Tecnolit
A era do Autor 2.0
Postado por em 19 de setembro de 2011

No dia 3 de setembro, fui a um evento chamado Autor 2.0. O fórum tinha o objetivo de discutir e buscar a compreensão das novas possibilidades digitais e seu impacto criativo e econômico na prática.

Bom, as possibilidades digitais estão aí, surgindo cada vez em maior profusão e será que esse é começo do fim desta era editorial? Talvez não o fim, mas abertura de um novo capítulo com muitas coisas novas – e poucas coisas antigas, certamente.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a introdução ao assunto; afinal, em que ponto estamos e para onde estamos indo?

Antes da prensa, inventada por Gutenberg, a maioria dos livros era religioso e escrito com a intenção de doutrinar a sociedade na religião. As cópias eram feitas por monges copistas e a maioria dos leitores eram eles mesmos e outros poucos que tinham acesso a esses conteúdos. Quando dizem que Gutenberg mudou a história da informação com a sua invenção, não é nem um pouco de exagero, se formos comparar com o que eram os livros antes e o que se tornaram depois – e eu não falo no sentido estético da coisa, mas no sentido prático mesmo.

Depois que a prensa de tipos móveis foi lançada, houve um boom na informação. As cópias podiam ser produzidas mais rápida e facilmente o que acabou por popularizar o livro (ok, não popularizaaaar, mas tirá-los dos mosteiros e levá-los para o mundo lá fora. O que já é muito). As revoluções (francesa e industrial), tornaram – aí sim! – o conteúdo dos livros mais popular e, então, chegamos à concepção de livro como tínhamos até bem pouco tempo atrás.

No mundo dos livros de papel, no sistema tradicional, há várias “pontes” até o livro chegar a seus leitores: o agente, que faz a triagem dos livros que serão ou não publicados; o editor, que torna o livro “atraente” do ponto de vista visual e literário; o impressor; o divulgador, que pode ser o marketing da editora, mídia espontânea, matérias pagas, enfim; o distribuidor, que cuida de todo o sistema de transporte dos livros; e a livraria, que leva esses livros até os seus leitores.

E o autor 2.0, será que ele vai precisar de toda essa mediação até chegar ao seu público alvo?
A resposta é não. O primeiro mediador que vai sumir é o impressor, afinal, o autor do mundo digital não publica mais em papel. Sendo assim, consequentemente, não haverá mais problemas de logística, pois não há mais nada a ser entregue aos consumidores, a não ser bytes.

Agora chegamos às polêmicas: e para onde vão as livrarias se há a possibilidade de se vender livros que não são palpáveis? Bom, boa parte delas pode ficar no seu lugar e se adaptar às mudanças, mas, a verdade é que, para vender seu livro digital, o autor da nova era não precisa de uma loja física. E, com todas essas premissas, os custos diminuem. Se os custos diminuem, mais autores e livros poderão ser publicados, se mais livros podem ser publicados, o agente, que fazia a seleção das boas histórias para a publicação, torna-se desnecessário. Menos um no sistema.

Bom, se estamos falando de livros digitais, nada mais lógico que a divulgação seja nos meios digitais, certo? Sim. A divulgação é mais barata (muitas vezes, até gratuita!) e, por isso, o divulgador pode até não sumir, mas fica cortado pela metade no quesito money. E, finalmente, chegamos ao editor. Levando em consideração tudo o que já vimos que  não precisa existir entre o livro digital e seu consumidor, o editor também não precisa existir. Na verdade, a internet criou a possibilidade de qualquer um colocar no ar, para quem quer que seja, tudo que ela bem entender. Bom, então quer dizer que os autores como conhecemos hoje também podem sumir? Sim, podem. E, na verdade, já estão surgindo novos tipos de autores, os autores das redes sociais, dos blogs, dos tumblrs, dos vlogs… Eles também são autores de histórias e personagens que eles criaram, só não são aquela imagem icônica que imaginamos como um autor de livro. Mas por quê não? Possível é.

Quando vamos falar do futuro, não devemos ser muito radicais. Mas eu sou o tipo de pessoa que gosto de supor, conjecturar, inventar e criar as possibilidades mais impossíveis. E isso é saudável; nós nunca sabemos quando uma batida de asa de uma borboleta – como foi a invenção da imprensa de Gutenberg – pode fazer vibrar o mundo inteiro.

As próximas páginas nós vamos acompanhar e, quem sabe, lá pro final do livro, elas já não sejam mais só de papel.

Me achou completamente maluca? Bom… possível, é. A apresentação em que me baseei para escrever essa reflexão está no vídeo aí em baixo:

Quanto custa um ebook?
Postado por em 12 de agosto de 2011

Quem já comprou seu leitor digital ou anda querendo entrar na onda dos livros digitais, já deve ter pesquisados uns preços e percebido que, talvez não faça toda aquela diferença de grana que foi propagandeada e gritada aos quatro ventos quando eles começaram a se popularizar mundo afora. É, a verdade é que os livros digitais ainda não chegaram a um preço justo nem aqui no Brasil, nem em outros lugares do mundo.

Mas quais são os reais motivos para isso? Bom, há alguns. A Apple e cinco grandes editoras norte-americanas cartelizaram os preços de ebooks. Essa estipulação de preços aconteceu por vários motivos políticos, competitivos e todas essas coisas feias do mundo dos bussiness.

Em uma brincadeira, o escritor Larry Doyle disse que os preços dos ebooks não são menores porque as editoras temem desvalorizar a ideia que as pessoas têm sobre os livros. E a piada até que faz algum sentido, pois um dos motivos para a cartelização dos preços, dizem, foi a venda barata de livros digitais para Kindle, pela Amazon.

Além disso, há fatores na produção desses livros que não há como negar: todos os gastos de diagramação e arte da capa continuam os mesmos das versões impressas, a única diferença é que o livro digital não sai da tela, não tem custo de armazenamento físico e nem de transporte. Só que aí vêm os gastos com programação de softwares antipirataria, trâmites jurídicos, gastos de conversão e revisão… enfim. Acaba que o preço do livro digital não é toda aquela maravilha que você sonhou, não é? Pois é.

Na verdade verdadeira, o preço dos livros impressos e digitais é sim diferente. Segundo uma pesquisa publicada pelo New York Times, o novo formato custa só a metade do preço que um livro tradicional, se somarmos tudo.

No Brasil, o mercado ainda é embrionário. Segundo os donos de grandes editoras, ainda estamos na fase dos investimentos e, se há uma mina de ouro no negócio dos ebooks, nós ainda não conseguimos chegar até ela.

Como foi anunciado há alguns meses, ainda neste ano a Amazon chega ao Brasil. Talvez (vejam bem, TALVEZ!) essa ilustre chegada dê um impulso no mercado e comece a estabilizar os três fatores necessários para que mercado de livros digitais deslanche no país: softwares compatíveis com os leitores digitais disponíveis no nosso mercado (e, especialmente, fáceis de usar!), um aumento significativo do nosso acervo de publicações digitalizadas em português e os preços, tanto dos livros quanto dos leitores eletrônicos.

A esperança é que, com a tecnologia cada vez mais desenvolvida e popular, os preços se popularizem também – já que, como vimos, a produção de um livro digital equivale a 50% da produção de um livro tradicional, monetariamente falando. Resta esperar e torcer para que isso reflita logo nos nossos bolsos.

Futuro do presente
Postado por em 14 de julho de 2011

O mercado editorial está mudando. A maioria acha que ele começou a mudar com o boom do iPad e de outros leitores digitais, mas a verdade é que ele já vem mudando há bastante tempo antes destes lançamentos. Pensem só: há quanto tempo vocês utilizam a internet para se informar, pesquisar sobre um livro, ou saber o que está acontecendo no mundo? E então vocês se perguntam: “Ué, mas nós estamos falando de livros, não de notícias”. Ah, tá bom, então vamos voltar lá nos primórdios, antes de o objeto livro existir.

Nas sociedades antigas, os conhecimentos e notícias eram repassados de geração em geração no boca-a-boca. Posteriormente, com o surgimento da escrita e da forma quase escultora de talhar as mensagens em pedra e em madeira, é que as histórias, regras e ensinamentos começaram a ser registrados.

Muitos milhares de anos depois surgiu o objeto livro, mais ou menos como conhecemos hoje. E, sim, ele sempre foi a mais importante e largamente utilizada forma de mídia do mundo. Por isso, o livro é um meio de comunicação e, consequentemente, o mercado editorial faz parte disso e, sendo assim, mesmo antes de começarem a se popularizar os e-books e e-readers, a forma de se propagar informação já estava mudando.

A transmissão da informação mudou com o surgimento da internet e, para isso influenciar nos livros, era um pulo, afinal, como eu disse anteriormente, é tudo mídia. E influenciou.

Informação na ponta do mouse

Um exemplo disso se deu com a digitalização das obras de bibliotecas. Em 1999, a Biblioteca Pública de Nova York, que tem todo seu acervo digitalizado, registrava 10 milhões de visitas mensais ao seu site, enquanto, na sala de leitura eram retirados cerca de 50 mil livros para consulta por mês. E isso porque nós nem estávamos no século XXI ainda e ainda não havia esse barulho todo por causa dos e-books, hein! Embora eles já existissem (ok, eu prometo falar mais sobre isso em um outro momento!).

Em janeiro de 2010, quando foi lançado o primeiro iPad e as discussões sobre o futuro do livro começaram a ser mais frequentes e intensas, esse tal de “futuro” já existia. Na verdade, ele começou a se desenhar muito antes do lançamento de qualquer gadget de leitura digital, com a ideia de digitalização de publicações, que ganhou vida em 1971, pelas mãos de Michael Hart, no Projeto Gutenberg (que também é ótimo assunto para uma outra hora!).

O futuro já estava lá, meus caros, batendo à nossa porta antes mesmo de muitos de nós termos nascido… e não é só porque ainda não temos consciência deste futuro, que ele se torne menos real – e presente – por esse motivo. Lembre-se disso toda vez que abrir seu site preferido para ver as notícias do dia ou quando perceber que tem mais bookmarks salvos em bytes que marcadores de páginas de papel guardados pelos cantos da casa. 

Estamos de volta
Postado por em 16 de junho de 2011

Vocês já devem estar sabendo de que as colunas aqui no Subtítulo serão, agora, mensais. Se não, estão sabendo agora. (rs) Sendo assim, resolvi retomar um antigo projeto de coluna do blog, no qual trabalhei pouco e acabei deixando de lado: trata-se da coluna Tecnolit.

A proposta é discutir o novo mercado que vem surgindo e se solidificando aos poucos: o de e-books e e-readers. Já mostrei um pouco da minha opinião nos artigos passados, mas ainda há muito campo a explorar no que se refere ao tema.

Deixo de antemão avisado que a participação de vocês, leitores do blog, é sempre muito importante. Enviem-nos materiais interessantes; deem dicas, serão sempre bem vindas no que se refere a qualquer assunto tratado aqui. Nossa proposta é discutir os mais variados pontos de reflexão da literatura e do mercado literário, e vocês são nossos cúmplices nessa empreitada.

Deixo-os com tempo para lerem os posts anteriores, com a promessa de – daqui a quatro semanas – trazer um novo texto para esta coluna.

A minha primeira vez
Postado por em 6 de setembro de 2010

Todos nós temos algumas convicções. Com o tempo, nem sempre elas se mostrarão corretas, mas isso não nos impede de tê-las. Há algum tempo venho falando sobre e-readers, e acreditando que eles ainda não estão aí para substituir o livro definitivamente. Quem não tiver lido, é só dar uma espiada nos meus posts na Tecnolit.

Para quem estava em Marte, mês passado tivemos a Bienal do Livro de São Paulo. E esse ano, claro, os e-readers estiveram em alta. Acho que quase todos – senão todos – estavam disponíveis para os visitantes no estande da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. Mas foi no estande do Submarino onde eu gastei mais tempo analisando-os.
Não sei se por puro patriotismo ou por ter um monte de e-reades espalhados pelo estande, optei por me prender ao Cool-er, da Gato Sabido. (para quem ainda não sabe, a Gato sabido integrou-se ao Submarino) 

É realmente fascinante ver a que ponto chegamos. De fato, a experiência de leitura em aparelhos como o Kindle e o Cool-er é boa. Acho que não preciso dizer que não se compara ao livro original, o virar de páginas, etc. Mas é bastante interessante a experiência. A sensação é mesmo a de estar lendo no papel. Fuxiquei em tudo o que me foi permitido no Cool-er e confesso que gostei bastante – pena que não deu pra trazer um pra casa. Acho que o único grande problema é a tela diminuta, que reproduz algo como um livro de bolso. 

É claro que a tecnologia traz recursos fantásticos. A busca de palavras, a marcação de determinados trechos, a facilidade de arquivamento. Mas de qualquer forma, ainda acho que os leitores digitais são mais interessantes para livros didáticos, técnicos e compêndios jurídicos. Aqueles que temos que carregar aos montes o tempo todo. Ainda não me vejo trocando todos os meus livros por e-books. Além do mais, o que seria de mim sem aquele autógrafo do Ziraldo, 17 anos atrás, no meu surrado exemplar de O Menino Maluquinho?

Kindle Million Club
Postado por em 29 de julho de 2010

Comentei recentemente a última nota da Amazon, onde a empresa afirmava que as vendas de e-books já ultrapassaram as de livros de capa dura. Dentro desta nota, havia ainda a informação de que cinco autores ja haviam vendido, cada um, mais de 500.000 e-books para Kindle. Eram eles Charlaine Harris, Stieg Larsson, Stephenie Meyer, James Patterson e Nora Roberts.


Pois em menos de dez dias, um deles já chegou ao primeiro milhão no Kindle.
A Amazon divulgou ontem que o jornalista e escritor sueco Stieg Larsson tornou-se no primeiro autor a ultrapassar a marca de um milhão de vendas de livros digitais da Loja Kindle, o que lhe concedeu a entrada direta no recentemente criado Kindle Million Club.

As versões impressas da trilogia do falecido autor, lançadas no Brasil pela Comanhia das Letras – Os Homens que Não Amavam as Mulheres, A Menina que Brincava com Fogo e A Rainha do Castelo de Ar – venderam mais de 27 milhões de cópias no mundo inteiro e foram traduzidas para mais de 40 idiomas.

O Kindle Million Club, é uma iniciativa criada pela Amazon a fim de premiar todos os autores que superem o milhão de vendas. Stieg Larsson encabeçou alista, quem será o próximo?

Mais uma nota sobre e-readers
Postado por em 22 de julho de 2010

 

Durante esses últimos dias, tenho recebido uma avalanche de emails e lido muito sobre a nota publicada pela Amazon no dia 19 passado, onde esta afirma que as vendas de e-books já ultrapassaram as de livros de capa dura. 

Mesmo sendo um defensor dos livros impressos, não posso deixar de acreditar que este seja um movimento natural do mercado. Afinal, o aparelho custa apenas 189 dólares e conta com mais de 630 mil títulos, sendo 510 mil destes custando singelos US$ 9,99. Com os custos de impressão e armazenamento indo para o ralo, é de se esperar que mais títulos entrem nessa faixa de preço.

Mas além de afirmar que as vendas de e-books ultrapassaram as de livros de capa dura, a Amazon afirma que a venda destes continua crescendo.

In addition, even while our hardcover sales continue to grow, the Kindle format has now overtaken the hardcover format. 

O que esperar disso então? Nos desesperarmos com o “revés“, acreditando que o “cheiro de livro novo” é coisa do passado? Não sou refratário à ideia de que os e-readers vieram para ficar. Disso eu tenho certeza. Mas não acho que por isso tenhamos que aposentar nossos queridos livros impressos. Pelo menos não agora.

Alguns dados interessantes fornecidos pela Amazon:

  • Nos últimos três meses, para cada 100 livros de capa dura que a Amazon.com vendeu, vendeu 143 livros para Kindle. No mês passado, para cada 100 livros de capa dura, a Amazon.com vendeu 180 livros para Kindle.
  • Em 6 de julho, o grupo franccês Hachette anunciou que James Patterson vendeu 1,14 milhões de e-books até agora. Destes, 867.881 eram livros para Kindle.
  • Cinco autores – Charlaine Harris, Stieg Larsson, Stephenie Meyer, James Patterson, e Nora Roberts – venderam, cada um, mais de 500.000 e-books para Kindle.
E-readers: logo, logo você escolherá o seu
Postado por em 21 de julho de 2010

 

Hoje vou fugir um bocado da característica do blog: vou escrever sobre o mercado do livro, especificamente sobre esses novos aparelhinhos de leitura que mexerão – ou já mexem – com a sua cabeça e, principalmente, com o seu bolso.
Olha só, não se sinta sozinho nesse bloco dos impactados, a indústria literária também está sendo sacudida. E mais: acorda todos os santos dias com dois desafios: não cometer os erros da fonográfica e achar a melhor forma de entregar os desejos desse novo leitor.
Há 10 anos atrás, exatamente na virada do milênio, poucas pessoas tinham acesso ao celular. O que bombava eram os, hoje inimagináveis, pagers. E lembro bem quando um colunista disse que em poucos anos as pessoas perderiam tempo e gastariam dinheiro, muito dinheiro, decidindo e usando o novo aparelho de celular.
Não é preciso ser um Rui Barbosa, que tinha um olhar de águia, para entender que logo, logo as pessoas perderão tempo e gastarão dinheiro com os e-readers. Claro que não será igual ao celular, mas arrisco que haverá uma curva ascendente na leitura de livros.
E você, que gosta de leitura, de livros, estará na difícil missão de escolher entres os fabricantes A, B, C ou D. É verdade que já existem opções no mercado, mas os consumidores ainda estão retraídos, tímidos, esperando um cenário mais claro que possa explicar a quantidade de livros que estará disponível para compra, o preço, a forma de pagamento, e por aí vai.
Pesquisas indicam isto. E um comentário muito pertinente do Carlos Eduardo Ernanny, fundador da Gato Sabido, para a Istoé Dinheiro, sublinha o que acabo de escrever. 

A procura por nossa loja é muito grande, mas a baixa quantidade de títulos acaba não convertendo as visitas ao site em vendas. 

 

É questão de tempo. E mais uma vez arrisco: pouco tempo.

 

A Istoé Dinheiro fez uma ótima reportagem sobre o tema, vale dar uma olhada se quiser ter outras informações.

 

E pra terminar vou copiar o quadro que explica as principais diferenças dos quatro e-readers disponíveis no mercado.
Clique para ampliar
Até semana que vem. Tchau, tchau.
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