar de ser, a coluna é especial e o tem como tema. Existem as mais diversas histórias que envolvem o natal, seja na literatura, seja no cinema. Entre os mais famosos contos de natal está o clássico da literatura inglesa escrito por Charles Dickens em 1843. No original, A Christmas Carol conta a história de Ebenezer Scrooge, um velho ranzinza, sovina, ressentido e solitário, que abomina o natal e não demonstra qualquer resquício de compaixão a ninguém, muito menos seu pobre empregado ou seu sobrinho. Certo natal, porém, ele é visitado pelo fantasma de seu antigo sócio, morto há alguns anos, que lhe comunica que ele receberá a visita de outros 3 fantasmas: o fantasma dos natais passados, o fantasma do natal presente e o fantasma dos natais futuros, que lhe mostrarão as origens de seu ressentimento e a consequência de guardar tanto rancor. 

146 páginas

A cada visita, os ditos fantasmas levam Scrooge em viagens no tempo, mostram a ele cenas que o entristecem, o fazem pensar e abrem seus olhos. Como muitos dos contos de Dickens, foi lançado em capítulos e posteriormente compilado em um volume único. Hoje, é considerado um dos maiores clássicos natalinos.

É uma história que já foi adaptada inúmeras vezes no passar dos anos, seja para o cinema, televisão ou teatro, mas confesso que quando a ouço, a adaptação que me vem à cabeça é a lançada nos anos 80 em forma de desenho animado feito pela Disney em que o velho avarento era o Tio Patinhas e Mickey seu empregado. O personagem Tio Patinhas (originalmente, Uncle Scrooge), inclusive, foi criado tendo como base o personagem de Dickens. Porém, não é sobre essa que quero comentar e sim sobre a adaptação mais recente.

Lançada em 2009, em forma de animação 3D, essa adaptação cinematográfica ganhou no Brasil o nome de Os Fantasmas de Scrooge. No papel principal (e como todos os fantasmas), interpretação e dublagem de Jim Carrey, além de Colin Firth, Gary Oldman, entre outros.

97 minutos

A adaptação é perfeita e a história se passa até mesmo na mesma época da original, a Londres do século XIX. Todos os fantasmas têm as mesmas características de como descritos no livro, como por exemplo Marley, o velho sócio de Scrooge, seus óculos na testa e as correntes que carrega, o fantasma dos natais passados e sua cabeça de chama trepidante, o gigante fantasma do natal presente e sua coroa de azevinho e o sombrio fantasma dos natais futuros. São pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

Gosto muito de animações, e sempre fico impressionada com a riqueza de detalhes, a perfeição que cada vez mais encontramos em filmes assim. Sou entusiasta da tecnologia que permite criar personagens tão perfeitos, quase como se fossem os atores de verdade. Claro, isso se deve à técnica de captura de movimentos, a mesma usada para os filmes O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf, ambos do mesmo diretor.

Como o tema é fantasioso, na maioria das vezes a história é adaptada para crianças, em forma de desenhos e animações – não sei se é o caso dessa última adaptação, apesar de ser uma animação – mas as lições que Dickens tentou passar, nos idos do século XIX são atemporais e não têm idade.

Um Feliz Natal a todos!

Os Filhos do Capitão Grant
Postado por em 16 de dezembro de 2010
Os Filhos do Capitão Grant (Les Enfants du Capitaine Grant)
Júlio Verne

ISBN: 9788533901001
Editora: Rideel
Ano de publicação: 2001
Páginas: 48
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Algumas vezes algumas histórias nos fazem chorar, outras por outro lado nos fazem rir. Enquanto outras tão tristes, mas talvez sem esse tristeza imediata que nos faz molhar os olhos nos faz mergulhar em um sentimento profundo e serene porém doloroso. E um sentimento extremamente triste, que parece buscar e se alimentar de toda a alegria que existem em nosso coração; para esses sentimentos (que parecem abundar nas histórias dickenianas, que ainda não li), não existe muita solução,mas talvez uma, uma sim que justamente essa história de alegria quase infantil parece mostrar. Que parece ser exatamente o oposto da última, e que enche os nosso corações de uma certa alegria, pois nos trás sentimentos felizes, e que são muitas vezes esquecidos.

Isso porquê, talvez os autores de livros grossos e pesados gostem de criar um mundo de tristeza e ódio, de guerras infinitas e de pessoas sempre sem coração. Mas talvez, se você olhar bem, esses personagens e histórias não são mais reais do que os das história de altruísmo, não são menos reais do que das história de bondade, não são menos reais, do que o amor que, junto com o ódio, sai todos os dias do interior de cada pessoa. Caso você olhe o seu dia a dia, a sua história, verá que na verdade, para praticamente cada momento ruim, cada sentimento de intolerância ou desalma no coração, existe outro de exatamente o contrário.

Quantas vezes passamos por um “Bom dia!” sem nem perceber? Quantas vezes alguém nos presta uma favor sem ao menos nos darmos conta? Na verdade acho que ficamos com as memórias que filtramos em nossas mentes, mas, se buscarmos justamente o contrário … Se buscarmos justamente o contrário da insistência do homem para fazer a maldade, veremos que no dentro dessa mesma pessoa existe uma outra coisa, uma bondade, que muita vezes não passa revelada, mas ainda, existente …

Mas talvez você me pergunte… O que isso tem haver com o livro que eu estou proposto a falar?

Bem, Os filhos do Capitão Grant é uma trama que na verdade traz esses sentimentos à tona. Se passarmos as diferenças de linguagens e costumes um pouco para o lado, e nos entregamos aquilo que no homem sempre continua, não importa o lugar ou o tempo, veremos que essa história na verdade fala sobre o coração. Sobre felicidade obtida a troco de honra e altruísmo, de coragem obtida tendo em base contínuos esforços de incentivos por outros e na verdade carinho e zelo criado somente por estar junto. Acredito que sobre isso é essa obra, que é certamente uma das minhas preferidas de todas as histórias que já li, sobre justamente esses assuntos que eu toquei no inicio dessas crítica, e por isso, fiz questão de ficar um tempo falando sobre esses. Porque acredito, seria necessário você entender o que justamente, acho tão importante, tão mágico e tão verdadeiro nessa obra. Que talvez, por olhos incauto, poderia ter sido passada de lado, após algumas poucas foliadas.

Devo confessar, que foi um verdadeiro prazer rele-la para poder fazer essa resenha aqui hoje. E como sempre o espírito de Verne estava muito forte nessa história, alegre, inventivo, e sem duvida … Mágica.

Numa viagem de passeio, a bordo do majestoso “Duncan”, (Alguém se lembra do “Duncan Macloud”?) tripulado pelas grandes pessoas que habitavam as highlands do nosso caro herói “Wilham Wallace”; Uma pessoa decide fazer uma pesca de tubarões, (que naquela época não passavam de ‘bestas abomináveis que não devia-se perder tempo em extingui-las) … Quando que, ao analisar o interior desta ‘besta’, descobre-se uma carta …Enrugada, amassada, quase ilegível, mas, uma carta!

Não, não uma carta de romance de dois amantes apaixonados, mas, uma carta de socorro, de desespero ! Pede-se ajuda às ondas do mar, que deviam levá-la a mãos responsáveis no intuito de trazer ajuda a pessoas perdidas no mar… Como tantas outras que a história nos diz que náufragos desesperados deixavam ao encanto das ondas …

Porém, algo sobre essas pessoas interessava especialmente à Glanavam, que como Lord escocês, tinha especial interesse nos seus conterrâneos. O personagem, nessa história que cita tantas pessoas e lugares não fictícios, era o, fictício, herói da navegação escocesa … O Capitão Grant! Este havia tentado um processo de colonização em outras terras além mar, e malsucedido o intento, havia ficado à mercê da sorte e preso num aparentemente continente, muito longe da terra natal.

A coragem e o senso de justiça do “Lorde”, não pode fazer esperar junto a lenta vontade inglesa e logo partiu em uma odisséia em busca desse honorável capitão; levando em consideração não apenas o seu senso de nacionalidade, mas talvez … Não! Acredito que principalmente, seu zelo por dois jovens que ficando particularmente interessados na noticia do sumido, haviam aparecido as portas do castelo de Glanavam. Estes, que o casal Eduardo (Glanavam) e Helena adotam no coração, nada mais são que os Filhos do Capitão Grant!

Este livro é para navegar por dentre mares, adentrar em matas e sintir correr o sangue no corpo. Enquanto segue a empreitada desses alegres jovem, pelo mundo afora. Em busca dos territórios perdidos, onde o dito Capitão, poderia ter encalhado a sua própria Odisséia.

Apesar de ser uma história antiga, e que, algumas vezes tem que se ter calma para poder avançar, a principal trama é magnífica, vale a pena deixar os olhos repousar, sobre exemplo tão altruísta de devoção a duas crianças e um pai.

O livro foi base de uma adaptação da Disney em 1964, chamado As Grandes Aventuras Do Capitão Grant. Ainda não vi, mas parece ser bem bonito. Embora seja obviamente, um filme de 1964.
O Morro dos Ventos Uivantes
Postado por em 16 de novembro de 2010
O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights)
Emily Brontë

ISBN: 9788563066022
Editora: Lua de Papel
Ano de publicação: 2009
Páginas: 200
Classificação: 3/5
Onde comprar:
SubmarinoSaraivaCultura

Há algum tempo eu estou querendo ler alguns clássicos do romance, como Jane Austen e as irmãs Brontë. Confesso que por causa de Crepúsculo e da fascinação de Bela e Edward, acabei começando com O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë.

Depois de ler o livro foi fácil entender Bela e sua paixão pelos personagens. Eles amam loucamente, um amor completamente obsessivo e destrutivo. Cá pra nós, Catherine e Heathcliff ganham de 10 a 0 de Bela e Edward quando o assunto é esse.

O livro mostra perfeitamente como pessoas egoístas e vingativas podem destruir a si mesmas e aos que estiverem ao seu redor por causa de um amor juvenil e doentio.

Os personagens são as pessoas mais cheias de defeitos possíveis e foi difícil sentir compaixão por eles. Exceto talvez por um ou outro coadjuvante em alguma parte em particular, mas nem eles me cativaram de verdade.

Só ganhou 3 estrelinhas porque, apesar de tudo, o final deixou alguma esperança. Mas valeu a leitura!

Agora só espero que os livros de Jane Austen me agradem mais!


Emily Jane Brontë nasceu em 30 de julho de 1818, en Thorton, na região de Yorkshire, que tão bem descreve em sua obra. Uma des três irmãs Brontë que encantaram os leitores ingleses na metade do século XIX, Emily escreveu poemas sob o pseudônimo de Ellis Bell, uma vez que acreditava que uma mulher não receberia a mesma atenção que um homem escritor.

O Morro dos Ventos Uivantes é seu único romance, lançado em 1847 e logo depois considerado uma das grandes obras da língua inglesa. A autora não viveu para usufruir do sucesso, morrendo de tuberculose um ano depois de sua publicação, com apenas trinta anos de idade.

A idade da razão (se é que ela existe)
Postado por em 21 de maio de 2010
Um professor de filosofia, sem dinheiro, em conflito com suas crenças, na Paris de 1930. Bem poderia ser o próprio escritor – ninguém menos que o famoso Sartre. Escrito após a Segunda Guerra Mundial, é o primeiro volume da trilogia Os caminhos da liberdade, que trazem em forma de romance o Existencialismo pregado pelo mestre francês. 


Passado em três dias, a ação transcorre em torno da gravidez de Marcelle, namorada (por assim dizer) de Mathieu, o professor em questão. Outros personagens – igualmente complexos – nos são apresentados no decorrer da trama, e os que eu, mais particularmente, gostei, são Daniel, um homossexual em absoluto conflito por sua preferência, e Ivich, uma estudante russa dividida entre sua impetuosidade e a dependência econômica de seus pais, que caso ela não passe nos exames, a querem no interior e não em Paris, centro cultural da juventude.

Visto como o início de um enganjamento de Sartre, o livro é bastante interessante se complementado – ainda que por resenhas ou resumos da internet! – tanto sobre a corrente filosófica ao qual se vincula, quanto à vida do autor. Eu iria mais além e me focaria principalmente no relacionamento dele com Simone de Beauvoir – ajuda bastante a compreender a relação de Mathieu e Marcelle.


Jean-Paul Charles Aymard Sartre (Paris, 21 de junho de 1905 – Paris, 15 de abril de 1980) foi um filósofo francês, escritor e crítico, conhecido representante do existencialismo. Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade. Era um artista militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra.

Repeliu as distinções e as funções oficiais e, por estes motivos, se recusou a receber o Nobel de Literatura de 1964. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência, pois o homem primeiro existe, depois se define, enquanto todas as outras coisas são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma “essência” posterior à existência.


Alice e seus vários ângulos
Postado por em 23 de abril de 2010
Para início de conversa, tenho que dizer que sou fã de Tim Burton. Sou fã também de Johnny Depp. Quando os dois estão juntos então… nem precisa me dizer qual é o filme. Com certeza vou contar os dias para a estréia. Mas quando soube que a dupla (o trio, na verdade. Helena Bonham Carter também é fabulosa) filmaria Alice no País das Maravihas (Alice in Wonderland) fiquei realmente animado.

 

Confesso não me lembrar se já havia lido Alice no País das Maravilhas, mas conhecia o simbolismo da história e tinha noção de quanto ela tinha a cara de Tim Burton. Apesar de ter lido algumas críticas negativas à adaptação criada por Burton – principalmente dizendo que ele teria criado um thriller de pura ação, deixando a criatividade excêntrica de lado – gostei muito do filme.

 

Tim Burton usa elementos dos dois livros escritos por Lewis Carroll (Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho e o que ela encontrou por lá ou Alice no País do Espelho). A Rainha Vermelha (um dos melhores personagens do filme), por exemplo, é uma junção da Rainha de Copas (país das maravilhas) com a Rainha Vermelha (país do espelho), mas isso pouco importa, são mudanças estruturais que não refletem no conteúdo. O livro é muito mais? Com certeza, mas Burton optou por dar prioridade à fuga da realidade que é a criação de Alice. No caso do filme, é uma jornada que a ajuda a encontrar respostas para sua vida real. De qualquer forma, vale o ingresso.

 

Antes de ver o filme resolvi ler os dois livros. Optei pela recém lançada versão de bolso da editora Zahar. Nesse caso, compreendo perfeitamente a opção de Tim Burton, afinal, o que é Alice no País das Maravilhas? O livro é complexo. Nada tem de livro infantil. Acho pouco provável ver a garotada interessada nele. É preciso ler mais do que as entrelinhas. É um livro impossível de compreender completamente na primeira leitura. As referências criadas por Charles Dodgson (Lewis Carroll é um pseudônimo) são numerosíssimas e nem sempre fáceis de compreender. 

Isso sem contar o fato de Dodgson ter escrito Alice tendo como musa inspiradora a pequena Alice Liddell, filha do reverendo Henry Liddell, um dos decanos da Universidade de Oxford e amigo do autor. Conhecendo mehor os gostos de Charles Dodgson, essa torna-se uma referência importante.

É preciso ler, pesquisar referências, reler. É um exercício e tanto para quem quiser compreender tudo.

De qualquer forma, acho que o filme não poderia ser diferente, afinal de contas, a imagem que muitos fazem da história de Lewis Carroll é aquela criada pela animação da Disney, ou seja, uma história infantil. Isso eu comprovei hoje, na quantidade de crianças que vi no cinema.

Tudo tem uma moral: é só encontrá-la.

Lewis Carroll
Bem vindo ao Admirável Mundo Novo
Postado por em 13 de abril de 2010
Esta resenha foi escrita por mim – óbvio – há algum tempo. Uns dois anos, eu acho. Ficou meio enorme grande porque foi um livro com o qual me identifiquei bastante e na época eu não a escrevi para publicar neste blog – óbvio novamente. Mas como fiquei com preguiça pena de editá-la, segue aqui o conteúdo integral. 

Escrito por Aldous Huxley em 1932 , Admirável Mundo Novo projeta um tipo de sociedade àquela época virtual, onde o domínio quase integral das técnicas e do saber científico produz uma sociedade totalitária e desumanizada.

Imaginemos uma sociedade onde desde o berço, os homens são condicionados a obedecer certos padrões, fazendo as pessoas amarem o seu destino social e dele não poderem escapar. Uma sociedade onde família, sentimento, espiritualidade, velhice tornam-se valores ultrapassados; a reprodução da espécie se dá em laboratórios e a palavra “mãe” torna-se obscena; os seres são classificados em castas pré-organizadas, onde cada casta tem sua função específica e única; a liberdade inexiste, todas as atividades desenvolvidas foram pré-condicionadas; preserva-se o corpo de tal maneira que aos sessenta anos todos ainda têm uma aparência jovial; a felicidade se dá à base de sedativos, pois em qualquer momento de distração todos se sentem desviantes da norma e se entregam ao “Soma”; e o consumo sem limite, constituíam o modelo ideal de organização humana.
Nessa sociedade, deparamo-nos com uma atitude onde o trabalho deixa de ser uma atividade cansativa e chata. Os indivíduos sentem-se felizes e satisfeitos com suas funções, pois devido aos condicionamentos sofridos, no seu ambiente de trabalho as pessoas sentem-se extremamente bem. Com isso não há pretensão de crescimento individual, promoções e muito menos greve. Velhos tabus, aparentemente inabaláveis, são desconhecidos por todos. Pai, mãe, casamento, Deus, tudo é desconhecido neste admirável mundo novo. Parece estranho? Inconcebível? Talvez. Mas se nos dispusermos a pensar um pouco que seja veremos que não estamos muito longe disso. Mais de 70 anos passados deste sua publicação, a linha divisória entre ficção e realidade tornou-se mais sutil. Podemos hoje reconhecer, nesta obra, valores e comportamentos que não são mais somente literais de um mundo utópico, mas expressões de um modo de vida de um mundo real.
Mas como pode ser? Hoje? Nós condicionados? Como não conhecer e acreditar em Deus? Em uma das passagens do livro, Huxley diz que “a filosofia é a arte de encontrar más razões para aquilo em que se crê por outras más razões. As pessoas crêem em Deus porque foram condicionadas para crer em Deus”. Mas que blasfêmia! É natural a existência de Deus, dirão uns. Será mesmo? É natural também usarmos roupas e trabalharmos em troca de dinheiro? Tudo o que somos é a representação de nossa criação. Tudo que é nos passado até cerca de dez anos de idade é fator decisivo na formação de nossos princípios, crenças, dogmas, caráter etc. Não podemos deixar de perceber que somos sim condicionados a fazer certas escolhas e acreditar em certos princípios.
Para tornar cabível tal condicionamento, os “dirigentes” desse mundo utópico tinham como ponto central de sua argumentação a defesa da idéia de que em uma sociedade organizada e obediente todos são felizes e, se há felicidade, não há necessidade de nenhum tipo de conhecimento, seja científico, seja intelectual. E podemos dizer que este pensamento cabe perfeitamente na sociedade moderna. Por que vemos algumas pessoas em situações adversas felizes e satisfeitas com suas vidas? Normalmente, os mais pobres possuem menor acesso ao conhecimento e com isso preocupam-se muito pouco com certas questões existenciais e moralistas à que se preocupam certas pessoas não privadas de conhecimento. O mesmo parece se dar na educação brasileira, onde os políticos parecem pouco se importar com o péssimo nível apresentado, pois mais vale uma população ignorante do que indivíduos cultos. Estes se tornam periogosos quando desgostosos com o poder.
Você trocaria o conhecimento pela felicidade? Certa vez disse um filósofo que “feliz é aquele que vive na ignorância“. Não deixa de estar certo. Veja uma criança, sem preocupações, com a mente não desenvolvida, ocupada apenas em brincar, gozando da plenitude da felicidade. A adolescência, instantaneamente associada à rebeldia, é uma fase de transição, de adaptação forçada ao mundo cruel que a aguarda. Quando adulta essa pessoa toma consciência e se contenta com a realidade, tal qual ela é.
Mas… Sinceramente, prefiro encarar a crueldade mundana a viver esta falsa felicidade. A arte de pensar e refletir nas horas vagas é o que define se seremos meros fantoches ou se faremos nossas próprias regras, e com isso fica entendido pensar por si só, tirar suas conclusões sem sermos influenciados por meio mundo, ter nossas próprias crenças e também nossas descrenças, é o que nos torna livres, e liberdade, não tem preço.
Os fatos não deixam de existir só porque são ignorados.
Aldous Huxley

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