Cinelivros
Eu Sou o Número Quatro
Postado por em 17 de novembro de 2011
Eu Sou o Número Quatro – Livro 1 da série Os Legados de Lorien (I am Number Four)
Pittacus Lore

ISBN: 9788580570137
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2011
Páginas: 352
Preço de Catálogo: R$39,90
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

O planeta Lorien foi invadido e praticamente devastado por seres hostis de um planeta vizinho que depois de destruir os próprios recursos naturais seguiram para fazer o mesmo com outros planetas. Os habitantes de Lorien resistiram, lutaram, mas não foi suficiente. Como última esperança um grupo de nove crianças, juntamente com seus respectivos Cêpan (uma espécie de guardiões), foram enviados para a Terra, o planeta habitável mais próximo. A cada uma dessas crianças foi designado um número e um feitiço foi realizado para protegê-las, impedindo que fossem mortas se não na ordem específica de seus números. Deveriam permanecer escondidas na Terra até que desenvolvessem seus Legados – poderes específicos que os permitiriam lutar – quando então poderiam se juntar e lutar contra os inimigos e finalmente voltar a Lorien. Durante esse tempo, ainda, deveriam ser mantidos separados, cada um em um canto da Terra, para que o feitiço protetivo tivesse efeito. E eles realmente precisavam da proteção já que passaram a ser caçados por seus inimigos quase imediatamente. Mesmo longe, há uma forte ligação entre os nove, permitindo que os outros sentissem se um deles morresse. Assim os demais tomam conhecimento da morte do Número Um, do Número Dois e do Número Três. O próximo da lista, indubitavelmente, será o Número Quatro. E ele sabe disso.

Nos dez anos em que estão escondidos na Terra, o Número Quatro e seu guardião, Henri, não fazem outra coisa que não fugir. Nunca passam mais que alguns meses em cada lugar, sem nunca criar laços ou fazer amizades, mas misturando-se entre os humanos. Com a morte do Número Três eles precisavam ficar ainda mais atentos. Fugindo novamente vão em busca de outra cidade, de outra vida e o Quatro escolhe um novo nome: John Smith. Na nova escola, John conhece a garota mais bonita que ele já viu na vida, Sarah, depois algo bem estranho começa a acontecer com suas mãos. Quando ele menos esperava, o primeiro de seus Legados começa a se desenvolver, o que significa que ele está ficando mais forte, e que a hora de enfrentar os inimigos está cada vez mais próxima. Justo agora que ele finalmente achou um local que lhe deu a sensação de casa, e que lhe fez querer não mais fugir.

Eu Sou o Número Quatro
D.J. Caruso

Estúdio: DreamWorks
Lançamento: 2011
Duração: 109 minutos
Onde comprar:
Submarino | Saraiva

Eu Sou o Número Quatro, publicado em 2011, é o primeiro livro da série sobre os Legados de Lorien. O autor, Pittacus Lore, se auto intitula o ancião principal do planeta Lorien, a quem foi confiada a história. Na verdade trata-se de um pseudônimo de dois autores americanos: James Frey e Jobie Hughes. Um deles, James Fray, andou se envolvendo em algumas polêmicas literárias que praticamente lhe custaram a carreira. Mas isso não vem ao caso. O importante é que o livro é muito bom. A premissa é interessante, os personagens cativantes e a trama bem contada. É dessas histórias que “nasceram para virar filme”, então, é claro, não demorou nada para ganhar uma adaptação. O filme, de mesmo nome, estreou no início de 2011, e tem direção de D.J. Caruso e Alex Pettyfer, Dianna Agron, Timothy Olyphant, Teresa Palmer, Kevin Durand e Callan McAuliffe no elenco. Eu gostei do filme, mas preciso dizer que gostei mais do livro? Acho que não, né? rs. Entre as minhas restrições ao filme está o fato de que o romance entre John e Sarah me pareceu meio rápido e forçado – ainda mais que no livro – e o ator que faz o Sam não convence muito como o nerd que eu imaginei… Também senti falta do treinamento do John, que no filme é deixado para se virar sozinho. Mas minha maior revolta foi que entregaram o segredo do Bernie Kosar (o cachorro do John) logo de cara. Agora, se tem algo que não me decepcionou em nada foi a Número Seis, que arrasa tanto no livro quanto no filme. E os Legados dela são os mais legais.

Repito, gostei da adaptação, mas poderia ser melhor. O livro me deixou mais tensa, por vezes até abalada – porque eu me envolvo – o que não aconteceu com o filme. Talvez por já saber o que aconteceria. Ah, sim, outro ponto positivo para o filme é ser bem fiel, sem mudanças significativas. Isso sem levar em consideração as omissões de coisas que eu achava importante, mas quem sou eu para decidir o que é ou não importante, rs. O livro explica mais sobre Lorien, apresenta mistérios a serem desvendados nos próximos livros e nos deixa curiosos. O filme não tanto.

Por falar em próximos livros, o segundo da série, O Poder dos Seis, foi lançado esse mês, juntamente com uma nova capa para o Eu Sou o Número Quatro, similar à original americana e eu confesso, prefiro essa à do filme. E não duvide que sou dessas pessoas que compram o mesmo livro, com a capa diferente, só porque gostou mais da outra!

O Noivo da Minha Melhor Amiga
Postado por em 20 de setembro de 2011
O Noivo da Minha Melhor Amiga (Something Borrowed)
Emily Giffin

ISBN: 9788520917695
Editora: Nova Fronteira
Ano de publicação: 2005
Páginas: 352
Onde comprar:
Submarino | Cultura

O Noivo da Minha Melhor Amiga, “Something Borrowed” no original, foi lançado no Brasil em 2005 e é o livro de estreia da americana Emily Giffin. Conta a história de Rachel, Darcy e Dex. Rachel é nossa protagonista e narradora. Darcy sua melhor amiga desde a infância, e Dex, o noivo do título. Rachel passou a vida fazendo tudo certinho. Tudo. Até que na noite em que comemorava seus 30 anos, numa festa surpresa preparada por sua amiga sempre perfeita e que tinha tudo, Darcy, é assombrada pela constatação de que não tinha nada do que sonhou ter aos 30: marido, filhos, uma carreira de sucesso. Ao invés disso está sozinha e tem um emprego que odeia. Entre um acontecimento e outro, e após alguns drinques a mais, ela acaba na cama com Dex. A princípio ela fica arrependida, se sente culpada, achando que cometeu um grande erro e que o “incidente” nunca mais poderia ser mencionado. Tudo começa a mudar quando Dex confessa que não estava tão bêbado assim e não se arrepende nem um pouco do que aconteceu…

Durante a leitura passamos por um terrível dilema moral porque nos vemos torcendo pela Rachel, a amiga que trai, e desenvolvendo uma antipatia gigantesca pela Darcy, a “vítima”. Meu dilema só não foi maior que o da protagonista que, por um lado, se sente culpada por estar traindo a melhor amiga, mas por outro se vê completamente apaixonada por Dex. Ao mesmo tempo quer que ele cancele o casamento, mas não quer que a amiga passe pela decepção de ser abandonada pelo noivo.

Gosto muito desse livro. Pra mim, é o melhor da autora – apesar de que ainda me falta ler o Questões do Coração, então minha opinião pode mudar. A história tem uma continuação, o livro “Something Blue”, cuja trama inicia imediatamente após ao final de O Noivo da Minha Melhor Amiga, e até agora, infelizmente, não foi lançado no Brasil. Nesse a narradora é a Darcy, e temos a visão dela dos acontecimentos do primeiro livro e acompanhamos o que lhe acontece depois. Apesar do livro também ser muito bom, não gostei tanto, exatamente pela minha implicância com a protagonista. Passei o livro quase torcendo para que nada de bom acontecesse com ela. Quase.

O Noivo da Minha Melhor Amiga
Luke Greenfield

Estúdio: Playarte Pictures
Lançamento: 2011
Duração: 103 minutos
Onde comprar:
Saraiva

O filme foi lançado agora em 2011 e no elenco estão Ginnifer Goodwin como Rachel, Kate Hudson como Darcy, Colin Egglesfield como Dex, Steve Howey como Marcus e John Krasinski como Ethan. Fisicamente nenhum dos personagens está nem perto do que eu imaginei, mas isso não tem a menor importância porque o que importa são as características e personalidades deles, que eu pude reconhecer em cada um. O quanto Rachel era submissa à Darcy, a indecisão do Dex, Ethan no papel de confidente e consciência da Rachel, o jeito bobo do Marcus (apesar que este consegue ser mais bobão no filme que no livro), o extremo egoísmo da Darcy. Em relação ao Ethan, o papel dele no filme é uma junção de dois personagens do livro: o próprio Ethan e Hillary, amiga de Rachel que também conhecia sua relação com Dex. Originalmente, Ethan mora em Londres e não está presente na maioria das situações, como a viagem ao Hamptons. Suas muitas interferências à história, no livro, são feitas por telefone. Mas fiquei satisfeita com a solução dada pelo filme para isso. Ainda foi criada uma historinha paralela entre ele e uma amiga de Darcy, Clare (que no livro sequer se conheciam) que serviu como alívio cômico – afinal, trata-se de uma comédia romântica, precisamos de momentos engraçados.

O Noivo da Minha Melhor Amiga é um dos meus chick-lit preferidos, e ao mesmo tempo em que eu estava ansiosa e animada pela versão cinematográfica estava também apreensiva, imaginando se não iriam de alguma forma estragar essa história da qual eu gosto tanto. Mas no final das contas eu gostei do resultado do filme. Meu primeiro pensamento foi: que bom que ele é fiel ao livro! rs Acho que o clima do livro está todo ali, o que é o mais importante em uma adaptação. Como disse, esse é um dos meus livros preferidos do gênero e eu o adoro tanto que já o li 3 vezes. E não é que assim que eu terminei de assistir o filme saí do cinema com uma vontade quase incontrolável de ler o livro novamente?

Foi bom sentir raiva da Darcy mais uma vez, colocando nela o rosto da Kate Hudson. Ela encontrou a medida certa para demonstrar o quão egocêntrica a Darcy é. Mas também sentimos o porquê de ela e Rachel serem amigas, e não tem como não adorar as duas dançando ao som de “Push it”. É o tipo de coisa que só se faz com uma amiga de infância. Claro, o livro é mais profundo, o conflito e as relações são mais intensas, conhecemos detalhes da amizade das duas e o tipo de amiga que Darcy sempre foi. Conseguimos sentir mais raiva da Darcy pelo livro. O politicamente correto seria apedrejarmos a amiga que trai, que está atrás do noivo da outra, mas no caso nos surpreendemos torcendo pela tal amiga que trai e desenvolvendo uma gigantesca birra em relação à amiga traída, ao ponto de às vezes até pensarmos que ela merece. Na verdade a discussão que essa história aponta é que não existe certo e errado, preto e branco. A vida é uma enorme zona cinzenta e tudo depende do ponto de vista.

Espero que o filme sirva para despertar em todos a vontade de ler o livro, e se comover com a Rachel, compartilhar a opinião do Ethan, morrer de vontade de chacoalhar o Dex e tentar descobrir o que ele está pensando, e irritar-se profundamente com a Darcy. Sobre uma possível adaptação da sequência, os direitos do segundo livro também foram comprados e em algumas entrevistas que vi dos atores eles afirmam que é bem possível que ela seja realizada. Eu estou torcendo.

O Menino do Pijama Listrado
Postado por em 24 de agosto de 2011
O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas: a Fable)
John Boyne

ISBN: 9788535911121
Editora: Companhia das Letras
Tradutor: Augusto Pacheco Calil
Ano de publicação: 2007
Páginas: 192
Preço de Catálogo: R$ 36,00
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Um tema recorrente tanto na literatura quanto no cinema é a Segunda Guerra Mundial. Holocausto, Nazismo, Hitler, a SS, Campos de Concentração, Eixo e Aliados foram temas de inúmeras obras e explorados de diversas maneiras. Mas nenhuma os explora como o romance do irlandês John Boyne. É diferente porque não trás o ponto de vista de um judeu que sobreviveu aos horrores de um campo de concentração ou à perseguição dos nazistas, nem o de um soldado que presenciou as batalhas sem fim, ou da família que esperava angustiada pelo ente querido que estava em meio ao conflito, ou ainda daqueles que tentaram, mesmo que fora da linha de combate, ajudar os injustamente perseguidos. Em O Menino do Pijama Listrado o ponto de vista é o de um garoto ingênuo, que, apesar da guerra, só percebe alguma mudança em seu mundo pois tem que sair de sua bela casa para uma mais simples, afastada, no campo.

Bruno é um garoto de 9 anos que vive em uma espaçosa casa em Berlim com seus pais e sua irmã mais velha. Como toda criança, tem uma visão limitada do que acontece à sua volta, não sabendo sequer qual o trabalho do seu pai, só que é algo muito importante e que envolve incríveis uniformes. Não sabe que seu país está em guerra, apenas que terá que deixar sua casa e seus melhores amigos da vida toda para morar em um lugar isolado, onde não tinham outros meninos com quem ele poderia brincar. De sua antiga janela, se ficasse na ponta dos pés podia ver a cidade de Berlim, já de seu novo quarto, a visão que tinha era de uma enorme cerca e, atrás dela, centenas de pessoas, e todas elas usavam o mesmo pijama listrado. Ele não entendia porque aquelas pessoas continuavam de pijama, mesmo durante o dia. Decidido a explorar os arredores, Bruno chega bem perto da cerca e vê um menino que também usava aquele mesmo pijama listrado, que tinha a mesma idade que ele e quem ele passou a considerar um grande amigo.

Com uma narrativa diferente e interessante, o livro trata de um dos períodos mais tristes da história mundial: o Nazismo e o Holocausto, pelo ponto de vista de um menino inocente que sequer sabia como pronunciar “Führer” e “Auschwitz”, quanto mais era capaz de entender o que acontecia a sua volta, com o seu amigo (o do pijama listrado), ou com ele próprio. Era apenas um menino ávido por ver o mundo ao seu redor – nem que fosse explorando os cômodos da própria casa – e conhecer outras crianças com as quais brincar.

O Menino do Pijama Listrado
Mark Herman

Estúdio: Miramax Films
Lançamento: 2008
Duração: 94 minutos
Onde comprar:
Submarino 

Em uma co-produção americana e britânica foi lançado em 2008 o filme de mesmo nome, que traduz de forma emocionante tudo o que vemos no livro. Existem algumas mudanças que no fim não fazem diferença e o filme acaba sendo tão comovente quanto o livro. Não posso deixar de dar um destaque para a atuação dos dois meninos, grandes responsáveis por isso. Em sua ingenuidade e inocência, Bruno – que no filme tem 8 anos – não consegue entender o motivo de tanto ódio por pessoas como seu amigo Shmuel e espera ansiosamente o dia em que os dois lados da cerca irão se entender (o que em sua cabeça é uma certeza), e ele e seu amigo poderão brincar livremente.

Bruno é um menino de olhos inocentes, que não percebem a maldade que o rodeia, que não tem ideia do quanto o ser humano pode ser vil e cruel, o quanto pode degradar outros seres humanos iguais a ele somente, por uma deturpada ideia, se sentirem superiores.

Tanto o livro quanto o filme são excelentes, mas tristes, muito mais pois apesar de ser ficção, têm como cenário um acontecimento real, vergonhoso, e que jamais deveria ocorrer novamente. Por fim, recomendo que separem um lencinho, tanto para o livro quanto para o filme, sendo impossível ficar indiferente a essa história.

Estação Carandiru
Postado por em 27 de julho de 2011
Estação Carandiru
Drauzio Varella

ISBN: 9788535906400
Editora: Companhia de Bolso
Ano de publicação: 2005
Páginas: 232
Onde comprar:
Submarino | Saraiva | Cultura

Nessa volta – propriamente dita – da coluna, eu escolhi não só uma obra nacional, mas um livro nacional que é um premiado best-sellerEstação Carandiru foi escrito pelo conhecido médico Drauzio Varella, vencedor no ano 2000 do prêmio Jabuti (o mais importante prêmio literário do país) como Livro do Ano de Não-Ficção. Mais que um best-seller, é um fenômeno editorial, e nele o autor relata sua experiência. Conta o que presenciou ou ouviu dos presidiários com quem conviveu durante seus anos trabalhando na Casa de Detenção de São Paulo, o “Carandiru”.

Durante tais anos, Drauzio Varella tratou os doentes, tentou conscientizá-los quanto a questões de saúde, prevenir doenças, e ouviu muitas histórias. Juntando sua própria experiência, tudo o que viu e as histórias que ouviu, transformou em um livro. As histórias são as mais variadas e interessantes por serem reais. O autor também descreve com detalhes o complexo penitenciário, seus inúmeros pavilhões e a rotina do lugar. A mais importante das histórias contadas – e a de maior repercussão – talvez seja a do massacre ocorrido em 1992, em que a rebelião de um dos pavilhões e posterior invasão de policiais culminou na morte de inúmeros detentos – fato que ficou conhecido como Massacre do Carandiru. Pela contagem oficial, 111 detentos perderam a vida. Pela versão dos sobreviventes, entretanto, mais de 250 deles foram mortos pelos policiais, “… contados os que saíram feridos e nunca retornaram”. Nenhum policial perdeu a vida no incidente. O responsável pela operação, o Coronel Ubiratan Guimarães, inicialmente condenado, foi absolvido das acusações após recurso julgado anos depois.

Carandiru
Hector Babenco

Estúdio: Globo Filmes
Lançamento: 2003
Duração: 148 minutos
Onde comprar:
Submarino | Saraiva

O filme Carandiru foi lançado em 2003, e é muito mais do que o Rodrigo Santoro vestido de mulher. Mas não vou negar que esse é um curioso atrativo, rs. Com direção de Hector Babenco o filme trás um excelente retrato do que se conta no livro, além de uma amostra do sistema prisional brasileiro, do cotidiano dos detentos. Por óbvio, no livro há mais histórias que no filme, mas o filme é bastante fiel. Nem todas as histórias estão presentes, algumas são junções de duas ou mais, mas a essência permanece intacta, o que pra mim é o que faz as melhores adaptações. Podemos ver os momentos de lazer, os momentos mais tensos, as más condições do local…

Drauzio Varella hoje é conhecido de todos, figura fácil, com quadros em programa de televisão e participação ativa em diversas campanhas de saúde. Ganhou reconhecimento como escritor após o Estação Carandiru e possui outras obras publicadas e outras indicações a prêmios. Mas sem dúvida sua publicação mais famosa continua sendo este livro. O autor manteve seu trabalho como médico voluntário no Carandiru até sua desativação em 2002.

Nunca contei isso aqui, mas eu sou advogada e li esse livro na época em que estava na faculdade, época esta, inclusive, em que eu não lia nada que não tivesse alguma relação com o meu mundo jurídico. Enfim, apesar de não atuar na área criminal, estudei bastante sobre sistema prisional e esse livro abre uma grande discussão por mostrar o ponto de vista dos presidiários e de alguém que conviveu, sem preconceito, com eles. Mostra o descaso, a superlotação, péssimas condições do local, e a necessidade premente de todo o sistema prisional brasileiro ser revisto já que da forma que está não cumpre sua função. A finalidade da pena não é apenas retribuir com o mal o mal cometido mas sim de, além de punir o infrator e prevenir novos crimes, ressocializá-lo, prepará-lo para retornar à sociedade. Antes que eu me empolgue com a linguagem técnica – e assuste os que não estão acostumados a ela – deixo claro que isso é o que menos se vê no livro. Não foi escrito por juristas ou “especialistas” no assunto. Foi escrito por um médico voluntário que se dispôs a ouvir aqueles diretamente afetados, em uma narrativa simples. O livro conta a história de pessoas. O elemento humano é o ponto mais forte, o que também está presente no filme.

Como já mencionei, o complexo prisional foi desativado em 2002 e parcialmente demolido. Em seu lugar hoje existe o Parque da Juventude, que, entre outras coisas, conta com uma grande biblioteca. Como apaixonada por livros acho que não poderia ter fim melhor.

Mudança
Postado por em 29 de junho de 2011

Durante todos esses meses de coluna vocês já devem ter percebido que além de gostar de ler eu adoro assistir aos filmes baseados naquilo que li e criticar bastante todas as mudanças que inevitavelmente são feitas nas histórias. Na verdade eu já fazia isso muito antes de começar a escrever a coluna, a ter um blog literário ou até mesmo de conhecer essa parte da blogosfera. Sempre que meus amigos vão assistir a um filme comigo eles perguntam se eu já li o livro porque sabem que se a resposta for sim eu com certeza vou fazer comparações. Nossa, isso me fez parecer chata, mas juro que eu sou legal e meus amigos ainda não desistiram de assistir filmes comigo e até me perguntam sobre as diferenças nas histórias. rs

Bom, como eu escrevi na primeira coluna, muitas obras literárias já foram adaptadas e a cada dia temos notícias de mais alguma adaptação dos livros atualmente mais populares. Dessa forma, matéria-prima para essa coluna é o que não falta. Mesmo assim ela anda ausente nos últimos tempos, e eu confesso que estou sentindo falta de escrever para ela. Mas, antes de voltar ao tema propriamente dito, hoje não vou tratar sobre nenhum livro ou filme. A coluna de hoje é diferente para explicar algo. O Lorran já contou aqui que o Subtítulo está passando por mudanças e uma delas tem relação com as colunas. O que antes era semanal agora passará a ser mensal. Com isso teremos mais tempo para elaborar os textos, assim, com a mudança na frequência, posso até pensar em aceitar sugestões. Por isso, fiquem a vontade para sugerir nos comentários livros que tiveram adaptações cinematográficas e dos quais ainda não abordei aqui. Eu tento diversificar os estilos mas quem puder me dar mais ideias, ou até mesmo me contar de algum filme que eu não saiba que é adaptação ou algum livro que eu ainda não saiba que foi adaptado, eu agradeço.

Enfim, nossos encontros serão mais espaçados mas espero continuar contando com as visitas e os comentários de todos vocês.

Melancia
Postado por em 4 de maio de 2011

Normalmente, os filmes são mais famosos que os livros em que foram baseados. Muitas vezes vejo, inclusive aqui nos comentários um “nossa, não sabia que era adaptação de um livro”. Existe o caso, porém, em que o famoso é o livro e pouca gente sabe sobre o filme. Bem, existe pelo menos um caso que eu saiba. Voltando a falar nos chick-lits, aqueles “livros de mulherzinha”, uma das maiores autoras do gênero é a irlandesa Marian Keyes. Ela possui livros maravilhosos, que misturam romance, humor e temas sérios como depressão, traição, abuso de drogas, morte e doenças. O livro de estreia dela, Melancia, é o caso citado de livro mais famoso que o filme.

Claire Walsh acaba de dar à luz a sua primeira filha. O que era para ser o dia mais feliz de sua vida se transforma em um desastre pois seu marido James escolhe justo esse dia para anunciar que está indo embora para viver com sua amante. Claire, desiludida e humilhada, pega sua filha recém-nascida e vai para a casa de seus pais enquanto sofre de uma terrível depressão pós-parto. Com a ajuda de sua louca e engraçada família ela começa a superar e as coisas começam a melhorar, principalmente quando ela conhece um dos amigos de sua irmã caçula, o charmoso Adam. Melancia, título da obra, é dado em razão da forma de Claire enquanto grávida. Ela se sentia e se parecia com uma melancia. Coitada…

O filme, de 2003, não é tão famoso porque foi produzido diretamente para a televisão na Irlanda. Por aqui só ficamos sabendo dele graças à santa internet, mas é fraquíssimo e só vale mesmo a título de curiosidade. O filme faz uma bagunça com a história, mistura tudo, troca o papel de alguns personagens, exclui outros, muda o enredo. Basicamente, o conflito da história é totalmente diverso. No filme, Claire acabou de se formar na faculdade e se muda da Irlanda para Londres com seu namorado, Adam. Após uma mentira dela sobre o trabalho, ele a abandona e volta para Dublin. Ela conhece e começa a sair com James, e só depois descobre que está grávida de Adam. James, por sua vez, acha que o filho é dele e só descobre a verdade no dia do nascimento e abandona Claire. Chega-se assim à parte que começa a ser semelhante ao livro e Claire vai curar suas mágoas voltando para a casa dos pais em Dublin.

Sou hiper fã dos livros da Marian, já li a maioria e sempre me impressiono com a forma com que ela consegue introduzir humor em temas de grande seriedade. Adoro os livros da autora, mas vou ser sincera que o Melancia não é dos meus preferidos dela – apesar de ser muito bom. Mas ele nos apresenta à incrível família Walsh, uma das mais excêntricas e engraçadas da literatura chick-lit, o que já vale a leitura. É o primeiro livro da série que conta a história de cada uma das irmãs Walsh, Claire, Rachel, Maggie, Anna e Helen, que continua nos livros Férias!, Los Angeles e Tem Alguém Aí. A Marian ainda está nos devendo escrever o livro sobre a caçula Helen, uma das personagens secundárias mais divertidas de todos os livros da série.

Por gostar tanto da família Walsh fiquei tão decepcionada com o filme. Além da bagunça da história e de mudarem o sobrenome da família – que no filme é Ryan – a única irmã existente é a Anna, e ela nem é tão divertida como no livro. Há algumas passagens que vemos no livro, mas a maior parte da história é diferente, e não um diferente bom. É mais um dos casos em que fico mil vezes com o livro. Aliás, recomendo todos os livros da Marian, principalmente agora que estão sendo lançados em edição de bolso, já que seus livros convencionais não são dos mais baratos.

E Se Fosse Verdade…
Postado por em 13 de abril de 2011

Para quem acompanha a coluna não é segredo que eu tenho mania de ler livros que foram transformados em filmes e de assistir filmes que são adaptações de obras literárias. Normalmente eu prefiro ler o livro antes, mas às vezes eu só descubro que se trata de uma adaptação depois que já assisti ao filme. O livro de hoje faz parte desse último caso. Apesar de gostar mais do livro, conheci primeiro o filme. Trata-se do “E Se Fosse Verdade…”, romance de estreia e best-seller do escritor francês Marc Levy, publicado originalmente em 1999.

247 páginas

Lauren é uma jovem médica residente que tem a vida totalmente voltada para sua carreira. Um dia, porém, sofre um terrível acidente de carro e entra em coma, ficando entre a vida e a morte. Mas ao invés de ficar inconsciente, seu “espírito” continua vagando por aí, e ela passa a maior parte do tempo em seu apartamento vazio. Alguns meses depois o apartamento é alugado por Arthur que, para surpresa de Lauren, consegue vê-la, e é o único que o faz. A princípio ele não acredita nela, até que vê seu corpo no hospital. Ela passa a acompanhá-lo aos lugares e eventualmente eles se apaixonam. Arthur então decide tornar sua missão de vida tomar conta de Lauren e descobrir um modo de curá-la. Para isso ele terá que enfrentar, inclusive, a mãe dela, que está decidida a desligar os aparelhos que a mantém viva.

O filme, de mesmo nome, com Reese Witherspoon e Mark Ruffalo foi lançado em 2005. É uma boa e velha comédia romântica. Rapaz conhece garota, rapaz e garota brigam como cão e gato, rapaz e garota se apaixonam perdidamente. A diferença é que nesse caso a garota está em coma, mas ainda assim “visita” seu antigo apartamento. E o rapaz, novo morador do local, é o único que pode vê-la e ouvi-la. Ele que tem seus próprios fantasmas interiores acredita que está lidando com um fantasma de verdade, que atravessa paredes, e tenta ajudá-la a fazer a “travessia”. Claro que ela, sabendo que está viva (apesar de não saber o que aconteceu), não quer ir a lugar nenhum, e passa a se meter em tudo que o novo morador de seu apartamento faz. Reese Witherspoon é uma das queridinhas entre as atrizes de comédia romântica e só a presença dela já é garantia de sucesso de público. Fora isso, o filme é realmente muito bom.

95 minutos

Entre as mudanças na adaptação, acho que a maior é relativa ao nome dos protagonistas. Enquanto no livro eles são chamados de Arthur e Lauren no filme eles são David e Elizabeth. Outras mudanças que podemos observar é que no livro o romance é mais intenso, o casal passa mais tempo juntos, sozinhos, e inclusive podem se tocar. Ainda, Lauren sabe desde o início qual é sua situação, que seu corpo se encontra no hospital, em coma profundo, já Elizabeth inicia a história completamente perdida. Isso sem considerar que a Lauren, a do livro, é morena e a Elizabeth, a do filme, é loira. Mas isso é o que tem menos importância. O final do filme também é diferente, indo além do contado no livro. De resto a história é basicamente a mesma, apesar de o filme ser mais leve e o livro mais profundo, como acaba acontecendo na maioria das vezes.

A obra possui uma continuação, um livro chamado “Encontrar Você”, já publicado no Brasil. Ainda não tive oportunidade de ler então não sei o quanto acrescenta à história. Mas seja como for, esse primeiro livro termina muito bem, e tem um final satisfatório.

Por fim, gosto quando os autores dos livros participam da elaboração do roteiro das adaptações, como é o caso desta, pois mesmo que haja mudanças ainda podemos reconhecer a essência da história – pelo menos na maioria dos casos. Aqui, por exemplo, como já dito, a adaptação vai além do livro, mas o final dado ao filme poderia muito bem ser aplicado ao livro. A meu ver se encaixaria bem. Acho que só mesmo em casos assim não é decepcionante um final diferente.

Em Breve
Postado por em 6 de abril de 2011
A coluna de hoje será diferente. Ao invés de contar sobre algum livro específico e sua adaptação cinematográfica vou falar sobre aqueles cujas adaptações ainda estão a caminho, mais especificamente os que têm previsão de lançamento para esse ano de 2011. São eles: 

  • Eu Sou o Número Quatro (I Am Number Four)
Três estão mortos. Eu sou o número quatro.

 

Nove jovens alienígenas fogem de seu ameaçado planeta natal e se escondem na Terra, mas mesmo aqui são perseguidos pelos seres que invadiram seu planeta. Cada um dos sobreviventes tem um número e eles só podem ser mortos na sequência correta. O número Quatro é conhecido na Terra como John Smith e passou toda sua vida fugindo, tendo apenas a companhia de seu guardião, até que, após a morte do Um, Dois e Três, se apaixona por uma garota da cidade onde agora se esconde e decide que tem um motivo para parar de fugir. Nesse meio tempo, ainda descobre uma ligação com os outros que dividem o mesmo destino. Ainda não li o livro, mas é uma das minhas prioridades, já que o lançamento do filme está bem próximo. Antes de saber qualquer coisa sobre o livro, só aquela primeira frase já me ganhou.

 

  • Água para Elefantes (Water for Elephants)

 

Jacob Jankowski tem 90 anos e recorda de sua juventude, na época da Depressão americana, durante a qual trabalhou em um circo. Presenciou a era dourada dos circos, a beleza e alegria dos grandes espetáculos, mas também a brutalidade contra os animais, desenvolveu um carinho por um elefante em especial e se apaixonou por uma bela mulher, Marlena, esposa de um treinador. Esse é um filme que provavelmente fará sucesso só pelo fato de ter no elenco o Robert Pattinson, atual queridinho do público. Mas fora isso, a história parece ser muito boa. Estou com o livro aqui mas ainda não o li, e também está entre minhas prioridades, ainda mais que só ouço/leio coisas boas sobre ele.

 

  • O Noivo da Minha Melhor Amiga (Something Borrowed

 

Rachel e Darcy são melhores amigas desde sempre. Mas, no aniversário de 30 anos de Rachel, após ficar muito bêbada, ela acaba dormindo com Dex, o noivo de Darcy. A partir disso a história só se complica e Rachel se vê dividida entre a paixão por Dex e sua até então inabalável amizade com Darcy. Por incrível que pareça, nessa história torcemos pela amiga que trai e criamos antipatia pela amiga traída. Vai vendo. Esse é um dos meus chick lits favoritos e confesso que estou por um lado ansiosa para ver como ficará no cinema e por outro morrendo de medo de me decepcionar com as eventuais mudanças na história. Mas a promessa é que de qualquer modo seja uma ótima comédia romântica, e tem no elenco uma das melhores atrizes atuais do gênero: Kate Hudson, como Darcy, a amiga traída.

 

  • Harry Potter e as Relíquias da Morte (Harry Potter and the Deathly Hallows: Part II)
Tudo acaba aqui.

 

O anunciado confronto final entre o bem e o mal está próximo. Uma das maiores franquias de filmes dos últimos tempos está perto de seu desfecho e os fãs contam os dias para o final dessa história. Nenhum lugar é seguro o suficiente e nunca houve tanto risco. Harry precisa se apresentar para seu último sacrifício, enquanto se aproxima o confronto com Lorde Voldemort. Essa é a parte em que eu me escondo para confessar que não li nenhum dos livros do Harry Potter, mas assisti aos filmes (eu sei que não é a mesma coisa!) e também estou curiosa para ver o final.

 

  • Capitães da Areia

 

Também tem estreia de filme nacional. Já falei aqui sobre Jorge Amado, e outro de seus grandes sucessos ganhará versão cinematográfica esse ano. O livro conta a história de um bando de garotos abandonados conhecidos como “Capitães da Areia”. Pedro Bala é o líder deles, tido por muitos como o pior dos bandidos, para aqueles garotos como herói, mas na verdade, ele não passava de um adolescente que vivia livre pelas ruas. Juntos, os Capitães da Areia aprontam trapaças, furtos e muita bagunça. Após uma epidemia de varíola que assola Salvador, Dora perde seus pais e acaba sendo a primeira menina entre o bando. Pedro Bala se apaixona por ela. Professor, o melhor amigo dele, também. E está formado um inevitável triângulo amoroso. Uma curiosidade, o filme é dirigido pela Cecília Amado, neta do autor.

 

  • A Saga Crepúsculo: Amanhecer (The Twilight Saga: Breaking Dawn)

 

O último dos livros da Saga Crepúsculo será dividido em 2 filmes, e o primeiro deles estreia no final deste ano.
É a parte da história em que Bella parece que realizará seus maiores sonhos, e poderá ficar com Edward para sempre. Mas antes do final feliz, alguns obstáculos ainda necessitam ser ultrapassados. Depois de ler todos os livros e assistir aos filmes, não há como não ter curiosidade de saber como será esse filme, principalmente em relação aos efeitos especiais – sim, quero saber como vão fazer para que a Renesmee seja exatamente como descrita no livro.

 

  • O Hobbit (The Hobbit)

 

Após disputas judiciais, brigas com sindicatos de atores, finalmente, O Hobbit ganhará sua versão cinematográfica. Do mesmo autor da trilogia “Senhor dos Anéis”, conta a história do Bilbo Bolseiro, o tio de Frodo, em uma aventura que precede os acontecimentos daquela trilogia. Também a pedido do grande mago Gandalf, o Cinzento, Bilbo terá que invadir a toca de um terrível dragão para recuperar um tesouro. É um filme que gera muita expectativa, pelo sucesso que foi a trilogia Senhor dos Anéis (ainda não falei sobre ela aqui, mas é uma das melhores adaptações cinematográficas), ainda mais agora que terá o mesmo diretor que ela. Seguindo a tendência atual, a história também será dividida em 2 filmes.

 

E então, tem filmes para todos os gostos, quais são os mais esperados?
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