Pergunte ao Draccon
Pergunte ao Draccon – Respostas
Postado por em 3 de janeiro de 2012
Lodir Negrini: Desde que começou a escrita de Dragões de Éter até hoje, quais as maiores dificuldades que você encontrou?

O processo de pesquisa é comumente exaustivo. Para um escritor profissional, a parte da escrita em si não é o mais difícil, mas sim a pesquisa, o embasamento e a estrutura ao redor da história que ele se propõe a montar. Com Dragões de Éter, como foram anos entre os rabiscos, a escrita em si e a publicação, houve bastante tempo para ser compreendido que história era aquela e como deveria ser contada.Já relativo às dificuldades fora do processo de criação, a maior sem dúvida envolveu a publicação. Ser um escritor de literatura fantástica, brasileiro e estreante envolve muita coisa em uma única frase. Foi preciso enfrentar uma série de resistências, além da necessidade de se conquistar a confiança do leitor brasileiro. Hoje o leitor ao menos de literatura fantástica já confia em autores nacionais, e o campo está melhor nesse sentido.

Contudo, a luta é e sempre será muito difícil, como tem de ser realmente,até para saber aquele que merece. Sem a dificuldade, não há mérito. É preciso sangrar para merecer realmente.

Thaís Marques: Como é o seu processo criativo? Como consegue inspiração e ideias para uma nova história?

O processo é assim: escrevia em Times New Roman, 12, espaço duplo. Nessa formatação possuía a meta de 10 páginas por dia durante 5 dias da semana. Se falhana nesse processo em algum dos dias úteis, precisava dar adeus a um dos dias de fim de semana. Foi assim que fiz um livro por ano. Estudava cinema de manhã, dormia de tarde, dava aulas de artes marciais de noite e escrevia de madrugada.

Hoje, contudo, depois demuita luta para viver de direitos autorais, consigo um pouco mais de tempo para escrever. Em compensação, os compromissos profissionais aumentaram muito, sem contar as viagens pelo país. Isso faz com que a meta de escrita de 5 dias da semana passe a nem sempre ser viável. Logo, agora escrevo todo dia, sempre que possível, inclusive sábados e domingos, sempre em horários envolvendo 11 da noite e 4 da manhã.

A inspiração para criação de plots pode vir de sonhos, de frases, de situações nas ruas, de qualquer lugar. Já para o processo de escrita em si não acredito em inspiração, mas em disciplina. Escrever profissionalmente é um trabalho como qualquer outro, a vantagem é apenas que você pode fazer o seu horário, mas o ponto tem de ser batido diariamente.

Rodrigo Baptista: Você acha que uma história em formato livro precisa seguir a estrutura de um roteiro de cinema? Por exemplo, vejo muitos livros em que tal estrutura é bastante evidente, seguindo a risca a tão falada “jornada do heroi”. Mas outras obras parecem não obedecer. Tal fórmula é necessária? Pode possuir maior aceitação? Se um livro X for “diferente”, é mais passível de possíveis fracassos?

Não é necessária, mas diminui os riscos de fracasso comercial. Se você encarar esses elementos como uma “fórmula”, a tendência de não conseguir um bom resultado é grande. Se você a encarar como uma “estrutura”, a coisa já muda. Nada substitui talento. A estrutura, contudo, faz com que o talentoso saiba o que fazer com o que possui.

Para se contar uma história, independente do veículo, a estrutura aristotélica, ou de Syd Field, ou de Robert McKee, ou seja lá qual for o nome que queira se dar, será a mesma, ainda que com nomes diferentes. Para o escritor profissional, essas estruturas são como as bases de um lutador de karatê. Existem lutadores incríveis e diferentes, mas todos eles aprendem sobre uma mesma base. O escritor pode fazer de tudo, mas o profissional que compreende o que está fazendo não se perde ao longo do processo, porque sabe para onde está indo.

Para o escritor amador, todavia, é aconselhável que ele inicialmente escreva sem se preocupar simplesmente. Encontre o que está em seu coração. Ele vai cometer erros que todos cometem no início, assim como todo bebê cai antes de aprender a andar. Depois que tomar gosto pela escrita é que ele deve começar a estudar essas estruturas e descobrir um mundo novo. O processo lembra um candidato a cineasta: no início ele deve simplesmente pegar uma câmera, juntar amigos e figurinos engraçados e sair filmando cenas que depois todos se divirtam. Mais para frente ele pode entrar na faculdade de cinema e descobrir como funciona o trabalho de fotografia, do técnico de som, do editor. Mas o gosto pela magia do cinema já estará dentro dele.

Diego Alves: Raphael a literatura fantástica no brasil está crescendo, mas existem, como sempre acontece, muita coisa mal produzida sendo feita para tentar abocanhar esse mercado, você acha que isso só nos faz perder?

Não, não faz. Explico: tem muita coisa ruim sendo produzida lá fora também, é reflexo de um mercado em crescimento mesmo. É que para nós aqui,  a coisa já chega um pouco filtrada. Além do mais, é um mercado tão difícil, que o que não tiver qualidade suficiente para se sustentar, não chegará nem mesmo nas livrarias. E, se chegar, não se sustentará.

Lodir Negrini: Quais suas influências na literatura?

Na infância, Monteiro Lobato, fábulas clássicas e a coleção Vaga-Lume.

Na adolescência, Stephen King, Neil Gaiman, Robert Howard, JRR Tolkien, além dos quadrinistas Alan Moore e Frank Miller.

Já mais velho, George RR Martin e Bernard Cornwell.

Diego Alves: Você treina artes marciais, eu também, e acredito na energia chamada chi, ou ki, tanto faz. O que você acredita e não acredita a respeito desse assunto?

É simples: acredito em tudo o que consegui vivenciar ou presenciar. Não creio (ainda) no que não, embora não duvide. Essa energia Chi por exemplo, não é uma crença, é um fato. Já saltei alturas incríveis e parti tábuas de madeira antes de aterrissar ou quebrei uma pilha de dez telha empilhadas com as mãos. Isso não é possível sem a manipulação dessa energia.

Além disso, da mesma maneira como é possível se utilizar de energias como essa de maneira destrutiva, é possível se utilizar de maneira curativa ou criativa. O próprio slogan de Dragões de Éter fala sobre uma força dentro do espírito humano que pode ser moldada; uma força capaz de feitos extraordinarios em dimensões que o mundo material não pode alcançar.

Lodir Negrini: Teremos Espíritos de Gelo no Brasil?

Ele será vendido um ano exclusivamente no Submarino, através desse link.

Mas no primeiro semestre desse ano teremos um novo épico urbano inédito nas livrarias. Espero que apreciem igualmente.

 

Pergunte ao Draccon
Postado por em 6 de julho de 2011

Pessoal, vocês já conheceram algumas das novas colunas; viram o retorno das antigas; e nessa semana conhecerão as duas últimas – por enquanto.

Mas a coluna que estreia hoje é um pouco diferente. Esse post não vem assinado, pois é apenas o pontapé inicial, um post explicativo de como funcionará essa nova coluna.

Como sempre por aqui, vamos direto ao assunto: acredito que a maioria de vocês já deva conhecer o Raphael Draccon, autor da série Dragões de Éter (que o Lodir começou a resenhar aqui e aqui). Se não conhecem, procurem conhecer, pois vale a leitura.

Voltando ao assunto, o Rapha topou entrar para o time de colaboradores do Subtítulo, mas – como eu disse anteriormente -, a coluna funcionará de forma diferente. Eu disse que ia direto ao assunto e estou enrolando que é uma beleza, né?! Vamos lá, então. A ideia é criar uma espécie de Oficina Literária. Mas quem define o que vai ser dito por aqui são vocês, leitores.

A coluna funcionará exatamente como o anunciado no título do post: vocês perguntam (perguntas relacionadas ao mercado editorial, processo de escrita e coisas relacionadas, pelo amor de Deus! Nada de querer saber o telefone do rapaz…) e o Draccon responde. Vocês podem deixar suas perguntas nos comentários, ou enviar para contato@subtitulo.com.br e, de acordo com os temas sugeridos, o Rapha monta o post e a gente publica aqui.

Entendido? Espero que vocês gostem. Estamos nos esforçando para esquadrinhar todos os cantos da nossa literatura.

E não deixem de mandar suas perguntas. Essa coluna depende de vocês!

1

Editoras Parceiras

Your Adv Here

Siga-nos no Twitter