Bravura Indômita, de Charles Portis
Um livro que me tirou das mesmices de minhas leituras. Eu sei, virou filme, e há mais de um ano, mas só agora tive a chance de ler este livro (que estava igualmente há um ano em minha estante). Me mostrou o quanto eu ainda deveria me aprofundar no gênero western de...
17 de
fevereiro
de 2012
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Viva a classe média
Risos. Muitos risos. Cof, cof, cof. Alguns segundos para me recompor. Vamos lá. Durante as minhas férias decidi ficar off-line, desconectar dos viciantes gadgets. O melhor da experiência foi a sensação de descobrimento quando acendi meu computador e chequei os meus e-mails e minhas mensagens no Facebook. Olha só que...
15 de
fevereiro
de 2012
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Um Homem de Sorte, de Nicholas Sparks
Para quem nunca leu um livro de Nicholas Sparks, ele é apenas um autor de histórias de amor. Para mim, e acredito que para boa parte de seus leitores, ele vai muito além. Claro, há romance em todas as obras do autor. Geralmente são o centro da trama. Ainda assim,...
24 de
janeiro
de 2012
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Em Chamas, de Suzanne Collins
Se Jogos Vorazes teve um começo lento, e demorou até tornar-se um livro viciante, o mesmo não acontece com sua seqüência, Em Chamas. O segundo volume da série apresenta um ritmo intrigante do começo ao fim, transbordando ação e suspense em quantidade suficiente para fazer o leitor virar as páginas sem...
24 de
janeiro
de 2012
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A Farsa, de Christopher Reich
Todo apaixonado por literatura que possui, por consequência, uma certa “solidariedade literária”, sabe qual é o prazer de se dividir uma experiência lida, vivida através das palavras. Incentivar as pessoas das quais eu gosto a ler mais e desbravar horizontes cada vez mais inusitados, ao lhes emprestar um exemplar que guardamos...
4 de
janeiro
de 2012
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Pergunte ao Draccon – Respostas
O processo de pesquisa é comumente exaustivo. Para um escritor profissional, a parte da escrita em si não é o mais difícil, mas sim a pesquisa, o embasamento e a estrutura ao redor da história que ele se propõe a montar. Com Dragões de Éter, como foram anos entre os...
3 de
janeiro
de 2012
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Novos ídolos
Olha, eu preciso me confessar: desde moleque adoro um programa trash. Só pra dar um exemplo. Enquanto meus amiguinhos assistiam a Xuxa, eu perdia horas e horas tentando decorar “tuiuiu iu iu, sou curumim iê iê, tuiuiu iu iu, sou curumã arauê”. Acho que sou uma das poucas pessoas que...
3 de
janeiro
de 2012
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Sobre os novos livros brasileiros
Não venho aqui para discutir os méritos de ninguém, nem acho que devemos comparar seja quem for com quem quer que seja. Mas vivemos – no caso, eu – aqui, dissertando sobre todos os autores para jovens adultos de modo que sempre tentamos aclamar aqueles que estão em voga e/ou nos agradam mais....
3 de
janeiro
de 2012
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Bellissima, de Nora Roberts
Nora Roberts é aquele tipo de autora que toda mulher deve ler pelo menos uma vez na vida. Suas histórias são sempre lindas, românticas, com homens perfeitos, mulheres mais perfeitas ainda, amores à primeira vista, sexo, etc, etc, etc. E tem o dom de fazer a gente ficar nas nuvens...
2 de
janeiro
de 2012
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Contos geralmente causam-me surpresas boas, e fico contente que tenhas descoberto o prazer deles!
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Alguns anos atrás eu não era muito interessado em pequenas histórias, contos e textos do gênero. Talvez porque achasse que fossem muito simples, ou talvez porque não entendesse como muitas, ou ao menos alguma, informação interessante poderia provir de algo tão curto, tão… sem alma. Como eu estava errado!
No começo do ano comecei a me interessar por textos do tipo, a partir do momento em que decidi iniciar uma série de livros com algumas traduções de originais que sempre quis ler, mas nunca haviam sido lançados em português. Ou, se o foram, foi em português de Portugal, arcaico ou se encontram lacrados e esquecidos em sótãos, porões ou arquivo morto de alguma editoras sem data pra serem levados ao público de novo.
Essa coleção (que deve ter seu primeiro volume datado no início desse ano), deverá se chamar algo como “Resgatando os Mestres da Fantasia”. E se limitará (por causa do conhecimento do leitor e tradutor) aos originais da língua inglesa, a princípio os primeiros três volumes trarão coletâneas de contos e histórias curtas, de alguns muitos famosos (outro nem tanto) autores dos gêneros de fantasia, oculto e sobrenatural. Do sec. XIX ao começo do XX.
Mas voltando ao motivo de tocar no assunto principal…
Com esse objetivo, entrei em contato com alguns elementos do gênero e me interessei, e confesso agora, me encantei, com a capacitade de passar tanta emoção e informação dentro de um texto tão pequeno. Me alegra (como escritor também) poder criar alogo em cima de uma ideia compacto, que, sem perder muito da emoção de um original mais completo, pode passar o principal com muito menos esforço. Permitindo uma maior produção e diversidade o que é impossivel quando se tem um original de mais de 400 páginas!
Como se pode imaginar, Rashomon é também um texto curto…

Mais muito rico em detalhes, é apenas uma cena: não sabemos os personagens, não conhecemos seus passados, e podemos apenas conjecturar como que eles chegaram ali. O autor nos ajuda, nos dando dicas de como deveriam ter sido suas vidas assim como que se chegou ao cenário como os que nos deparamos:
A cidade é Kioto, o local, pós-apocalíptico, os corvos dão um aspecto melancólico e lúgubre a cena, e sítio é repulsivo ao mesmo tempo fascinante. Capaz de prender a atenção ao mesmo tempo em que choca, repele… Mesmo assim ficamos interessados nele, o fascínio gótico trazido pelo cenário nos convoca, clama, arrasta para dentro dele. Com pequenas descrições, ficamos imersos, a partir disso, fica difícil se desvencilhar do que se passa.
O texto é um conflito de ideias, de ideais; o japonês comum, que teve todo seu curso de vida agora é obrigado a enfrentar outras situações, outras realidades. Tudo em que se acreditava antes, agora oscila no gume de uma espada… E a direção para onde esse movimento deve se decidir se relaciona muito com as circunstâncias e necessidades deparadas. Conhece-se o povo japonês como o portador de uma cultura e modos de vida milenar. Porém, como se portariam esses mesmos modos de vida, se tudo que se tem à sua volta mudasse?
Assim é o portão de Rashomon, assim é o que o antigo servidor e guarda costa deve decidir sua vida. Neste mundo pobre, triste e decadente, com valores igualmente decrépitos, e decisões que nunca deveriam ser feitas, tendo que ser realizadas a cada instante.
É um pequeno texto, cerca de cinco páginas, vale a pena ao menos dar uma olhada. Este tipo de situação nos leva a reflexões mais profundas sobre quem realmente somos, porque nos leva a pensar melhor sobre aquela frase: “Eu nunca faria isso!”. Ou, “Tal pessoal é vil porque é capaz de fazer tal tipo de coisa”. Sabendo o que se passa na cabeça dessas pessoas, e melhor, passando por circunstâncias similares a ela faz com que algumas convicções que temos certeza
sobre nós mesmo, talvez, não serem tão certas assim.
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Com certeza, isso, e aqueles estandes que tem lá no centro de vez enquando... Fiquei curioso, qual é o livro? ...
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Tem cada livro bacana nesses balaios que vale a pena a procura! Primeiro dia de Feiro do Livro e já ...
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Gostei. Mais uns contos pra minha lista de leituras futuras. Também fiquei curioso com esse Dostoiévski que você citou... vou ...
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Máximo Gorki
ISBN: 9788500514098
Editora: Ediouro
Tradutor: Araujo Alves
Ano de publicação: 1990
Páginas: 140
Existem várias razões para se ler um livro ou conto. A principal, me desculpem os mais entusiasmados, é o prazer da diversão. Essa é a mola principal que movimenta o ato da leitura, que nos faz continuá-la mesmo que os olhos não aguentem mais, insistir quando o corpo a muito já se mostra exausto. Não obstante essa (principal) razão, existem outras que nos fazem procurar esses pesados e a princípio desinteressantes volumes de muitas páginas.
Na verdade a leitura é nada mais que uma contínua troca de informações, uma conversa, do leitor com o escritor em que o fato de o primeiro não poder questionar nada, e o último nada mais poder acrescentar é algo a se perder, e o fato de a dimensão (temporal e geográfica) ser quase infinita é um ganho. A possibilidade desse encontro é por si só um grande motivo.
Estou a versar sobre esses assuntos porque o texto que venho trazer hoje é dessa espécie, tem o benefício do prazer da leitura, porém muito antes de se limitar a este ele traz toda uma gama de aprendizado, de contato entre culturas e crescimento pessoal. O que extravasa em muito os limites das palavras escritas e de certa forma parece que se acopla na alma, no caráter e no que somos na realidade.
Estava eu na Bienal do Livro esse ano (2011) quando um estande muito afastado me chamou a atenção: estava oferecendo livros a meros RS3,00, e embora antecipando uma grande garimpagem em meio a muito (deus-que-me-perdoe) “lixo”, talvez tivesse a chance de achar alguma coisa que prestasse. Logo bati os olhos em uma antiga coleção de clássicos da Ediouro, logo me lembrei de que a tradução, se não de má qualidade deveria ser ao menos antiquada, logo me lembrei que não deveria me importar com isso, porque ao menos era um primeiro contato com alguns autores clássicos talvez. Logo, estava certo.
Bati os olhos em um tal de “Gorki”, era russo, me interessei. Era clássico, me trouxe boas lembranças, era barato, levei. Olhei rapidamente algumas frases, o estilo grandioso de narrar do autor me deixou alegre, a possível prolixidade do tradutor me deixou um pouco alerta, me lembrei que não sabia ler russo, e procurei não me importar muito com isso. Entreguei-me à leitura, magnífico livro.
Livro? Bem é na verdade uma coletânea de contos, o primeiro é interessante, mas não gostei muito, não é meu estilo… Traição, choque de gerações, não me alegrava nem um pouco. Cadê a descrição do homem comum? O retrato de outros seres que parecia estar falando de mim mesmo? Não encontrei um Dostoiévski nas primeiras páginas, embora fosse uma leitura interessante. Mas continuando… Encontrei um Gorki.
Esplêndido escritor, seu segundo conto Tchelkache, fazia meu coração saltitar. O relato gracioso de um, bem, na verdade um… Vagabundo, parecia ecoar dentro de mim mesmo fazendo brotar imagens de lugares (que eu nunca fui), contatos com pessoas (que eu nunca conheci) parecia tudo tão magnífico. Algumas partes realmente eram relacionadas com situações que eu realmente vivi, e o geral parecia quase perfeito.
Isso antes, isso antes, de eu ler Konovalov. Konovalov é um homem impressionante, realmente parece que o conhecemos a anos, tão familiar é esse Konovalov. Eu o imagino até agora, um homem robusto, forte e com olhar bondoso. Sim, meio inocente, meio sem complexidade de caráter, mas… Ainda assim, um personagem impressionante, pois dentro da simplicidade de sua bruteza, encontra-se um homem profundo. O homem comum, que na miudeza de suas reflexões sobre a vida, encontra as respostas para as questões mais profundas. Assim é Konovalov. Desculpem-me se repito o seu nome muito, mas tal sensação me deixa esses contos e histórias russas, que não consigo para de fazê-lo. Achei uma joia, naquela Bienal de 2011, jogado, junto com alguns exemplares similares, uma joia que fez meu coração bater rápido e eu, ao mesmo tempo em que admirava, me identificava com essas figuras que saem fácil de algumas frases que às vezes, por serem muito diferentes do que normalmente convivemos, tão facilmente descartamos.
Konovalov é um homem que não encontra lugar fixo na sua vida, erra e vaga por vários lugares, corações e empregos. Daí talvez, a sua inserção em uma coletânea sobre “vagabundos”. Talvez, ele seja um vagabundo, mas seu coração é de nobre, como se fala por ai. Nas ocupações mais ordinárias, nos lugares mais simples, ele encontra chance para exercer sua inconsciente procura pelo estudo, pelas artes da mente, pela filosofia. Seu fascínio, sim é uma verdadeiro fascínio pela arte, pela escrita é encantador. Parece o desejo natural do homem de conhecer, pesquisar… Saber!
Este é o simples e filósofo Konovalov. Muito mais sobre ele elipsaria a leitura que recomendo a quem ler esta coluna, (Pelo menos esse conto) ler.
Para quem quiser saber mais sobre esse autor, recomendo a leitura de sua biografia (ou no próprio livro) ou na Wikipédia.
Heinrich Harrer
ISBN: 9788525407665
Editora: L&PM
Ano de publicação: 1997
Páginas: 380
Onde comprar:
Saraiva | Submarino | Cultura
Este é um relato de um montanhista e aventureiro austríaco chamado Heinrich Harrer, que durante uma expedição é preso na Índia durante a Segunda Guerra mundial. A história realmente começa quando ele tentar fugir seguindo uma rota pelo território inexplorado do Tibet. O livro Sieben Jahre in Tibet (Sete Anos no Tibet) foi escrito na década de 50 e se tornou um dos poucos relatos que se tem notícia de europeus da região do Tibet. Nas edições mais modernas ele conta com um prefácio do próprio Dalai Lama, que Harrer e seu companheiro Aufschnaiter tiveram contato direto, ao alcançar os domínios mais internos desse País.
Esse livro virou filme em 1997 estrelado por Brad Pitt, de onde o nome é mais conhecido.
Quando estava pensando no próximo livro para esta coluna o acaso me levou pra essa escolha. Poucas vezes pensamos no tema de “aventura” como o celeiro de livros clássicos, muito menos o gênero de não ficção. Mas dentro da minha velha mochila de caminhadas, encontrei um dos livros que me ajudaram a observar e conviver com o mundo de outra forma. É um relato real, mas tão assombroso que parece não ser, sobre um lugar verdadeiro, mas tão maravilhoso e mágico que parece sair das asas de um conto de fantasia.
Este livro me acompanhou por muito tempo em minhas jornadas, até mesmo em uma quase que seriamente mal sucedida, às serras que circundam essa cidade. Espero que passe a ser parte de seus pertences de primeira ordem, caso o dêem uma chance. Mesmo que não seja fisicamente, eu garanto que suas imagens extraordinárias, sua cultura inebriante e sua filosofia penetrante vão seguir, quem se permitir, por mais tempo do que se poderia a princípio acreditar.
Das grades da guerra à liberdade das montanhas, passando pelas verdadeiras estradas que possuem tanto místico como o real, chegando a um reino novo e inimaginável. Essa história conta a saga de, principalmente, dois montanhistas que são presos china e tentam fugir para o exótico território do Tibet. Fechado aos olhos do ocidente até a segunda metade do século passado, justamente um pouco antes de se abrir às vistas do mundo, é onde esses europeus acidentalmente se encontram. A partir daí, o leitor se vê deliciado com as narrativas sobre um povo meio nômade, vivendo em um território gelado, tendo que lutar com o frio, a fome, a falta de recursos modernos e uma vasta imensidão de nada.
Bandidos tomam o que querem de qualquer lugar, as pessoas tentam se agrupar mas raramente isso é um sinônimo de muitas melhorias. Harrer e Alfshineider se deparam com costumes impressionantes, e uma hospitalidade de onde menos se poderia esperar. À medida que se adentra nesse território desconhecido, mais e mais do povo tibetano se descobre, e mais e mais apaixonado se fica por suas paragens sem par e caminhos desconcertantes.
Porém o Tibet não é a única atração do livro. Pelo contrário, umas das coisas que mais me interessaram foi justamente a maneira que os aventureiros lidam com tudo isso, como que tiveram que se adaptar as mais diversas situações, e aprender e absorver os modos daqueles que os cercavam. Tudo era diferente, a língua, a maneira de se portar, a forma do governo se organizar, as paisagens naturais, montanhas e neve, muita neve e gelo. Existe mais um elemento que ainda não falei, mas que deixa o povo tibetano com um caráter ainda mais curioso e, atrevo-me a dizer, o que representa o seu símbolo e maior definição: a religião.
A religião é um elemento essencial na vida das pessoas. Regia o governo, os costumes e o comércio. O budismo era parte do cotidiano de todos e os monges representavam cerca de um quarto da população. Monastérios espalhavam-se pelos picos gelados, seus telhados curvos se cobriam de neve e sua presença acolhia todos os que se encontravam em seus domínios. Talvez até, sua relutância em permitir estrangeiros neles.
Os mistérios não acabam, Lhasa, a cidade proibida do povo tibetano é o destino final desses montanhistas. No coração desse reino perdido essa cidade de costumes budistas era repleta de monastérios, carente de modernidade, mas possuindo um instigante desejo de conhecer o mundo, especialmente pelos olhos de um certo Dalai Lama, que aceitou os ensinamentos de Harrer, ao mesmo tempo em que ensinava a ele ver o mundo pelos olhares do fadado povo tibetano.
Dalai Lama e Heinrich Harrer
Tão rico e cheio de encantos tem esse livro, que pouco mais se precisa alongar sobre ele. Espero que fique marcado no seu coração, da mesma forma que suas cores, sua aventura, sua exoticidade ficaram marcadas no meu.
Estamos falando da maior e mais incrível história de aventura jamais escrita. (…) fugas de prisões militares, escaladas de montanhas sobre as piores condições, perigos constantes, (…) e a descoberta de um povo extraordinário.
Santha Rama Rau, “The New York Times Book Review”
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Fala Alessandro, ficou meio complicado né? Tenho que mudar essas figuras, ou talvez adicionar alguma coisa nesses comentários pra ajudar ...
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Que bom que gosto juliana! Espero que tenha gostado das que vieram posteriormente, e que goste ainda vão vir! =) ...
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Oi Karol, desculpe a enorme demora em responder, já havia lido seu comentário mas muito rapidamente agora acho que vou ...
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Para continuar a introdução à coluna e, de repente, animar mais gente a acompanha-la, vou começar com um clássico um pouco “diferente”. Talvez muitos neguem o status de clássico para esse livro; outros talvez não entenderiam como alguém não poderia dar esse status. Eu, confesso, faço parte desses últimos…
Alguns elementos são padrão para os escritores de livros: você deve ter um esboço, um arranjo dos fatos e uma cronologia principal antes de embarcar de verdade na execução da parte narrativa. Alguns escritores escrevem o livro em pedaços não necessariamente cronológicos, e este escreveu todo um universo em volta antes de verdadeiramente embarcar no livro. Na verdade, ele seguiu todas as partes: tinha um certo esboço em mente, escreveu partes do meio, começo e final… escreveu partes que nunca entrariam na narrativa e amarrou tudo isso em um conjunto de histórias mais antigas dentro do universo de sua narrativa que formam elas mesmas um verdadeiro mundo.
Mundo… como assim? Hoje é normal vermos diferentes livros construídos em existências que são totalmente erguidas de contos e sonhos. Desde coleções de fábulas, a complexos mundos criados com a intenção de serem “multimídia” como o famoso World of Warcraft, temos esse tipo de exemplo de construção em toda a parte.
Mas isso não era muito comum há alguns anos atrás. Não quando um certo homem, que contava uma certa história sobre um certo condado e uma certa erva-de-fumo aparece inesperado… vindo de um mundo de florestas antigas, seres mitológicos e valores que, mesmo naquela época, eram difíceis de se encontrar, ele trouxe ao mundo a curiosa história de alguns seres.
A medieval Torre de Babel, de Bedford Master
Pequenos, sorrateiros, desconfiados e muito alegres, viviam em pequenas comunidades, gostavam de boa cerveja, dança, cantar e trabalhar… e, claro, comida! Isso não parece combinar muito com uma terra inóspita cheia de perigos, e realmente não combina. O mundo desse homem tem seu caráter especial por isso, une elementos muito diferentes em um só, daí vindo uma equação única de resultado encantador.
Acontece que esses pequenos seres se envolvem em uma história muito maior, e se misturam às tramas e teias que formaram o mundo que vivem, que construíram as montanhas, os mares e florestas. Dos primeiros seres que ergueram as primeiras cidades nas matas, forjaram as primeiras fortalezas nas cavernas e desafiaram os deuses com frotas de barcos e castelos sobre a terra. É sobre esse conflito que o livro se estende, embora seja muito maior que apenas este. Alguns outros temas passam as vezes desapercebidos, o conflito da máquina contra o trabalho manual, do amor contra o ódio, o eterno e o efêmero, o dever e a vontade, a felicidade e as coisas que a destroem, o mundo que temos e o destino deste e o nosso. Se olharmos com mais cuidado podemos ver elementos muito maiores do que uma saga de sete, contra um mundo hospitaleiro e ao mesmo tempo voraz, povoado pelas criaturas mais antigas, criada em uma saga de orgulho, desejo e os seus contrários.
Mas como esse homem chegou a essa história?
Pois bem… Uma história assim não se escreve do nada; muitas foram as fontes que inspiraram esse conjunto de histórias, mapas e lugares fantásticos. Não se sabe exatamente quais foram elas, ainda que algumas sejam indiscutíveis. Em primeiro lugar houve as antigas e incontáveis sagas e contos que formavam as mitologias do Norte. Anões, elfos e outros seres encantados as povoavam. Assim como homens de história mítica, de gerações incontáveis, em busca de poder, terras e o que mais pudesse ser quisto. Além dessa existem as celtas e finlandesas, e talvez mesmo as gregas e latinas. Só ai, teríamos em parte as explicações necessárias para uma história do gênero, mas não existe muito mais.
Os contos de Lord Dunsany (como por exemplo The Book Of Wonder), de Andrew Lang, e outros contos de fadas em geral foram muito importantes para a sua criação. William Morris (The Weel Between The Worlds) foi uma grande influência e um dos autores com que ele foi mais impressionado. Além desse, que participava de um movimento que trazia de volta um pouco dos clássicos romances medievais, ele contava com a inspiração dos próprios, como A Morte do Rei Artur, e outros contos arturianos em geral. George MacDonald (The Golden Key) foi um dos poucos vitorianos que ele se identificou.
Worm of Ouroboros
Quando eu li a primeira vez esse livro, o que mais me impressionou foi essa criação de mundos, de todo um ambienteonde o autor pudesse deitar as sas ideias, criar as suas filosofias e modos de vida. Era realmente um mundo paralelo… fiquei impressionado ao saber que este autor devia especial tributo a E. R. Eddison, que com o seu romance The Worm of Ouroboros, trazia um mundo de guerras, sangue, bruxaria e outros elementos onde reinava a aventura, toda feita em um território com nomes bastante sugestivos como “Witchland”, “Demonland” e “Goblinland”.
É claro que essa lista não é de forma alguma exaustiva, mas conta com boa parte dos “clássicos” que fizeram desse livro que temos falado aqui, um clássico também. Hoje pouco se lê dos romances do séc. XIX ou anteriores, tirando raras exceções, como os de Jane Austen, entre outros. Mas o olhar para esse mundo nem tão mais antigo, certamente faria o interesse (e a compreensão) de muitos leitores aumentar e evoluir.
A essa altura o leitor já deve saber de que homem e a livro estou me referindo. Caso negativo, deveria definitivamente tentar conhecer essa história, esse autor e esse universo magnífico que inaugura a coluna de clássicos da literatura universal desse site. O nome? Ah, não vou dizer, busque, procure e se encante por esse mundo complexo e mágico do qual me deixo o direito de mais tarde talvez falar de novo…

Poeira, mau cheiro e bolor, é o que eu penso quando imagino aquelas bibliotecas sombrias que povoam as imagens de fantasia que traçamos pensando em um livro “clássico”. Parece que alguns títulos trazem em si todo um legado de antiguidade e certa aura de respeito e distância que acaba afastando-nos de contos tão simples e cotidianos que um dia foram triviais àqueles que vagavam naquelas épocas tão diferentes de nós… hoje obcuras, envoltas nas brumas do passado.
Eu fiquei encarregado de falar sobre essas justas épocas e daqueles que viviam o que hoje apenas vemos falar em livros históricos, ou escutamos ecoando nesses clássicos “empoeirados”. Vim falar de Walter Scott, Jack London, Charlotte Brontë entre outros que nos legaram estes textos que às vezes são quase sacralizados por uns, e pela mesma razão algumas vezes marginalizados pelos outros.
E porque não? Também de textos mais antigos, de Chrétien de Troyes, de textos que hoje não sabemos mais quem os escreveu, de clássicos modernos como Marguerite Yourcenarde, e mesmo clássicos eternos da fantasia como de Júlio Verne, Robert Stevenson, e meu mestre J.R.R. Tolkien, que me ensinou uma simples coisa que mudou aminha vida para sempre. Pode-se escrever por paixão, por amor, pelo simples desejo de gravar as imagens e histórias que habitam em nossas mentes, e poder vê-las; lê-las; e relê-las… E ainda assim se apaixonar a cada dia pelas suas simples, complexas e maravilhosas histórias.
É assim que eu pretendo introduzir esses clássicos para aqueles que se aventurarem a ler esses pequenos textos. O escritor clássico que hoje é um deus, tão temido, admirado e afastado, um dia foi um simples mortal. E pessoas comuns, como nós, se compraziam com a doce vivência de vagar pelo mesmo mundo que eles.
De coração, bem vindos ao mundo dos clássicos!







































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