Erótica
Resoluções de Ano Novo
Postado por em 18 de agosto de 2011

Olá, leitores! Sei que já estamos na metade do ano, portanto, a princípio, não faria muito sentido um post com esse título, não é mesmo? Mas vai fazer…

Num dia aparentemente comum de estágio, estava eu no meu computadorzinho quando meu chefe me envia um link – “Você vai gostar”. Só de ver o link já fiquei curiosa (www.cemhomens.com) e como internet liberada é uma dádiva, logo corri para conferir.

Na verdade, trata-se de um blog de uma jornalista de 30 anos, Letícia Fernández, cujo objetivo é narrar suas peripécias em seu projeto de “dar” para cem homens em 2011 (isso mesmo, um cento!).  Não precisa se perder em contas, porque a própria autora –  que num post onde explica a origem de tudo –, faz pra você:

Como tudo começou

Coloquei na minha lista de resoluções para o ano novo: “DAR MUITO”. Não era questão de números. Era só uma vontade de conhecer vários caras (e transar com eles). Eu já havia sido bem “saidinha”, mas nos últimos dois anos me dediquei tanto a outras coisas que esqueci de cuidar da minha vida sexual.

Aí resolvi colocar a tal resolução como forma de me lembrar que ter uma vida sexual plena é essencial para o equilíbrio. Realmente acho que ninguém pode ser feliz sem uma vida sexual satisfatória. Numa semana qualquer das minhas férias (que foram em fevereiro), vi que estava saindo com mais de dois caras por semana. Fiz as contas: se eu continuasse naquela mesma batida, em dezembro eu chegaria a 104 caras! (levando-se em conta que o ano tem 52 semanas.

Só que eu comecei o “experimento” em fevereiro, o que já me deixava em desvantagem. Tambémtive alguns percalços, como o número 15, e o excesso de trabalho. Estou atrás na contagem enquanto escrevo isso. E eu me importo? De jeito nenhum. Estou muito, muito feliz.

Mas continuo mirando nos 100. Será que vou conseguir?

Aliando uma boa escrita (linguagem fluida, de simples entendimento e com uma boa técnica narrativa, capaz de prender o leitor e torná-lo seguidor fiel) e histórias interessantes (os posts não se resumem a numerar os caras, mas tratam de diversos assuntos relacionados à sexualidade e vida da autora, que de certa forma torna o blog um “divã” para muitas pessoas), Letícia consegue não só desmistificar alguns conceitos ligados ao sexo, como fazer com que seus leitores interajam através dos comentários, sempre muito numerosos.

Apesar da aparente “falta de vergonha” de expor sua vida sexual na rede, Letícia nunca mostra sua foto, em nenhum site ou blog. Além disso, seus pares ou têm seus nomes trocados ou são identificados apenas pelo número, na ordem em que as situações foram acontecendo. Afinal, imagina como seria se além de toda a exposição, as pessoas ainda te seguissem pela rua, a todo instante? Ah, e quase nenhum de seus casos sabe da existência do blog, uma forma de deixar o carinha dar o seu melhor desempenho (ou não), sem a pressão adicional de que milhares de pessoas iriam saber como foi a noite dele.

Muitos leitores/seguidores do Twitter trocam emails com a autora, seja para estender a conversa ou para relatos um tanto mais íntimos. Não faltam emails grosseiros ou com tentativas de cantada (alguns tão toscos que a autora publica no blog e rendem muitas risadas), demonstrando que infelizmente, nem todos os leitores têm discernimento o suficiente para entender que apesar de adepta do sexo casual, a moça não é uma prostituta, nem uma máquina do sexo.

As mulheres em geral participam mais ativamente do blog, dividindo suas experiências e angústias, e no dizer de uma delas, o blog da Letícia é sua amiga virtual.

Para quem estava procurando uma boa dica de leitura online, e gosta do assunto, acho que é uma excelente pedida. Até o fim do ano.

Vinte poemas de Amor e uma canção desesperada
Postado por em 21 de julho de 2011
Vinte poemas de Amor e uma canção desesperada (Veinte poemas de Amor y una canción desesperada)
Pablo Neruda

ISBN: 9788503008075
Editora: José Olympio
Ano de publicação: 2004
Páginas: 80
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Às vezes eu sinto falta de trazer algo um tanto mais “açucarado” para comentar aqui. Não só para desmistificar essa coisa de que erotismo é só pornografia, mas também porque eu tenho esse lado doce bem acentuado em mim. E de certa forma, o que eu escrevo aqui é um retrato de quem sou.

Portanto, caros leitores, a coluna dessa vez vai falar de um dos autores mais celebrados do Amor: Pablo Neruda. Um poeta de linguagem simples, porque gostava de cantar o simples, com versos de uma sonoridade agradável e ao mesmo tempo sensual, ele pra mim é a síntese perfeita de uma sedução amorosa, que não se presta apenas a submeter o outro às suas vontades, mas enfeitiçar, no melhor sentido do termo. Pablito é conhecido por suas recorrentes associações à natureza elas estão presentes nestes poemas. Ah, interessante lembrar que estes são os poemas de um jovem Pablo, de vinte e poucos anos, estudante, descobrindo a vida, como a maioria de nós. E já nesses primeiros escritos (este é o seu segundo livro) estão as características do poeta pelo qual muitos iriam se apaixonar.

Pablo, eternamente apaixonado, respira amor. Amor, todos os amores. Pelas mulheres, por seus amigos, pelo Chile e pela vida, assim, tão leve em cada verso. O desespero na canção? É de querer sempre cantá-la.

Em português, temos a edição da José Olympio, de 2004 – ano do centenário de Neruda – como a mais recente. Confesso que não sei se existe alguma edição bilíngue, mas aos que se interessarem, procurem na internet os poemas em ambas as línguas. Ainda que o meu espanhol seja apenas básico, eu acho que a obra ganha vida se lida no original (e em voz alta).

E pra quem realmente gostar, além das outras obras de Neruda, indico ainda o filme O carteiro e o poeta (Il postino – 1994), que retrata muito bem esse lado do amor nerudiano – pela mulher, pela natureza, pelo Chile, por todas as coisas simples e belas da vida.

Tengo hambre de tu boca, de tu voz, de tu pelo

Y por las calles voy sin nutrirme, callado,

No me sostiene el pan, el alba me desquicia,

Busco el sonido líquido de tus pies en el día.

 

Estoy hambriento de tu risa resbalada,

De tus manos color de furioso granero,

Tengo hambre de la pálida piedra de tus uñas,

Quiero comer tu piel como una intacta almendra.

 

Quiero comer el rayo quemado en tu hermosura,

La nariz soberana del arrogante rostro,

Quiero comer la sombra fugaz de tus pestañas.

 

Y hambriento vengo y voy olfateando el crepúsculo

Buscándote, buscando tu corazón caliente

Como un puma en la soledad de Quitratúe.

Para Freud, tudo que não é papai e mamãe é perversão
Postado por em 23 de junho de 2011

Apesar de esta ser uma coluna literária, sempre que sei de algo legal acontecendo por aí relacionado ao nosso tema, venho aqui dividir com vocês. Desta vez, vamos falar de um filme que estreou há pouco tempo aqui no Rio – e tem sido muito bem falado pela crítica.

A adaptação cinematográfica da peça Todo mundo tem problemas sexuais, de Domingos Oliveira, traz para as telas situações tiradas da coluna Vida Íntima, escrita pelo terapeuta Alberto Godin, do jornal O Globo. O tema atraente (e cotidiano), as histórias reais, o sucesso do texto em sua forma teatral (vista por 200.000 pessoas em suas turnês pelo Brasil, desde a estreia em 2000) e a atuação competente de atores consagrados pelo público como Pedro Cardoso e Cláudia Abreu já são motivos suficientes para ir ao cinema. Junte-se a isso a forma inusitada de misturar as sequências cinematográficas com filmagens de trechos de apresentações teatrais da mesma situação – o que dá um molhoespecial ao filme, numa espécie de diálogo entre as artes. Apesar disso, há quem reclame dessa mistura, alegando que as diferenças de ritmo narrativo tornam as linguagens incompatíveis, além de haver muitas menções negativas sobre o áudio do filme.

Ainda assim, algumas das histórias como o casal interpretado por Pedro Cardoso e Priscilla Rozenbaum, um dos tumultuados do filme – aquele em que o homem, inseguro, recorre ao Viagra, abalando a autoestima da parceira, rendem bons risos e aquela identificação imediata, nem que seja do tipo “eu já ouvi uma história dessa”. Nesse segmento, é particularmente saborosa a intervenção de dois “terapeutas” (Cláudia Abreu e Ricardo Kosovski), que surgem magicamente e tentam mediar o conflito dos amantes.

Segundo Neusa Barbosa, do Cineweb:

Em outro esquete, Pedro e a impagável Paloma Riani vivem um casalultra-convencional que descobre o próprio potencial de fantasias reprimidas depois de um incidente vivido com o chefe dela (Orã Figueiredo). Também aolado de Paloma, Pedro vive o funcionário de farmácia que sonha conquistar acolega ousada e desbocada que não quer nada com ele – até que ele recorre auma esperteza.
Cláudia Abreu divide a cena com Pedro em outra situação, em que o casalvive liberadamente suas fantasias sexuais, com uma postura muito agressivapor parte dela – até que uma troca de casais muda definitivamente alguma coisa nele.

Neste filme, definitivamente “Para Freud, tudo que não é papai e mamãe é perversão”.

Uma epopéia conduzida a pó e outros vícios
Postado por em 6 de maio de 2011

Pornopopéia. Este é o nome do livro que me consumiu nas últimas semanas – e mesmo tendo terminado de lê-lo há uns 10 dias, ele ainda não me saiu da cabeça. Nas suas 480 páginas, o que a princípio seria uma das justificativas de sua inserção no gênero épico, temos um relato magnífico de um anti-herói moderno, que bem poderia ser de uma das tragédias clássicas gregas.

Segundo Luiz Eduardo Soares, “É a odisséia de um Ulisses lúbrico e decadente ou incansável e onipotente. O personagem narrador sai de sua Ítaca, uma ilha de edição, para viver narrando ou narrar vivendo, com cortes ágeis e sedutores, suas idas e vindas ao quartel general da boemia, ao templo da suruba cósmica, e ao mercado do pó, da maconha, da bebida, das mulheres ímpares. Atrapalha-se, repete, insiste, reitera, posterga, rewind, forward, pause, conversa consigo mesmo pela mediação do leitor, num esforço de racionalização crescentemente alucinatória. Manobra a adição às drogas até ser manobrado, e acabar rebocado pela tragédia que atropela seu plano de dormir e acordar, acordar e dormir, lambuzar-se de ovos com bacon, sempre taxiando na pista herdada da véspera, sempre adiando a decolagem para outro arranjo existencial, outro plano de vôo profissional.”.

Zeca é um cineasta maldito, de um filme só, frequentador assíduo de bares e puteiros underground. Um vagabundo extremamente culto, autor quase impulsivo de haicais (uma de suas pérolas é “ai de mim/ coração abduzido/ por uma teen”), é sócio de uma produtora de filmes, a Khmer filmes (ou em seu trocadilho, a Khmerda filmes) – e não se dedica a fazer os institucionais pelos quais é contratado. Colocado no centro de um assassinato, é levado a uma fuga, muito mais de si mesmo que da polícia.

O autor, o brasileiro Reinaldo Moraes, festejado nos anos 80 por um outro livro da mesma verve de sexo, drogas e rock’n'roll de Pornopopéia, numa entrevista em que fala de seu protagonista, ajuda a mostrar um pouco o tom do livro, que apesar de tudo, foi um dos mais engraçados que já li. Recomendadíssimo, pra estômagos não muito sensíveis (quem gosta de seriados e conhece o Hank Moody (David Duchovny), de Californication, conheceu um parente distante do Zeca).

O Zeca é um cineasta com apenas um filme, que apronta as maiores barbaridades, mas que tem uma cultura bastante avantajada. O personagem não é muito sofisticado para um cara que faz tanta besteira?

Você acha que quem não faz “besteira” fica mais propenso à sofisticação cultural? Fico pensando nesses hierarcas nazistas que adoravam Wagner e Goethe, e nos secretários de estado dos Estados Unidos recendendo a Harvard que invadiram países e massacraram milhões enquanto folheavam seu Maquiavelzinho; e no cultíssimo Ezra Pound, que apoiava o nazifascismo antissemita do alto de mil anos de altíssima cultura clássica. Eles não fizeram besteira? Ou a sofisticação deles é que era meio de araque? Vai saber, né?

O contraste entre a baixa e a alta cultura, além do hedonismo exacerbado, é a síntese do personagem?

Síntese, não. Só um traço forte do caráter do meu character com repercussões marcantes da levada estilística do livro. Ou no jeitão da escrita, pra simplificar.

Em poucas palavras, o Zeca é um herói sem caráter?

É um pícaro nato. Lazarillo de Thormes, Brás Cubas e Macunaíma, que têm traços picarescos evidentes, parecem todos espelhar um mundo regido por valores bambos, mumificados, hipócritas ou simplesmente ridículos, incapazes de serem assimilados a sério por uma mente carnavalesca e irrequieta como a deles ― e a do Zeca, con permiso. Sempre tive esse desejo de criar um personagem sem o menor superego, pra ver no que ia dar. Tentei fazer isso no Pornopopéia. Foi divertido e meio assustador, em doses mais ou menos iguais.

O Zeca é um personagem politicamente incorreto, que passa a perna até em uma prostituta da rua Augusta. Mas, ainda assim, você conseguiu humanizá-lo, sendo difícil para o leitor sentir raiva dele. Acha que o leitor se vê um pouco na pele do personagem?

Adorei ouvir isso. Repete. Imagino que sim. Ou melhor: não vejo por que não. A menos que já tenham revogado em definitivo a catarsis frente às obras de representação e não me avisaram. Claro que é um problema quando um personagem amoral como o Zeca estabelece essa relação catártica com o leitor, purgando ou pelo menos dialogando com seus sentimentos mais sombrios e conflitantes. Mas é um problema que me pareceu interessante ao escrever.

O seu personagem é um verdadeiro beatnik, tem uma vida regada a drogas e sexo sem nenhum critério. Qual a chance do leitor confundir o Zeca com o Reinaldo, que também carrega a fama de beatnik?

Rapaz, falei nisso há pouco em outra entrevista, registrando que no Brasil é só você escrever em primeira pessoa com uma levada meio pop que já te chamam de beatnik, etiqueta que o próprio Jack Kerouac abominava, ao contrário de beat, que ele adotava na boa desde cedo (fim dos anos 1940). Sou tão “bitinique” quanto qualquer bebum da esquina. E acho que meu personagem tem uma perversidade lúdica ― se me permite uma certa empáfia ― que escapa inteiramente ao perfil do sofredor desbundado e poético do budocatólico Kerouac, por exemplo. Mas, se você providenciar uma boina, um bongô e uma linda apanhadora de algodão mexicana vivendo clandestinamente na Califórnia pra se sentar no meu colo ― ou no bongô, como ela preferir ―, eu até posso posar de bitinique pra uma foto.

Vamos ao teatro?
Postado por em 25 de março de 2011
Olá, queridos leitores. Hoje o nosso tema será na verdade uma dica cultural. Olhando o folder da programação do mês do CCBB aqui do Rio de Janeiro, eis que encontro a peça “Os catecismos segundo Carlos Zéfiro”. Pra quem não lembra, os tais catecismos, conforme já comentando por mim, são espécies de história em quadrinhos erótico-pornográfica, muito comum no Rio dos anos 60/70. 

Com direção e roteiro de Paulo Biscaia Filho, a peça conta a vida do pai da pornografia dos anos 60 e 70 

De dia, pacato funcionário do Ministério do Trabalho, pai de cinco filhos; à noite, especialmente de madrugada, frequentador do melhor da boemia carioca dos anos 50/60, fonte inesgotável de inspiração para a criação de mais de 500 contos pornôs, sob a forma de quadrinhos, que fizeram a iniciação sexual de toda uma geração e o transformaram em lenda do erotismo brasileiro.

O carioca Alcides Caminha, morador do subúrbio carioca de Anchieta, levaria para o túmulo o segredo sobre sua outra identidade não fosse a obstinação do jornalista Juca Kfouri, então editor da revista Playboy, de desvendar um dos maiores mistérios do submundo do mercado editorial do Rio de Janeiro: a verdadeira identidade de Carlos Zéfiro.

É dessa reportagem investigativa, publicada na revista masculina, em 1991, que trata o mais novo trabalho do autor e diretor paranaense Paulo Biscaia Filho, em parceria com a atriz Clara Serejo: “Os Catecismos segundo Carlos Zéfiro”. O espetáculo estreia no Teatro II do CCBB do Rio em 10 de março e cumprirá temporada de um mês (de quinta a domingo, às 19h30.Bilheteria/Informações: Terça a domingo, das 9h às 21h. Telefone: (21) 3808-2020 begin_of_the_skype_highlighting (21) 3808-2020 end_of_the_skype_highlighting. Ingressos: R$ 10 – inteira | R$ 5 – meia entrada para estudantes, professores, funcionários e correntistas do Banco do Brasil e maiores de 60 anos. Classificação indicativa: 18 anos. Duração: 80 minutos. Às sextas-feiras o espetáculo oferece serviço de audiodescrição).

Contemplada com patrocínio pelo edital da Eletrobrás, Clara teve longa jornada até obter a autorização da família para encenar a história sobre a vida de Alcides/Zéfiro: “Não foi fácil conseguir os direitos de adaptação, mas valeu muito a pena. A história do Zéfiro é linda, muito interessante, eu precisava encená-la”. Biscaia, por sua vez, ganhou uma bolsa da Funarte para escrever o texto: “O Carlos Zéfiro é um mito do erotismo nacional, e é um prazer levar a história dele para os palcos”, admite o diretor.

Casado desde os 25 anos com Dona Serrat, Alcides Caminha trabalhou no setor de Imigração do Ministério do Trabalho e sempre escondeu a dupla identidade por medo de perder a aposentadoria – havia uma lei que condenava as chamadas “condutas escandalosas” dos servidores públicos.

Compositor bissexto, parceiro de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Britto, foi autor da letra de “A rosa e o espinho”, mas não fez questão de levar o crédito pela obra. Esse detalhe foi, curiosamente, a principal pista que levou Juca a descobrir a verdadeira identidade do Zéfiro.

A peça parece ser boa, num teatro de fácil acesso – e o melhor, fácil acesso ao bolso. O CCBB é conhecido por trazer peças excelentes a um público que nem sempre pode pagar R$80,00 para assistir espetáculos de qualidade. 

Então, depois disso tudo, fica o convite: vamos ao teatro?

Top 10
Postado por em 12 de março de 2011
Fuçando como sempre antes de vir aqui postar (confesso que esta semana seja pela preguiça do feriado ou falta de criatividade, não estou muito inspirada), achei um blog com um Top 10 da Literatura Erótica. Resolvi procurar um pouco mais e achei outras listinhas por aí. Juntando o que achei e mais o que li, resolvi fazer o meu próprio top 10. 

Ah, os títulos que eu não li, procurei resenhas, pra ter uma idéia geral, e por isso os incluí. 

Vamos à lista! 

Lolita – Vladimir Nabokov – a história da ninfeta que um dia eu mesma quis ser. Genial.

 

Elogio da Madrasta – Mario Vargas Llosa – erotismo com cultura. Soft porn

Kama Sutra – Vatsyayana – o clássico. Costumes, religião e sugestões sexuais, aqui tem de tudo um pouco.

 

As Memórias de Casanova – um fanfarrão. Ao lado de Don Juan, é parte de nosso imaginário até hoje quando pensamo num garanhão.

A Arte de Amar – Ovídio – o Kama Sutra dos romanos, é mais divertido que seu antecessor. E ainda é bem atual.

O Amante de Lady Chatterley – D. H. Lawrence – uma celebração ao sexo – como parte fundamental do amor entre dois seres.

O Casamento – Nelson Rodrigues – erotismo tupiniquim.

A Filosofia na Alcova – Marquês de Sade – uma bela educação sexual. Sem preconceitos.

A Fazenda Blackwood – Anne Rice – vampiros e todo o seu poder de sedução. Vide Lestat.

O Livro de Ouro do Sexo – Fábio Braga e Regina Navarro Lins – tudo, TUDO sobre sexo. Traz os seguintes temas: Mitologia erótica; Indústria pornográfica; O cinema e o sexo; Corpo de aluguel; Corpo e orgasmo; Fantasias; Literatura e arte eróticas; Casamento e sexo.

E aí, animaram-se?

O que aprendi…
Postado por em 4 de março de 2011
Não, não apenas com a Bruna Surfistinha. Mas é inegável que ver o filme dela me fez refletir algumas coisas, e voltar a pensar em outras. Pra começo de história, as prostitutas e suas histórias estão presentes em diversas literaturas, ao longo dos lugares, ao longo dos tempos. Muda talvez apenas a forma de uma sociedade encará-las, mas elas sempre estão presentes – e acho que sempre envoltas numa aura de mistério.
Livros e filmes como o da Surfistinha servem pra desmistificar, talvez desromantizar, essa visão nossa da prostituição. Mostra que são mulheres iguais a nós, só que por razões diversas, trabalham vendendo seu corpo.
Por falar nisso, fuçando como sempre na internet antes de postar aqui, me deparei com este post da Tati Daniel, falando justamente sobre a tal da Surfistinha e algumas das questões que envolvem a prostituição. Achei interessante a consideração dela sobre o fetiche feminino que de certa forma está presente na prostituta. Aliás, a sociedade tende a encará-las em parte como especialistas na arte sexual, tanto que temos aquele velho ditado de “Seja uma dama na sociedade e uma puta na cama”. Engraçado que o início do filme mostra o contrário, e confirma a minha idéia de que é bom de cama aquele que pratica. (Para um pouco mais de divagações sobre prostitutas, veja esse post sobre Memórias de minhas putas tristes)
Enfim, eu queria apenas partilhar com vocês um pouco dessa minha inquietação com o tema. E agora, acho que vou encaixar a “franquia” literária Surfistinha na minha lista. Afinal, se um livro sobre prostitutas já é interessante, imagina três…
Elogio da Madrasta
Postado por em 18 de fevereiro de 2011
160 páginas
Curiosamente escrita sob encomenda para um amigo cineasta que coordenava uma coleção de narrativas eróticas, Elogio da Madrasta pode ser considerada um dos pontos mais felizes da obra do peruano Mario Vargas Llosa. 

Apesar de datar de 1988 e ser antecessora de Os Cadernos de Dom Rigoberto, obra bastante conhecida do autor, só foi publicada no Brasil no final de 2009. Pode-se dizer que a incursão de Vargas Llosa na literatura erótica consegue ser ao mesmo tempo elegante e despudorada, sem cair na pornografia barata, mas não deixando de descrever suficientemente as cenas. Soft Porn.


Acho que uma das causas de ter atingido este equilíbrio foi a estrutura narrativa escolhida pelo autor. Há diversas associações a elementos culturais e mitológicos, por meio das quais vamos imaginando o jogo sexual. Jogo, por sinal é uma definição que acompanha o romance.

Não há narração direta dos momentos sexuais (a ação é sempre substituída por metáforas): o que existe, na verdade, é o jogo, a apropriação erótica de uma imaginação pela outra. Mais: a invasão da realidade pelo mundo imaginário que a própria vida erótica demanda. (…)É por esse motivo que Elogio da madrasta é tão interessante: assume esse próprio impasse, e ao invés de constranger a fluência da narrativa interrompendo-a com reflexões, cria uma estrutura onde as reflexões ganham um espaço destacado: as descrições dos quadros. Torna a própria interrupção numa maneira de levar a estória adiante.

Isso porque vemos a todo o tempo a imaginação fetichista de Dom Rigoberto fantasiando sobre os quadros e as obras de sua casa, e é por esse prisma que conhecemos as demais protagonistas: Lucrécia, sua fogosa esposa, e todos os arquétipos que os dois encarnam à noite, pela busca do prazer. Nesse sentido, é um livro abertamente masculino, onde Lucrécia está ali apenas como um palco para as projeções da imaginação de Rigoberto e, em menor escala, Fonchito. 

É aos pouquinhos que somos apresentados aos quatro personagens: Dom Rigoberto; Lucrécia, sua esposa e a madrasta do título; Fonchito, o filho do primeiro casamento de Rigoberto; e Justina, a empregada. Quatro corpos, dois, possíveis três, casais. A iniciação sexual de um jovem, pedofilia, vida conjugal, traição. Todos elementos do enredo. Genialmente simples.


Mesmo arriscando-se em temas polêmicos, Llosa traz com sua prosa uma positiva apologia ao sexo no casamento, a certeza de que se há imaginação, o desejo não morre, mesmo entre amantes de longa data. Mostra que casamento se faz também na cama, mas principalmente na cabeça, já que a rotina é quebrada pelo encanto da representação.

Da capa ao modo como a história é (a/re)presentada, é sem dúvida um livro sedutor, na melhor definição da palavra.
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